Chuva de meteoros: 6 shows além das Perseidas para ver em julho e agosto de 2026

Chuva de meteoros: 6 shows além das Perseidas para ver em julho e agosto de 2026

O que você precisa saber

Entre julho e agosto de 2026, pelo menos sete chuvas de meteoros cruzam o céu — as Perseidas não estão sozinhas.
As Delta Aquarídeas do Sul e as Alfa Capricornídeas têm pico em 30 e 31 de julho, mas a Lua quase cheia (98%) vai atrapalhar bastante a visão.
As Perseidas, o grande espetáculo do ano, chegam ao auge em 12 e 13 de agosto de 2026 sob um céu com Lua nova — condição perfeita para observar.
As raras Kappa Cygnídeas podem soltar bolas de fogo brilhantes e lentas, mesmo produzindo só um punhado de meteoros por hora.

Imagine que você está deitado numa rede no quintal, numa noite quente de julho, esperando ver uma “estrela cadente” cruzar o céu. Você provavelmente já ouviu falar das Perseidas, a chuva de meteoros mais famosa do ano — mas o que poucas pessoas sabem é que, semanas antes dela brilhar forte, o céu já está recebendo outros visitantes.

De meados de julho até o fim de agosto, a Terra atravessa vários “rios invisíveis” de poeira deixados por cometas e asteroides antigos. Toda vez que o planeta cruza um desses rastros, pedacinhos de rocha e gelo — a maioria do tamanho de um grão de areia — colidem com a atmosfera e se desintegram em rasgos de luz. É esse choque que chamamos de meteoro, ou, popularmente, de “estrela cadente”.

Neste ano, seis chuvas menores acontecem antes ou junto das Perseidas: as Capricornídeas, as Alfa Capricornídeas, as Delta Aquarídeas do Sul, as Piscis Austrinídeas, as Iota Aquarídeas e as Kappa Cygnídeas. Nenhuma delas chega perto do brilho das Perseidas, mas juntas formam um mosaico de cores, velocidades e trajetórias que vale a pena conhecer — principalmente se você gosta de observar o céu com calma, sem pressa.

De onde vêm essas chuvas de meteoros

Toda chuva de meteoros tem uma “mãe”: um cometa ou asteroide que, ao passar perto do Sol, foi soltando poeira e pedrinhas pelo caminho, como um caminhão de areia com a caçamba furada. Com o tempo, esses fragmentos formam uma trilha inteira ao redor do Sol. Quando a órbita da Terra cruza essa trilha, todos os anos, na mesma época, esbarramos nos mesmos destroços — e é aí que a chuva de meteoros acontece de novo.

A velocidade com que os grãos entram na atmosfera pode passar de 200 mil km/h, e é isso que define o brilho de cada meteoro. É como riscar um fósforo rapidamente contra a caixa: quanto mais forte e mais rápido o atrito, mais forte é a faísca. Aqui, o “atrito” é o choque do grão de poeira com o ar, a uns 100 km de altura.

Capricornídeas e Alfa Capricornídeas: poucas, mas com estilo

As primeiras a aparecer são as Capricornídeas, ativas desde por volta de 10 de julho, com pico em 25 de julho e fim em 15 de agosto. Elas produzem só um punhado de meteoros brilhantes por hora — tão poucos que, sem prestar atenção, é fácil nem perceber que a chuva está no ar.

Já as Alfa Capricornídeas, uma prima próxima, vêm de restos deixados pelo cometa 169P/NEAT e ficam ativas de 3 de julho a 15 de agosto, com um pico “em platô” — espalhado por vários dias — centrado em 30 e 31 de julho de 2026. A taxa é baixa, cerca de 5 meteoros por hora sob céu perfeito, mas essa chuva é famosa por produzir bólidos: meteoros extremamente brilhantes que cruzam o céu bem devagar. É como comparar um show de fogos discreto, com poucos rojões, mas cada um espetacular, a um grande festival cheio de fogos pequenos.

Delta Aquarídeas do Sul, Piscis Austrinídeas e Iota Aquarídeas

No mesmo fim de semana de 30 e 31 de julho de 2026, a Terra também atravessa o rastro das Delta Aquarídeas do Sul, ligadas ao cometa 96P/Machholz. Essa é a mais generosa das chuvas menores, com até 25 meteoros por hora sob céu escuro, com radiante na constelação de Aquário.

Só que 2026 vai complicar as coisas: a Lua estará 98% cheia bem no pico dessas duas chuvas, inundando o céu de luz e apagando os meteoros mais fracos — como tentar enxergar uma vela acesa dentro de um estádio com todos os holofotes ligados.

Duas outras chuvas discretas reforçam o time nessa mesma janela: as Piscis Austrinídeas, com pico em 29 de julho, cerca de 5 meteoros por hora e radiante perto da estrela Fomalhaut; e as Iota Aquarídeas, divididas em um ramo sul (pico em 6 de agosto) e um ramo norte (pico em 25 de agosto). Nenhuma delas é um espetáculo por si só, mas ajudam a manter o céu “vivo” nas semanas que antecedem as Perseidas.

