SpaceX lança 24 satélites Starlink em voo deslumbrante do Falcon 9 ao pôr do sol
O que você precisa saber
• A SpaceX lançou 24 satélites Starlink na noite de 19 de maio de 2026, da Base de Vandenberg, na Califórnia, com um pôr do sol espetacular ao fundo.
• O foguete Falcon 9 decolou às 22h46 no horário do leste americano e o propulsor pousou com sucesso numa plataforma oceânica no Pacífico.
• O evento gerou imagens e vídeos virais de uma língua de fogo dourada cortando o céu alaranjado do entardecer.
• Com mais 24 satélites adicionados, a rede Starlink continua a expansão que já ultrapassa 7.000 unidades em órbita, levando internet rápida a lugares remotos do planeta.
Havia algo quase cinematográfico no céu da Califórnia na noite de terça-feira, 19 de maio de 2026. Um foguete Falcon 9 da SpaceX rasgou o horizonte dourado do entardecer carregando 24 satélites Starlink rumo ao espaço. A decolagem aconteceu às 22h46 no horário do leste americano — o equivalente a 23h46 no horário de Brasília — saindo da Base da Força Espacial de Vandenberg, uma instalação militar na costa californiana a cerca de 250 km ao norte de Los Angeles.
O feixe de fogo laranja cortando o céu em pleno pôr do sol virou viral nas redes sociais em minutos. Muita gente que não sabia do lançamento pensou estar diante de um meteoro ou de algo inexplicável. Mas por trás da beleza, existe uma operação tecnológica precisa e repetida com frequência crescente pela SpaceX. O que são esses satélites Starlink? Por que são lançados em grupos grandes? E o que acontece com o foguete depois que os satélites são soltos?
Vamos responder tudo isso de forma simples, como se você nunca tivesse ouvido falar de espaço antes.
O que é o Starlink e para que serve?
O Starlink é um projeto da SpaceX — empresa do bilionário Elon Musk — com um objetivo concreto: levar internet de alta velocidade a qualquer ponto do planeta, incluindo regiões remotas onde cabos subterrâneos e torres de celular simplesmente não chegam. Imagine morar numa fazenda no interior do Pará, a horas de qualquer cidade. Com o Starlink, você consegue acessar a internet como se estivesse numa capital com fibra ótica.
Para isso, a SpaceX coloca centenas de pequenos satélites em órbita baixa ao redor da Terra. Pense nessa faixa como uma estrada a cerca de 500 a 600 km de altitude. Para comparar: outros satélites de internet ficam a 35.000 km de distância — é como a diferença entre ter o entregador morando no seu bairro ou do outro lado do país. Essa proximidade reduz drasticamente a latência da conexão. Latência é o tempo de resposta da internet: quanto menor, mais fluida é a experiência online — como a diferença entre uma conversa cara a cara e uma ligação com eco de dois segundos.
A rede Starlink já conta com mais de 7.000 satélites em órbita, e a SpaceX continua lançando regularmente para ampliar a cobertura e melhorar a velocidade do serviço para os usuários ao redor do mundo.
O Falcon 9: o foguete que volta para casa
O Falcon 9 é o principal foguete da SpaceX. O “9” no nome vem dos nove motores Merlin instalados no primeiro estágio — a parte maior e mais cara da estrutura, responsável por fornecer o empuxo inicial para vencer a gravidade. Mas o que torna este foguete verdadeiramente revolucionário vai além dos motores: o primeiro estágio retorna e pousa sozinho após cada missão.
Pense assim: é como arremessar um dardo para o alto e ele voltar para a sua mão. Parece impossível, mas a SpaceX dominou essa tecnologia com controle preciso dos motores durante a descida controlada. Neste lançamento, o propulsor identificado como B1103 pousou com sucesso na plataforma flutuante chamada Of Course I Still Love You (OCISLY) — um navio-drone sem tripulação posicionado no meio do Oceano Pacífico, esperando o foguete retornar.
Essa reutilização transforma completamente o custo do acesso ao espaço. Um foguete descartável seria como jogar um avião fora após cada voo. Com o Falcon 9, o mesmo propulsor pode voar dezenas de vezes, reduzindo dramaticamente o preço de cada lançamento e tornando possível a frequência altíssima de missões que vemos hoje.
