Ocultação de Vênus de Dia: o Que Ver no Céu de 12 a 19 de Junho de 2026
O que você precisa saber
• No dia 17 de junho, a Lua vai esconder Vênus à luz do sol — um evento raríssimo chamado ocultação diurna
• Mercúrio, Vênus e Júpiter formam um trio brilhante no horizonte oeste logo após o pôr do sol
• A Lua Nova em 14 de junho deixa o céu completamente escuro: o momento ideal para caçar nebulosas e asteroides
• ATENÇÃO: nunca aponte telescópio ou binóculos em direção ao Sol ao tentar observar Vênus de dia
Imagine que você está olhando para o céu durante o dia, com o Sol bem alto, e de repente percebe que a Lua — que às vezes aparece de dia — começa a esconder um ponto brilhante. Esse ponto é Vênus, o planeta mais brilhante do sistema solar. Isso é uma ocultação diurna, e vai acontecer no dia 17 de junho de 2026.
A semana de 12 a 19 de junho traz um dos eventos mais incomuns do ano para os amantes do céu. Além da ocultação, o trio Mercúrio, Vênus e Júpiter ainda ilumina o horizonte oeste ao anoitecer, a Lua Nova de 14 de junho libera o céu escuro para observações profundas, e as nebulosas do Triângulo de Verão esperam por quem tem um telescópio.
O que é uma ocultação? Entenda com uma analogia simples
Pense no céu como uma grande avenida onde vários veículos trafegam em faixas diferentes. De vez em quando, um veículo que está na faixa da frente passa na frente de um que está atrás, e aquele veículo de trás “desaparece” da sua visão por alguns instantes. Isso é exatamente o que acontece numa ocultação astronômica: um corpo celeste mais próximo de nós passa na frente de outro mais distante, escondendo-o temporariamente.
No caso desta semana, a Lua é o “veículo da frente” e Vênus é o “veículo de trás”. Como a Lua está cerca de 400 vezes mais perto da Terra do que Vênus, ela parece grande o suficiente no céu para tapar o planeta completamente — mesmo que Vênus seja muito maior na realidade.

