Grande Quadrado de Pégaso: como achar 4 estrelas que apontam o caminho para uma galáxia inteira

Grande Quadrado de Pégaso: como achar 4 estrelas que apontam o caminho para uma galáxia inteira

O que você precisa saber

Na noite de 25 de julho de 2026, o Grande Quadrado de Pégaso sobe pelo horizonte leste por volta das 22h30, marcado por quatro estrelas de brilho parecido.
Só três dessas estrelas pertencem oficialmente à constelação de Pégaso; a quarta, Alpheratz, é tecnicamente de Andrômeda — mas nem sempre foi assim.
As fronteiras das 88 constelações que usamos hoje só foram definidas oficialmente em 1928, pela União Astronômica Internacional.

Imagine se as ruas do seu bairro não tivessem nome nem limite definido

Imagine se as ruas do seu bairro não tivessem nome, e o quintal do vizinho começasse exatamente onde ninguém sabe dizer. Foi mais ou menos assim que o céu funcionou por milhares de anos. Cada cultura desenhava suas próprias linhas entre as estrelas, e o mesmo pedaço do céu podia pertencer a uma figura numa civilização e a outra completamente diferente em outra.

Uma dessas fronteiras incertas envolve quatro estrelas brilhantes que, juntas, formam um quadrado quase perfeito no céu. Ele é grande o bastante para ser reconhecido até por quem nunca estudou astronomia, e serve como um verdadeiro “cruzamento” cósmico: a partir dele, dá para se localizar e encontrar outros objetos famosos, como a galáxia de Andrômeda.

Na noite deste sábado, 25 de julho de 2026, esse quadrado — chamado de Grande Quadrado de Pégaso — sobe pelo horizonte leste por volta das 22h30, horário local. E a história de suas quatro estrelas é um lembrete de que até o céu, que parece tão fixo e eterno, já foi organizado de um jeito diferente do que conhecemos hoje.

A Lua, aliás, está em fase crescente gibosa (89% iluminada) nesta noite, o que deixa o céu um pouco mais claro, mas não o suficiente para esconder um desenho tão grande quanto esse quadrado.

Quatro estrelas, dois “donos” diferentes

O Grande Quadrado de Pégaso é formado por quatro estrelas de brilho parecido: Algenib, Markab, Scheat e Alpheratz. É como quatro postes de luz nos cantos de uma praça — nenhum deles é o mais importante sozinho, mas juntos desenham uma forma fácil de reconhecer.

Aqui está o detalhe curioso: das quatro, só três realmente pertencem à constelação de Pégaso, o cavalo alado da mitologia grega. Algenib, Markab e Scheat são catalogadas oficialmente como Gama, Alfa e Beta de Pégaso — como se fossem “moradores” com endereço confirmado naquele bairro estelar.

A quarta estrela, Alpheratz, é diferente. Ela é catalogada como Alfa de Andrômeda, a constelação vizinha que representa a princesa da mitologia grega, presa a uma rocha e salva pelo herói Perseu. Ou seja: geograficamente ela está dentro do desenho do quadrado, mas administrativamente pertence a outro “bairro” do céu.

Uma estrela que já foi chamada de “ombro do cavalo”

Por que uma estrela de Andrômeda completa o quadrado de Pégaso? A resposta está na história do próprio nome dela. Segundo o falecido especialista em estrelas Jim Kaler, da Universidade de Illinois, Alpheratz carrega um nome antigo que pode ser traduzido como “o ombro do cavalo” — uma pista forte de que, em algum momento do passado, ela era considerada parte do próprio Pégaso, e não de Andrômeda.

É como se um bairro tivesse mudado de nome e de limites ao longo dos séculos, mas uma rua específica ainda carregasse, no nome, a lembrança de a qual bairro ela pertencia antes. As constelações passaram por exatamente esse tipo de mudança repetidas vezes ao longo da história, conforme diferentes culturas e astrônomos redesenhavam o céu à sua maneira.

Quando o céu finalmente ganhou um mapa oficial

Se hoje existe uma resposta única e universal sobre a quem pertence cada estrela, isso é relativamente recente. Foi somente em 1928 que a União Astronômica Internacional (UAI) — a organização mundial responsável por padronizar nomes e definições em astronomia — aprovou um sistema oficial com 88 constelações e fronteiras bem definidas entre elas, traçadas ao longo de linhas imaginárias no céu, parecidas com as linhas de longitude e latitude que usamos em mapas da Terra.

É como se, depois de séculos de mapas desenhados à mão e cheios de disputas de fronteira, alguém finalmente tivesse sentado com uma régua e definido, de uma vez por todas, onde termina cada país do céu. Antes disso, atlas estelares antigos mostravam linhas quase aleatórias separando uma constelação da outra, sem nenhum padrão fixo.

É por isso que Alpheratz, mesmo depois de ajudar a formar visualmente o Grande Quadrado de Pégaso há milênios, acabou oficialmente do lado de Andrômeda no mapa moderno — uma decisão administrativa que veio bem depois de a estrela já fazer parte da cultura popular do céu noturno.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

Que horas dá para ver o Grande Quadrado de Pégaso no céu?
Nesta noite de 25 de julho de 2026, ele sobe pelo horizonte leste por volta das 22h30, horário local. Quanto mais tarde na noite, mais alto ele fica no céu, facilitando a observação.

Preciso de telescópio para ver o Grande Quadrado de Pégaso?
Não. As quatro estrelas que formam o quadrado são brilhantes o suficiente para serem vistas a olho nu, mesmo em céus com um pouco de poluição luminosa, desde que a Lua não esteja muito próxima ou muito cheia.

Por que Alpheratz pertence a Andrômeda e não a Pégaso, se ela completa o quadrado?
Porque as fronteiras oficiais das constelações só foram fixadas em 1928 pela União Astronômica Internacional, e nesse mapeamento final Alpheratz ficou do lado de Andrômeda, mesmo tendo um nome antigo que sugere que já foi considerada parte de Pégaso.

Para que serve o Grande Quadrado de Pégaso na prática?
Além de ser fácil de reconhecer, ele funciona como ponto de referência no céu: a partir dele, observadores conseguem se guiar até outros objetos famosos, como a galáxia de Andrômeda (M31).

Referências

Astronomy.com — The Sky Today on Saturday, July 25: Great Square rising
Astronomy.com — Who made the present-day constellations and why do they look the way they do?
EarthSky — Great Square of Pegasus gallops into the autumn sky

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