Planetas Super-Puff: NASA Descobre Dois Mundos Gigantes com Densidade de Algodão-Doce

Planetas Super-Puff: NASA Descobre Dois Mundos Gigantes com Densidade de Algodão-Doce

O que você precisa saber

A NASA descobriu dois planetas gigantes com densidade comparável à do algodão-doce — os menos densos já encontrados na história da astronomia.
Eles têm o tamanho de Júpiter, mas uma massa minúscula: um deles pesa apenas 3% do que Júpiter pesaria.
Ficam a 1.113 anos-luz da Terra, orbitando uma estrela parecida com o Sol chamada TOI-791.
A descoberta desafia tudo que os cientistas acreditam sobre como planetas gigantes se formam.

Imagine segurar uma bola do tamanho de Júpiter — o maior planeta do nosso Sistema Solar — mas ela pesar menos do que um balão cheio de ar. Parece impossível, não é? Mas é exatamente isso que a NASA acabou de anunciar ao mundo.

O telescópio espacial TESS — que em inglês significa “Satélite Explorador de Exoplanetas por Trânsito” — descobriu dois mundos extraordinários a 1.113 anos-luz da Terra. Batizados de TOI-791 b e TOI-791 c, esses planetas quebraram um recorde impressionante: são os menos densos já encontrados em toda a história da astronomia. Tão leves que os cientistas os comparam à espuma de barbear saindo da latinha.

A descoberta foi publicada na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e envolveu pesquisadores da Universidade de Oxford, da Université Côte d’Azur e da Universidade de Birmingham.

O que é um planeta “super-puff”?

Para entender essa descoberta, primeiro precisamos falar sobre densidade. Pense em dois objetos do mesmo tamanho: uma bola de isopor e uma bola de ferro. A bola de ferro é muito mais pesada para o mesmo volume — ela tem mais material espremido no mesmo espaço, portanto tem densidade maior. A bola de isopor é leve para o mesmo volume — densidade menor.

Agora aplique esse raciocínio aos planetas. Júpiter, o gigante do nosso Sistema Solar, é enorme — mas também bastante massivo, cheio de gás denso e um núcleo sólido no centro. Já os chamados planetas super-puff (em inglês, algo como “planetas super-inchados” ou “super-fofinhos”) são gigantes em volume, mas surpreendentemente leves. É como se alguém tivesse enchido um balão do tamanho de Júpiter com ar ao invés de gás e rocha densos.

Esses mundos são raríssimos. Apenas um punhado é conhecido em todo o universo que conseguimos observar. E nunca antes dois tão extremos tinham sido encontrados orbitando a mesma estrela — até agora.

Conheça os planetas mais “fofinhos” já descobertos

TOI-791 b é quase idêntico em tamanho ao Júpiter, mas contém apenas 3% da massa de Júpiter. Para visualizar: é como se um planeta do porte do maior do Sistema Solar pesasse menos do que 1/30 do esperado. Ele leva 139 dias para completar uma órbita ao redor de sua estrela.

TOI-791 c é ainda maior que Júpiter — maior, mas ainda mais leve. Contém apenas 5,9% da massa joviana. Sua órbita é mais longa: leva 232 dias para dar uma volta completa. Ambos orbitam a estrela TOI-791, parecida com o nosso Sol, na constelação de Volans, o Peixe-Voador.

Quando falamos em 1.113 anos-luz de distância, estamos dizendo que a luz — a coisa mais veloz do universo, viajando a 300 mil quilômetros por segundo — levaria mais de mil anos para chegar lá vinda da Terra.

Representação artística oficial da NASA dos planetas super-puff TOI-791 b e TOI-791 c orbitando sua estrela hospedeira, descobertos pelo telescópio TESS
Ilustração oficial da NASA mostrando os dois planetas super-puff TOI-791 b e TOI-791 c orbitando sua estrela — mundos gigantes em tamanho, mas extraordinariamente leves.

Como o TESS encontrou esses mundos?

O TESS funciona como um vigilante incansável do céu. Ele observa estrelas e registra qualquer variação de brilho, mesmo que mínima. Quando um planeta passa na frente de sua estrela durante a órbita, ele bloqueia uma pequena fração da luz que chega até nós. Esse fenômeno é chamado de trânsito planetário.

Pense assim: imagine que você está olhando para uma lâmpada acesa no escuro e alguém passa uma bolinha de gude na frente dela. Por um instante, a luz diminui levemente. É exatamente esse piscar quase imperceptível que o TESS captura — só que o “piscar” dura horas e acontece a trilhões de quilômetros de distância.

Para confirmar TOI-791 b e TOI-791 c, o telescópio acumulou impressionantes 1.122 dias de observação ao longo de sete anos. Isso foi necessário porque os planetas têm órbitas longas — ficam muito tempo longe da estrela — e cada confirmação exige ver o trânsito acontecer várias vezes.

Para calcular a massa desses mundos sem poder pesá-los diretamente, os cientistas usaram um truque inteligente: analisaram como os dois planetas se atraem gravitacionalmente um ao outro, alterando levemente os horários dos trânsitos. É como perceber que dois carros em uma estrada se influenciam pela variação sutil do tempo de chegada a cada ponto — sem enxergar diretamente a força que age entre eles.

Por que essa descoberta importa?

Jon Jenkins, cientista-chefe do Centro de Pesquisa Ames da NASA, resumiu a surpresa da equipe: “O principal motivo pelo qual esses planetas são interessantes de estudar é que não esperávamos vê-los.”

Planetas super-puff colocam em xeque os modelos de formação planetária — ou seja, as teorias que os cientistas usam para explicar como planetas surgem a partir de nuvens de gás e poeira ao redor de estrelas jovens. Afinal, como um mundo tão vasto pode ser tão leve? Algumas hipóteses incluem atmosferas que foram infladas por radiação intensa da estrela ao longo de bilhões de anos, ou processos de formação completamente diferentes dos que conhecemos no nosso Sistema Solar.

George Dransfield, da Universidade de Oxford, destacou: “Suas densidades extremamente baixas os tornam alvos fascinantes para entender como sistemas planetários se formam e evoluem.”

O próximo passo será estudar a composição das atmosferas desses planetas — provavelmente com o Telescópio Espacial James Webb — para descobrir o que os constitui e por que são tão extraordinariamente “fofinhos”.

Perguntas frequentes

O que é o telescópio TESS?
O TESS é um telescópio espacial da NASA lançado em 2018. Sua missão é descobrir exoplanetas — planetas fora do Sistema Solar — observando estrelas brilhantes próximas. Ele detecta planetas pela pequena queda de brilho de uma estrela quando um planeta passa na sua frente.

É possível haver vida em planetas super-puff?
É muito improvável. Planetas super-puff são mundos predominantemente gasosos, sem superfície sólida, com atmosferas extremamente difusas. As condições para a vida como a conhecemos não existem nesses ambientes.

Já haviam sido encontrados outros planetas super-puff antes?
Sim, mas são extremamente raros. Apenas um pequeno número é conhecido em todo o universo observável. O que torna TOI-791 b e TOI-791 c únicos é que são os mais extremos já registrados e estão juntos no mesmo sistema planetário — algo nunca visto antes.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://science.nasa.gov/missions/tess/nasas-tess-mission-reveals-the-puffiest-planets-ever-found/

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