Soyuz MS-28: astronauta da NASA e 2 cosmonautas voltam à Terra após 241 dias no espaço

Soyuz MS-28: astronauta da NASA e 2 cosmonautas voltam à Terra após 241 dias no espaço

O que você precisa saber

Um astronauta da NASA e dois cosmonautas russos voltaram à Terra na madrugada de domingo, 26 de julho de 2026, depois de 241 dias vivendo na Estação Espacial Internacional (ISS).
A viagem de volta aconteceu dentro da cápsula russa Soyuz MS-28, que se desprendeu da estação e pousou na estepe do Cazaquistão apenas 3 horas e 24 minutos depois.
Antes de partir, a tripulação participou de uma cerimônia de troca de comando, entregando a liderança da ISS para a astronauta da NASA Jessica Meir.

Voltar para casa depois de 241 dias flutuando

Imagine morar num apartamento que voa ao redor do planeta tão rápido que você vê o Sol nascer e se pôr a cada 90 minutos. Agora imagine que, depois de 241 dias morando ali, chega a hora de fazer as malas e voltar para a Terra — só que ‘voltar para casa’ significa se apertar dentro de uma cápsula do tamanho de um carro pequeno e mergulhar de volta na atmosfera a milhares de quilômetros por hora.

Foi exatamente isso que o astronauta da NASA Chris Williams e os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev viveram na madrugada deste domingo. Depois de meses trabalhando, dormindo e fazendo experimentos científicos flutuando dentro da Estação Espacial Internacional (ISS), os três finalmente pousaram em segurança na estepe do Cazaquistão.

A viagem começou em novembro de 2025 — data especial, já que o lançamento aconteceu bem no Dia de Ação de Graças americano. De lá para cá, a tripulação deu a volta na Terra 3.856 vezes e percorreu mais de 102 milhões de milhas, uma distância parecida com ir da Terra até o Sol e ainda sobrar caminho.

Mas como alguém realmente ‘desce’ de uma estação espacial? E por que o trajeto todo até o chão dura só cerca de 3 horas e meia? Vamos entender, passo a passo, essa viagem de volta.

Uma cápsula em forma de sino chamada Soyuz

A nave usada nessa volta se chama Soyuz — um veículo russo que existe, em versões atualizadas, desde os anos 1960. Pense nela como o táxi oficial da ISS: pequena, resistente e desenhada só para uma função, levar pessoas da estação até o chão (ou do chão até a estação) em segurança.

Diferente de um ônibus espacial gigante, a Soyuz é apertada. Os três tripulantes viajam encolhidos, quase abraçados aos joelhos, dentro de uma cápsula de formato parecido com um sino, pouco maior que um carro popular. Essa forma não é acaso: é a mesma lógica de um escudo térmico, desenhada para enfrentar o calor absurdo do atrito com o ar quando a nave volta a entrar na atmosfera.

Na madrugada de domingo, a Soyuz MS-28 se separou da estação às 3h03 (horário de Brasília, aproximadamente), soltando as travas que a prendiam ao módulo Rassvet da ISS. A partir daquele momento, a tripulação estava sozinha, sem chance de voltar — como um paraquedista que já saiu do avião.

A cerimônia de troca de comando: passando o bastão

Antes de qualquer despedida, porém, aconteceu algo parecido com a passagem de bastão numa corrida de revezamento. No sábado, o cosmonauta russo Sergey Kud-Sverchkov, que até então comandava a estação, entregou oficialmente o comando da ISS para a astronauta da NASA Jessica Meir, numa cerimônia formal transmitida ao vivo.

Esse momento marca a virada entre duas ‘temporadas’ da tripulação da estação: a Expedição 74, que estava terminando, e a Expedição 75, que começa oficialmente quando a Soyuz se desprende. É como trocar o capitão de um time no meio da temporada — o jogo (nesse caso, a operação da ISS) nunca para, mas alguém novo assume a responsabilidade de tomar as decisões do dia a dia.

Depois da cerimônia, veio a parte mais difícil emocionalmente: as despedidas. Na noite de sábado, a tripulação que ficava e a que estava de saída se abraçaram e fecharam as escotilhas (as ‘portas’ pressurizadas) entre a ISS e a Soyuz MS-28, separando fisicamente os dois ambientes pela última vez.

Os últimos preparativos: sangue, veias e roupas espaciais

Nos dias anteriores ao pouso, a rotina da tripulação foi dominada por tarefas de bastidor que raramente aparecem nas fotos bonitas do espaço. Os astronautas passaram por coleta de amostras de sangue e exames de veias, parte de pesquisas contínuas sobre como o corpo humano reage a meses de ausência de peso — um pouco como um check-up médico completo antes de qualquer viagem longa, só que repetido ao longo de toda a missão para os cientistas acompanharem a evolução.

