Céu de Junho de 2026 no Hemisfério Sul: Vênus, Júpiter e Mercúrio se Encontram no Entardecer

Céu de Junho de 2026 no Hemisfério Sul: Vênus, Júpiter e Mercúrio se Encontram no Entardecer

O que você precisa saber

Vênus, Júpiter e Mercúrio aparecem juntos no céu do entardecer — visíveis a olho nu no horizonte noroeste logo após o pôr do sol.
No dia 9 de junho, Vênus e Júpiter ficam tão próximos que cabem no mesmo campo de visão de um binóculo; de 11 a 15, Mercúrio se junta à dupla.
No dia 17, a Lua “engole” Vênus ao vivo: o planeta desaparece atrás do disco lunar por alguns minutos em um fenômeno chamado ocultação.
Saturno sobe depois da meia-noite e Marte aparece antes do amanhecer — há planetas visíveis em qualquer hora da noite de junho.

Junho de 2026 chega com presentes raros para quem vive abaixo do equador. Enquanto o hemisfério norte celebra o verão, nós do sul nos preparamos para as longas noites do inverno — e são exatamente essas noites mais longas que nos dão mais tempo para admirar o espetáculo que o céu preparou para este mês.

Três planetas se reúnem no entardecer, a Lua faz um truque de mágica com Vênus, Saturno sobe no meio da madrugada e Marte pinta o horizonte de laranja antes do amanhecer. Se você nunca tinha prestado atenção no céu, junho de 2026 é o mês perfeito para começar.

O Trio do Entardecer: Vênus, Júpiter e Mercúrio

Imagine que você está assistindo a um show ao vivo. O palco é o horizonte noroeste, logo após o pôr do sol, e os artistas são três dos planetas mais brilhantes do Sistema Solar.

Vênus é a estrela do espetáculo. Pense nele como a lanterna mais potente da natureza: depois do Sol e da Lua, é o objeto mais brilhante do céu. Sua cor branca e intensa é impossível de confundir com uma estrela comum.

Ao lado de Vênus, Júpiter aparece como seu companheiro fiel. Júpiter é tão gigantesco que cabem mais de 1.300 Terras dentro dele — para ter uma ideia, se Júpiter fosse uma bola de futebol, a Terra seria uma ervilha. Mesmo assim, daqui do nosso planeta ele parece apenas um ponto luminoso estável, sem piscar.

No dia 9 de junho, Vênus e Júpiter chegam ao ponto de máxima aproximação. Na realidade, eles estão separados por centenas de milhões de quilômetros, mas do nosso ponto de vista aqui na Terra parecem quase se tocar no céu. Esse fenômeno tem um nome: conjunção planetária. É como quando dois aviões parecem estar lado a lado no aeroporto porque você está olhando de longe — eles não estão perto, mas parecem estar.

Mapa do céu da NASA mostrando Vênus e Júpiter em conjunção no horizonte oeste em 9 de junho de 2026
Mapa oficial da NASA indicando a posição exata de Vênus e Júpiter no céu do entardecer em 9 de junho de 2026 — os dois planetas ficam tão próximos que cabem no mesmo campo de visão de um binóculo.

Entre os dias 11 e 15 de junho, Mercúrio entra em cena. Por ser o planeta mais próximo do Sol, ele só aparece brevemente no céu do entardecer ou do amanhecer — nunca bem no meio da noite. Pense nele como um tímido: ele fica perto do Sol a vida toda e só aparece quando o Sol se afasta um pouco, logo antes ou depois do pôr do sol. Procure-o mais baixo no horizonte, abaixo de Vênus e Júpiter, como o último músico a entrar no palco.

Para encontrar o trio: logo após o pôr do sol, vire-se para o noroeste. Vênus é o mais brilhante e fácil de achar. Júpiter fica próximo dele. Mercúrio estará mais perto do horizonte, então é fundamental ter uma visão desobstruída — sem prédios ou morros no caminho.

O Sumiço de Vênus: A Grande Ocultação do Dia 17

No dia 17 de junho, a Lua faz um truque que parece mágica: ela passa na frente de Vênus e o planeta simplesmente desaparece. Alguns minutos depois, Vênus reaparece do outro lado da Lua.

Esse fenômeno chama-se ocultação lunar. A palavra “ocultação” vem do latim e significa “esconder” — e é exatamente isso que acontece. Pense assim: imagine que você está olhando para um amigo do outro lado da rua e um ônibus passa entre vocês. Por alguns segundos o ônibus bloqueia a visão do seu amigo e, quando ele passa, o amigo reaparece. É exatamente isso — só que a Lua faz o papel do ônibus e Vênus faz o papel do amigo.

Esse evento é visível a olho nu, mas com um binóculo a experiência é muito mais dramática: você consegue ver com clareza o momento exato em que a borda da Lua cobre Vênus e o instante em que ele reaparece do outro lado. Partes do Brasil estão na zona de visibilidade — vale a pena conferir se a sua cidade está incluída.