Por que isso acontece de dia?
Aqui está o que torna este evento especial: a ocultação vai acontecer durante o dia, com o Sol ainda no céu.
Vênus atualmente está próximo do Sol na nossa perspectiva — como um colega de trabalho que anda sempre do lado do chefe. Por causa dessa posição, Vênus só aparece no céu quando o Sol está por perto, seja de manhã cedo ou à tarde. Quando a Lua passa pela frente de Vênus nessas condições, o evento ocorre à luz do dia.
Isso torna a observação desafiadora, mas não impossível. Quem tiver um telescópio e souber exatamente onde apontar pode acompanhar o momento em que Vênus reaparece. Atenção fundamental: ao tentar observar, NUNCA aponte seus equipamentos ópticos na direção do Sol. Você pode perder a visão permanentemente em segundos.
O detalhe que torna este evento único
Numa ocultação noturna comum, vemos um planeta desaparecer pelo lado escuro da Lua e reaparecer pelo lado iluminado. Nesta semana, é o contrário.
Pense em quem tenta ver uma vela surgir do lado mais claro de uma folha de papel branca iluminada, em vez de surgir do lado escuro — é muito mais difícil enxergar. Pois é isso que vai acontecer: como a Lua está logo após a fase nova, seu lado iluminado está voltado para o Sol. É exatamente por esse lado brilhante que Vênus vai reaparecer. O brilho da Lua pode ofuscar o planeta no exato momento em que ele surge, tornando esta observação um desafio extra para os mais experientes.
Vênus, Júpiter e Mercúrio no céu do entardecer
Além da ocultação, o início da semana ainda pega o final de um espetáculo que começou em junho: o trio Mercúrio, Vênus e Júpiter reunido no horizonte oeste logo após o pôr do sol.
Vênus é o mais brilhante de todos — quase como uma lâmpada acesa no céu. Júpiter fica em segundo lugar em brilho. Nos dias 11 a 15, Mercúrio juntou-se ao duo mais baixo no horizonte, formando uma miniparada de planetas. E a Lua, ainda fina como uma lasca nos dias seguintes ao dia 14, vai aparecer por perto para completar o quadro.
Procure o horizonte oeste cerca de 30 a 45 minutos depois que o Sol se pôr. Ao contrário das estrelas — que tremem levemente por causa da atmosfera —, os planetas brilham de forma mais estável, como lâmpadas fixas no céu.
Lua Nova e o céu escuro para objetos distantes
A Lua Nova acontece em 14 de junho. Isso significa que ela está alinhada com o Sol e não reflete luz à noite — o céu fica completamente escuro.
Para os astrônomos, a Lua Nova é como apagar as luzes de um quarto para ver melhor: de repente, estrelas fracas aparecem e objetos distantes do universo ficam visíveis com telescópios. É o momento ideal para buscar nebulosas — nuvens de gás e poeira espalhadas pelo espaço, que brilham com luz própria ou refletem a luz de estrelas próximas.
O Triângulo de Verão e suas nebulosas
O Triângulo de Verão é formado por três estrelas muito brilhantes: Vega, Altair e Deneb. Juntas, elas formam um triângulo imenso no céu que domina as noites de verão. Com o céu escuro desta semana, é a oportunidade perfeita para explorar o que está dentro e ao redor desse triângulo:
Nebulosa do Anel (M57): Fica na constelação de Lyra, perto de Vega. Pelo telescópio, parece um pequeno anelzinho de fumaça branca flutuando no espaço. Na realidade, é a casca de gás que uma estrela expeliu ao morrer — imagine uma estrela tirando seu casaco e jogando-o para longe ao se “apagar”. Essa casca de gás que continua expandindo é a nebulosa que vemos hoje.
Nebulosa Dumbbell (M27): Na constelação de Vulpecula, tem o formato de um halter de academia, com dois “bolinhos” de gás conectados. É a nebulosa planetária mais brilhante do céu e ótima para telescópios pequenos.
Nebulosa América do Norte: Na constelação de Cygnus, perto de Deneb. Quem fotografar a região vai notar que o contorno da nebulosa lembra o mapa da América do Norte. É enorme, mas muito tênue para ver a olho nu — precisa de câmera e exposição longa.

E os asteroides?
A semana também é favorável para observar asteroides com telescópio. Asteroides são “pedaços sobressalentes” da formação do sistema solar — quando os planetas estavam sendo construídos há 4,5 bilhões de anos, algumas rochas ficaram sem dono e continuaram circulando ao redor do Sol. Com o céu escuro da Lua Nova, é possível rastreá-los como pontinhos que se movem lentamente entre as estrelas ao longo de horas de observação.
Perguntas frequentes
O que é uma ocultação diurna de Vênus?
É quando a Lua passa na frente de Vênus durante o dia, escondendo e depois revelando o planeta à luz do Sol. É um evento raro porque Vênus e a Lua precisam se alinhar enquanto ambos estão no lado diurno do céu. No dia 17 de junho, o evento é visível em partes do Brasil, EUA e Canadá.
Posso ver a ocultação de Vênus a olho nu?
Não com facilidade. Vênus é muito brilhante, mas encontrá-lo de dia sem referência é difícil. Um telescópio apontado para a Lua — com cuidado total para não acertar o Sol — é o melhor caminho. Aplicativos de astronomia ajudam a localizar Vênus no céu diurno com segurança.
Por que a Lua Nova é boa para observar o céu?
Porque a Lua não ilumina o céu noturno nessa fase. Com o céu completamente escuro, estrelas fracas e objetos distantes como nebulosas e galáxias ficam muito mais fáceis de ver com telescópio.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://science.nasa.gov/solar-system/whats-up-june-2026-skywatching-tips-from-nasa/
https://esahubble.org/images/heic1310a/




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