Enquanto isso, no chão, a engenharia também trabalhava: um dos astronautas que ficam na estação cuidou da limpeza dos sistemas de resfriamento das roupas espaciais (os trajes usados em caminhadas espaciais) e verificou se todo o equipamento continuava funcionando bem, garantindo que a próxima tripulação tenha roupas prontas para futuras manutenções do lado de fora da estação.

A tripulação que ia embora também precisou arrumar a própria ‘mala’: guardar equipamentos, resultados de experimentos e itens pessoais dentro do espaço limitadíssimo da cápsula Soyuz, que não tem praticamente nenhum lugar sobrando.

O pouso: uma queda controlada de 3 horas e 24 minutos

Depois de se separar da ISS às 3h03 (horário do leste dos EUA), a Soyuz MS-28 levou 3 horas e 24 minutos para completar toda a viagem até o chão, pousando por volta das 6h27 no mesmo fuso. Parece rápido para uma distância de centenas de quilômetros de altura, mas o processo é dividido em etapas muito bem calculadas.

Primeiro, a nave dispara pequenos motores para ‘frear’ e sair da órbita — é como tirar o pé do acelerador de um carro na descida de uma serra, deixando a gravidade da Terra puxar o veículo para baixo aos poucos. Depois vem a parte mais dramática: a entrada na atmosfera, quando o atrito com o ar aquece o exterior da cápsula a milhares de graus, transformando o escudo térmico numa espécie de bola de fogo protetora.

Por fim, a milhares de metros de altura, os paraquedas se abrem — o mesmo princípio de um paraquedista comum, só que numa cápsula muito mais pesada — reduzindo a velocidade drasticamente antes do impacto final no solo gelado da estepe do Cazaquistão, perto da cidade de Djezcazgã.

241 dias de ciência a bordo da estação

Enquanto viviam na ISS, os três astronautas não passaram o tempo à toa. Chris Williams, em sua primeira viagem ao espaço, ajudou em pesquisas sobre câncer, participou da fabricação de materiais usados em componentes eletrônicos (algo praticamente impossível de fazer com a mesma qualidade na Terra, por causa da gravidade) e realizou duas caminhadas espaciais para consertar o braço robótico da estação e atualizar sistemas de energia.

Parte desse trabalho científico também serve como preparação para viagens futuras à Lua e a Marte: pense nisso como testar equipamentos e entender o corpo humano numa ‘viagem de treino’, antes de missões ainda mais longas e distantes, onde não vai existir a opção de voltar em poucas horas como aconteceu agora.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

Por que a tripulação voltou numa Soyuz russa e não numa nave da SpaceX?

A ISS é operada em parceria entre várias agências espaciais, incluindo a NASA e a russa Roscosmos. Cada uma mantém suas próprias naves para transportar astronautas, e missões mistas como essa garantem que sempre haja um jeito de resgatar toda a tripulação, mesmo se uma das naves tiver algum problema técnico.

O que acontece com a Estação Espacial Internacional depois que uma tripulação vai embora?

A estação nunca fica vazia. Assim que a Soyuz MS-28 se desprendeu, a Expedição 75 começou oficialmente, com a astronauta Jessica Meir assumindo o comando dos tripulantes que continuam a bordo, mantendo experimentos e manutenções em andamento sem interrupção.

Por que a viagem de volta é tão mais rápida que a ida?

Na ida, o foguete precisa gastar energia aos poucos para ganhar altitude e velocidade até alcançar a órbita da ISS, um processo que pode levar horas ou até dias dependendo da rota. Na volta, a nave já está lá em cima e só precisa ‘soltar o freio’ e deixar a gravidade da Terra fazer boa parte do trabalho, o que explica por que o trajeto de descida foi concluído em pouco mais de 3 horas.

É perigoso passar tanto tempo no espaço como os 241 dias dessa missão?

Meses em microgravidade afetam músculos, ossos e até a visão dos astronautas, por isso eles fazem exercícios diários e são monitorados de perto com exames como coleta de sangue e exames de veias. Esses dados ajudam cientistas a entender melhor como preparar o corpo humano para missões ainda mais longas, como uma futura viagem a Marte.

Referências

Space.com — NASA astronaut, 2 cosmonauts return to Earth after 241 days on space station
NASA — NASA Astronaut Chris Williams, Crewmates Return from Space Station
NASA — Crew Works on Biomedicine, Spacesuits Day Before Swapping Commanders
NASA — Expedition 74

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