Saturno — O Senhor dos Anéis na Madrugada

Se você curte as madrugadas, Saturno é o seu planeta em junho. Ele nasce no horizonte após a meia-noite e permanece visível até o amanhecer.

Saturno é famoso por seus anéis — estruturas feitas de partículas de gelo e rocha que se estendem por centenas de milhares de quilômetros ao redor do planeta. Para ter uma noção de escala: se Saturno fosse uma bola de basquete, seus anéis se estenderiam por mais de três metros ao redor dela. Mas a parte mais surpreendente é esta: você consegue ver esses anéis com qualquer telescópio simples de jardim. Quando você coloca o olho no ocular pela primeira vez e os vê, a reação mais comum é de incredulidade total — parece uma foto colada no telescópio de tão perfeito que é.

Saturno e seus anéis fotografados em alta resolução pela sonda Cassini da NASA antes de mergulhar no planeta
O retrato final de Saturno feito pela sonda Cassini — os mesmos anéis impressionantes que qualquer telescópio simples pode revelar nas madrugadas de junho de 2026.

A olho nu, Saturno aparece como um ponto amarelado-dourado que não pisca. Diferentemente das estrelas, que cintilam porque a luz delas atravessa a atmosfera como uma agulha finíssima, a luz de Saturno chega de um disco ligeiramente maior e fica mais estável. Se você ver um ponto dourado que não pisca na região leste-nordeste depois da meia-noite, é Saturno chamando.

Marte — A Chama Vermelha do Amanhecer

Para os madrugadores e para quem acorda cedo, Marte é o brinde do mês. Ele aparece antes do nascer do sol, no horizonte leste, com sua inconfundível cor avermelhada.

Essa cor laranja-ferrugem existe porque Marte é coberto por óxido de ferro — o mesmo composto químico que deixa pregos e portões velhos com aquele tom alaranjado. Pense assim: é como se toda a superfície do planeta fosse uma folha de metal abandonada na chuva por bilhões de anos — a ferrugem tomou conta de tudo. No céu, essa tonalidade o distingue imediatamente de qualquer estrela branca ou amarela ao redor. Se você ver um ponto notavelmente mais laranja que os outros antes do amanhecer, é Marte.

O Solstício de Inverno: A Noite Mais Longa do Ano

No dia 21 de junho, o hemisfério sul vive o solstício de inverno — a noite mais longa do ano. Enquanto no hemisfério norte é o pico do verão, aqui embaixo temos o privilégio de ter mais horas de escuridão para observar o céu.

A palavra “solstício” vem do latim sol (sol) + sistere (parar) — é o momento em que o Sol parece “parar” no horizonte e inverter sua direção. Na prática, é o ponto do ano em que o eixo inclinado da Terra faz com que o hemisfério sul esteja o mais longe possível do Sol, resultando na noite mais longa e no dia mais curto do ano.

Para os astrônomos amadores, isso é quase um feriado não oficial: mais horas de escuridão significam mais tempo para observar planetas, estrelas e aglomerados antes que o Sol apareça e encerre a sessão. Aproveite cada minuto extra de noite que junho oferece.

Como Observar: Dicas Práticas para Junho

Você não precisa de nenhum equipamento para começar. Mas aqui vão algumas dicas para cada evento:

Para o trio de planetas (Vênus, Júpiter, Mercúrio): observe na primeira hora após o pôr do sol. Quanto mais longe das luzes da cidade, melhor — mas mesmo em áreas urbanas Vênus e Júpiter são perfeitamente visíveis. Um binóculo comum já permite ver os dois no mesmo campo de visão em 9 de junho.

Para Saturno e seus anéis: qualquer telescópio, mesmo os modelos mais simples vendidos em lojas, já revela os anéis com clareza surpreendente. Com um binóculo 10×50, você pode notar que Saturno tem uma forma levemente elíptica — são os anéis fazendo a diferença!

Para Marte: acorde uma hora antes do nascer do sol e olhe para o leste. A cor avermelhada é o seu guia mais confiável — não tem como confundir.

Perguntas frequentes

Preciso de telescópio para ver esses planetas?
Não! Vênus, Júpiter, Saturno e Marte são todos visíveis a olho nu. Mercúrio também é, mas exige um horizonte livre de obstruções. Um binóculo melhora muito a experiência, especialmente para Saturno.

Por que os planetas não piscam como as estrelas?
Planetas aparecem como pequenos discos (mesmo que minúsculos) do nosso ponto de vista, e isso estabiliza a luz. Estrelas são pontos tão distantes que qualquer turbulência na atmosfera faz sua luz tremer — é o que chamamos de cintilação. Na prática: se não pisca, é quase certamente um planeta.

O solstício de junho é de verão ou de inverno no Brasil?
No Brasil e em todo o hemisfério sul, o solstício de junho é o de inverno — a noite mais longa do ano. O verão começa em dezembro, quando os papéis se invertem completamente.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://science.nasa.gov/solar-system/whats-up-june-2026-skywatching-tips-from-nasa/
https://apod.nasa.gov/apod/ap260601.html
https://apod.nasa.gov/apod/ap260224.html

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