Kappa Cygnídeas: a chuva-mistério que solta bolas de fogo

Ativas de 3 a 28 de agosto, com pico esperado por volta de 17 de agosto de 2026, as Kappa Cygnídeas são um quebra-cabeça para os astrônomos. Ninguém tem certeza de qual cometa ou asteroide deixou esse rastro de poeira — o principal suspeito é o asteroide 2008 ED69, mas isso ainda não foi confirmado.

O radiante dessa chuva é enorme e espalhado, cobrindo cerca de 10 graus do céu entre as constelações do Cisne, do Dragão e da Lira — como se a fonte dos meteoros fosse um chuveiro com vários crivos, em vez de um só cano. A taxa é baixa, uns 3 meteoros por hora, mas de tempos em tempos — possivelmente a cada 6 ou 7 anos — essa chuva surpreende com bólidos brilhantes e lentos, o tipo de meteoro que faz você levantar da cadeira de jardim.

Perseidas: o grande espetáculo de agosto

E então chega o prato principal. As Perseidas ficam ativas de 17 de julho a 24 de agosto, mas o verdadeiro show acontece na noite de 12 para 13 de agosto de 2026, quando a taxa pode chegar a 100 meteoros por hora sob céu bem escuro. Elas nascem dos destroços do cometa 109P/Swift-Tuttle, um bloco de gelo e rocha que leva 133 anos para dar uma volta ao redor do Sol.

A boa notícia para 2026 é que o pico das Perseidas coincide com a Lua nova — ou seja, nenhuma luz extra atrapalhando a festa. É como se, depois de semanas de chuvas fracas e ofuscadas pela Lua cheia, o céu finalmente abrisse um palco todo iluminado só para o show principal.

Meteoro da chuva das Perseidas cruzando o céu ao lado da aurora boreal e do arco SAR durante o pico de 2024
Um meteoro da chuva de meteoros Perseidas risca o céu ao lado da aurora boreal e do raro arco SAR — fenômenos que colorem a noite, mas não têm nenhuma relação com as estrelas cadentes.

Onde olhar e como aproveitar melhor o show

Você não precisa de telescópio nem binóculo para ver meteoros — na real, eles atrapalham, porque reduzem seu campo de visão. O ideal é um lugar bem escuro, longe das luzes da cidade, com o maior pedaço de céu aberto possível. Deite-se de costas num tapete ou espreguiçadeira, olhe para um ponto a uns 45-60 graus de altura, longe do radiante da chuva, porque perto dele os rastros costumam ser mais curtos.

Dê pelo menos 20 a 30 minutos para seus olhos se acostumarem com o escuro, evite checar o celular — a luz da tela “reseta” a adaptação da visão — e tenha paciência: mesmo nas melhores chuvas, os meteoros aparecem aos poucos, não em uma saraivada contínua.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

Vale a pena tentar ver essas chuvas de meteoros menores, mesmo com poucas por hora?
Vale, principalmente se você já vai estar ao ar livre numa noite de céu limpo. Não espere um show de fogos de artifício — são poucos meteoros, às vezes só uma dúzia numa noite inteira — mas cada estrela cadente avistada é um pedacinho de cometa ou asteroide se desintegrando bem acima da sua cabeça, e isso já vale a espera.

Por que a Lua atrapalha tanto a observação de meteoros?
Porque a luz da Lua clareia o céu inteiro, do mesmo jeito que um poste de luz apaga as estrelas mais fracas perto dele. Os meteoros mais tênues simplesmente somem nesse brilho, e só os mais brilhantes, os bólidos, continuam visíveis.

Qual é a diferença entre uma chuva de meteoros e um meteoro isolado, ou esporádico?
Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra cruza uma trilha específica de poeira deixada por um cometa ou asteroide, e por isso os meteoros parecem vir todos de um mesmo ponto do céu, o radiante. Um meteoro esporádico é um visitante avulso, que não pertence a nenhuma trilha conhecida e pode aparecer de qualquer direção, em qualquer noite do ano.

Preciso de equipamento especial para ver essas chuvas de meteoros?
Não. Os olhos nus são a melhor ferramenta, porque telescópios e binóculos reduzem demais o campo de visão. O que realmente faz diferença é escolher um lugar escuro, longe da poluição luminosa das cidades, e dar tempo para a visão se adaptar à noite.

Referências

Space.com — Beyond the Perseids: 6 meteor showers worth watching this summer
American Meteor Society — Calendário de chuvas de meteoros 2026-2027
NASA Science — Southern Delta Aquariids Meteor Shower
NASA Science — Perseids Meteor Shower
Star Walk — Kappa Cygnids: Cygnus Meteor Shower
In-The-Sky.org — Piscis Austrinid meteor shower 2026

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