Por que lançar da Califórnia?
Você pode se perguntar: por que Vandenberg, na Califórnia? A resposta está na geometria das órbitas. Vandenberg fica na costa oeste dos EUA e permite lançamentos em direção ao sul — isso coloca os satélites em órbitas polares, que passam por cima dos Polos Norte e Sul da Terra.
Pense no planeta como uma laranja. Um satélite em órbita polar percorre a laranja de cima a baixo, enquanto a Terra gira embaixo dele. Com o tempo, ele acaba cobrindo toda a superfície terrestre — ideal para uma rede de internet global que não deixe nenhuma região de fora. Já os lançamentos do Cabo Canaveral, na Flórida, costumam usar órbitas equatoriais, que ficam ao redor da “cintura” da laranja e cobrem uma faixa mais estreita. Para satélites de cobertura global como o Starlink, a órbita polar é a escolha estratégica.
O espetáculo do entardecer californiano
O que tornou este lançamento visualmente memorável foi o horário perfeito. Com a decolagem acontecendo logo após o pôr do sol no horário da Califórnia, o Falcon 9 encontrou condições ideais para criar um fenômeno óptico deslumbrante. Quando o foguete sobe além das camadas mais baixas da atmosfera, a pluma de exaustão — a nuvem de gases quentes que sai pelos motores, como a fumaça do escapamento de um carro amplificada por milhões — é banhada pela luz solar que ainda ilumina as altitudes mais elevadas.
No solo, ao nível do mar, já está escuro. Mas a 80 ou 100 km de altitude, o sol ainda brilha com intensidade. O resultado visto do chão é extraordinário: o foguete parece arrastar uma língua de fogo dourada ou rosada pelo céu já escurecido, como se riscasse o entardecer com tinta luminosa. Imagens e vídeos capturados por moradores e entusiastas ao longo da costa californiana mostraram o Falcon 9 ascendendo contra um fundo alaranjado e violeta, criando uma das cenas mais impressionantes já registradas em uma missão de satélites comerciais.
O que acontece depois que os satélites são soltos?
Após a separação do primeiro estágio — que já estava a caminho do pouso no Pacífico —, o segundo estágio do Falcon 9 continuou subindo com os 24 satélites Starlink a bordo. Ao atingir a altitude operacional, os satélites foram liberados em sequência, se espalhando no espaço como um baralho de cartas lançado sobre uma mesa.
A partir daí, cada satélite usa pequenos propulsores a íon para ajustar sua posição na órbita. Propulsores a íon funcionam expulsando partículas carregadas eletricamente — imagine um ventilador que sopra um vento finíssimo, quase imperceptível, mas que no vácuo absoluto do espaço é suficiente para mover um satélite ao longo de dias ou semanas com consumo mínimo de energia. São os motores favoritos de satélites modernos pela eficiência incomparável.
Depois de posicionados com precisão, os satélites Starlink entram em operação, retransmitindo dados dos usuários de um para outro como numa corrente de passagem, até chegar às estações em solo que conectam tudo à internet global.
Perguntas frequentes
Quantos satélites Starlink já estão em órbita?
A SpaceX já colocou mais de 7.000 satélites Starlink em órbita desde o início do programa, tornando a constelação Starlink a maior já construída na história da humanidade.
O propulsor B1103 já havia voado antes?
Sim. O propulsor B1103 já acumulava voos anteriores antes desta missão. A SpaceX reutiliza o mesmo propulsor várias vezes — como um avião comercial que faz centenas de voos — antes de aposentá-lo definitivamente.
É possível ver os satélites Starlink do Brasil?
Sim! Logo após um lançamento, antes de se dispersarem pela órbita definitiva, os satélites formam um “trem” de pontos brilhantes visível a olho nu em noites claras. Aplique o aplicativo Heavens-Above para saber quando um grupo passa sobre sua cidade.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://www.space.com/space-exploration/launches-spacecraft/spacex-starlink-17-42-b1103-vsfb-ocisly




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