Tufão Jangmi: satélites da NASA revelam o enorme olho da tempestade que ameaçou o sul do Japão

Tufão Jangmi: satélites da NASA revelam o enorme olho da tempestade que ameaçou o sul do Japão

O que você precisa saber

Satélites da NASA fotografaram de madrugada o enorme olho do Tufão Jangmi, que avançou com ventos de até 130 km/h sobre o sul do Japão.
A tempestade era “espalhada” — seus braços de chuva cobriam uma área vastíssima, muito além do que o tamanho do olho central sugeria.
Dois satélites diferentes captaram imagens em noites consecutivas, permitindo acompanhar a evolução da tempestade em tempo quase real.
O Jangmi passou perto de Okinawa antes de virar para o nordeste, despejando chuva torrencial ao longo da costa do Pacífico japonês.

De madrugada, quando a maioria das pessoas já dormia, um satélite da NASA registrou algo impressionante: o olho perfeito de um tufão girando sozinho sobre o Oceano Pacífico, a poucas horas da costa japonesa. A imagem, capturada em 30 de maio de 2026, parece uma foto de outro mundo — mas é totalmente real, tirada por um instrumento científico orbitando a cerca de 800 quilômetros acima da Terra.

O Tufão Jangmi — jangmi significa “rosa” em coreano — chamou atenção dos meteorologistas desde o início por uma característica específica: era uma tempestade enorme em extensão. Seus braços de chuva se espalhavam por centenas de quilômetros, prometendo descarregar chuva torrencial sobre uma faixa vasta do sul do Japão.

Neste artigo, vamos entender o que é um tufão, como os satélites da NASA enxergam tempestades no escuro da madrugada e por que imagens como essa são essenciais para salvar vidas.

O que é um tufão — e por que ele tem “olho”?

Antes de tudo: tufão é exatamente o mesmo fenômeno que chamamos de furacão no Atlântico ou ciclone no Oceano Índico. O nome muda conforme o oceano onde a tempestade se forma. No Oceano Pacífico Ocidental, perto do Japão, Coreia e Filipinas, essas grandes tempestades tropicais são chamadas de tufões.

Imagine que você está mexendo água quente em um copo com uma colher. A água vai girando em espiral ao redor do centro, que fica mais vazio do que as bordas. Um tufão funciona de forma parecida — só que em escala continental, com ar quente e úmido do oceano girando em espiral por centenas de quilômetros. O centro “vazio” dessa rotação é o que chamamos de olho: uma área de calma surpreendente, com céu aberto e ventos fracos, enquanto todo o caos fica ao redor. Esse anel de destruição ao redor do olho tem um nome: parede do olho, e é onde os ventos são mais intensos e a chuva mais pesada de toda a tempestade.

No caso do Jangmi, o olho estava bem definido nas imagens noturnas, o que indica que a tempestade tinha uma organização interna sólida — mesmo mantendo ventos relativamente moderados para um tufão.

Câmeras que “veem” no escuro: o VIIRS e os satélites da NASA

A imagem foi capturada às 16h40 UTC do dia 30 de maio — o que equivale a 1h40 da manhã no horário do Japão. No escuro completo da madrugada, como um satélite consegue fotografar uma tempestade com tanto detalhe?

A resposta está em um instrumento chamado VIIRS — abreviação de Visible Infrared Imaging Radiometer Suite. Pense no VIIRS como uma câmera hiper-sensível que não precisa de flash: ele é capaz de capturar a luz refletida pela Lua, pelos raios de cidades e até pelo brilho tênue das estrelas. Mesmo sem a luz do sol, ele consegue revelar o contorno das nuvens, a espiral da tempestade e a estrutura do olho com detalhes impressionantes — como se ligasse uma lanterna invisível no meio da escuridão.

Dois satélites da NASA carregam esse instrumento: o NOAA-20 (também chamado de JPSS-1) e o Suomi NPP. Os dois passaram sobre o Jangmi em noites consecutivas — 30 e 31 de maio de 2026 — dando às equipes científicas uma sequência de imagens para acompanhar a evolução da tempestade quase em tempo real.

Uma tempestade “espalhada”: o que os dados revelaram sobre o Jangmi

Na primeira imagem, de 30 de maio, o Jangmi sustentava ventos de 120 km/h — equivalente a um furacão de Categoria 1 na escala americana chamada Saffir-Simpson. Essa escala vai de 1 a 5, sendo 1 o menos intenso e 5 o mais devastador. Categoria 1 começa em 119 km/h. No dia seguinte, quando o NOAA-20 passou novamente sobre a tempestade, os ventos tinham subido ligeiramente para 130 km/h.

Para ter uma ideia concreta: 130 km/h é mais ou menos a velocidade de um carro em uma rodovia de alta velocidade. Agora imagine esse vento soprando em todas as direções ao mesmo tempo, girando em espiral, por horas seguidas, sobre o oceano. Não é o tufão mais intenso que o Pacífico já viu — mas o problema do Jangmi era outro: o tamanho.

Os braços externos de nuvens e chuva se estendiam por uma área vastíssima, muito além do que o olho central indicaria. Isso significa que regiões muito afastadas do centro também receberam chuvas torrenciais por muitas horas, aumentando o risco de enchentes e deslizamentos de terra.

Okinawa no caminho: a trajetória rumo ao Japão

Quando as imagens foram capturadas, o centro do Tufão Jangmi estava ao sul de Okinawa — uma ilha japonesa famosa por suas praias turísticas e pela base militar americana. Mas os braços externos da tempestade já alcançavam a terra firme, despejando chuva mesmo antes de o olho se aproximar.

As previsões indicavam que o Jangmi passaria perto de Okinawa e então viraria para o nordeste, em direção à região de Amami, por volta dos dias 1 e 2 de junho. Em seguida, tenderia a seguir ao longo da costa do Pacífico japonês — exatamente a região mais populosa do país, que inclui Tóquio e arredores. O alerta era claro: muito volume de água, risco elevado de enchentes e deslizamentos, mesmo sem ventos catastróficos.

Por que monitorar tempestades do espaço pode salvar vidas

As previsões meteorológicas que chegam ao seu celular com dias de antecedência só existem porque temos satélites orbitando a Terra 24 horas por dia. Sem eles, os meteorologistas dependeriam de estações em terra e navios — uma cobertura cheia de lacunas, especialmente sobre o oceano aberto.

No caso de tufões, isso pode ser literalmente a diferença entre vida e morte. Com imagens precisas de satélite, autoridades emitem alertas com antecedência, organizam evacuações e mobilizam equipes de socorro antes que a tempestade chegue. Os dados do VIIRS sobre o Jangmi alimentaram os modelos de previsão que ajudaram o Japão a se preparar para a tempestade, permitindo que as pessoas em risco pudessem agir antes que fosse tarde.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre tufão, furacão e ciclone?
São todos o mesmo tipo de tempestade tropical — ventos giratórios em torno de uma área de baixa pressão, alimentados pelo calor do oceano. O nome muda conforme o oceano: furacão no Atlântico e leste do Pacífico, tufão no Pacífico Ocidental, ciclone no Oceano Índico e no Pacífico Sul.

O que é a escala Saffir-Simpson?
É uma escala de 1 a 5 usada para classificar furacões e tufões pela intensidade dos ventos sustentados. Categoria 1 vai de 119 a 153 km/h; Categoria 5 começa acima de 252 km/h. O Jangmi estava na Categoria 1 quando foi fotografado pelos satélites.

O VIIRS consegue fotografar tempestades em qualquer hora da noite?
Sim. O VIIRS possui um modo especial chamado “Banda Dia/Noite” que detecta luz em condições de baixíssima luminosidade, usando a reflexão da Lua e outras fontes tênues. Isso permite imagens nítidas da estrutura das tempestades mesmo na madrugada.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://science.nasa.gov/earth/earth-observatory/typhoon-jangmi/

Publicar comentário