Radiotelescópios Revelam a Massa de Estrelas Jovens Escondidas em Órion

Radiotelescópios Revelam a Massa de Estrelas Jovens Escondidas em Órion

O que você precisa saber

Cientistas usaram uma rede de radiotelescópios para “enxergar” através da poeira espacial.
Eles conseguiram medir o peso exato de estrelas bebês na Nebulosa de Órion.
Saber a massa de uma estrela é como ler seu destino: define como ela viverá e morrerá.
Essa descoberta ajuda a entender como sistemas solares como o nosso se formam.

A Nebulosa de Órion é como um grande berçário estelar, um lugar onde novas estrelas estão nascendo a todo momento. No entanto, muitas dessas estrelas bebês estão escondidas dentro de espessos cobertores de gás e poeira cósmica. Isso torna a vida dos astrônomos muito difícil, pois telescópios comuns não conseguem enxergar através dessa cortina escura. Mas agora, usando uma poderosa rede de radiotelescópios chamada VLBA (Very Large Baseline Array), os cientistas conseguiram um feito incrível: eles perfuraram esse véu de poeira para estudar de perto pares de estrelas jovens.

O resultado dessa observação foi a medição extremamente precisa da massa dessas estrelas. Mas por que isso importa? Imagine que a massa de uma estrela é como o seu DNA. Ela dita tudo sobre a vida daquele astro: o quão quente ele será, quanto tempo vai viver e como será o seu fim. O Dr. Sergio Abraham Dzib Quijano, líder da pesquisa no Instituto Max Planck de Radioastronomia, explica que a massa estelar é a propriedade mais fundamental de uma estrela, mas é notoriamente difícil de medir em sistemas jovens e escondidos.

Como os radiotelescópios enxergam no escuro?

Para resolver o problema da poeira cósmica, os cientistas usaram o VLBA para observar o espaço usando ondas de rádio. Pense nas ondas de rádio como uma lanterna mágica que consegue iluminar através da neblina. Enquanto a luz visível, aquela que nossos olhos veem, é bloqueada pela poeira, as ondas de rádio passam direto por ela. O VLBA é uma rede de antenas espalhadas pelo mundo todo, do Havaí às Ilhas Virgens, que funcionam juntas como um único telescópio gigante. Essa super visão permitiu aos astrônomos observar pares de estrelas muito próximas umas das outras com uma clareza sem precedentes, usando frequências de 5 GHz, uma faixa onde a poeira cósmica se torna completamente transparente.

A dança das estrelas binárias

A maioria das estrelas não nasce sozinha; elas costumam se formar em pares, chamados de sistemas binários. É como se fossem parceiros de dança girando de mãos dadas no espaço. O VLBA observou essas estrelas orbitando umas às outras ao longo de meses e anos. Ao medir com precisão milimétrica como a posição de uma estrela muda devido à atração gravitacional de sua parceira, os cientistas puderam calcular o peso exato de cada uma. É como descobrir o peso de duas pessoas apenas observando a força que elas fazem para girar juntas. Os sistemas estudados, Brun 656 e HD 294300, estão localizados na Nebulosa de Órion, a cerca de 1.300 anos-luz da Terra.

A descoberta surpreendente do sistema NU Orionis

Além dos pares binários, a equipe também estudou o sistema V* NU Orionis, um sistema quádruplo de estrelas, ou seja, quatro estrelas ligadas pela gravidade. Eles descobriram que um dos componentes desse sistema é uma estrela de massa intermediária, com cerca de 7 vezes a massa do nosso Sol, que emite um tipo especial de radiação de rádio chamada emissão não térmica. Isso é uma evidência rara de intensa atividade magnética em uma estrela jovem e relativamente massiva, algo que os cientistas raramente observam.

Por que o peso das estrelas é tão importante?

Como mencionamos, a massa define o destino de uma estrela. Estrelas leves, como o nosso Sol, queimam seu combustível lentamente e vivem por bilhões de anos. Já as estrelas muito pesadas vivem rápido e morrem jovens, explodindo em eventos espetaculares chamados supernovas. Essas explosões podem deixar para trás objetos exóticos como estrelas de nêutrons ou até buracos negros. Além disso, o peso da estrela influencia diretamente a formação de planetas ao seu redor. Ao medir a massa dessas estrelas bebês em Órion, os astrônomos estão testando seus modelos de como o universo funciona. Algumas descobertas bateram com o que se esperava, mas outras mostraram que ainda temos muito a aprender sobre a formação estelar.

O que essa descoberta muda para a ciência?

A Dra. Jazmin Ordonez-Toro, co-líder do estudo, resumiu bem a importância da descoberta: essas medições precisas transformam Órion em um laboratório de precisão para testar como estrelas jovens se formam e evoluem. As observações do VLBA foram as primeiras a caracterizar múltiplos objetos estelares jovens no complexo de nascimento de Órion. Além disso, as observações revelaram companheiras próximas que estavam escondidas e evidências de que a atividade magnética intensa pode persistir em estrelas jovens relativamente massivas, algo que os modelos atuais ainda precisam explicar melhor.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

O que é a Nebulosa de Órion?
É uma gigantesca nuvem de gás e poeira no espaço, localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra, onde novas estrelas estão se formando constantemente. É um dos berçários estelares mais estudados da Via Láctea.

O que é um sistema estelar binário?
É um sistema formado por duas estrelas que orbitam um centro de massa comum, presas pela gravidade uma da outra, como parceiros de dança. A maioria das estrelas no universo faz parte de sistemas binários ou múltiplos.

Por que os cientistas usam ondas de rádio para estudar estrelas?
Porque as ondas de rádio conseguem atravessar as densas nuvens de poeira cósmica que bloqueiam a luz visível, permitindo observar estrelas que de outra forma estariam completamente invisíveis para nossos telescópios.

Referências

https://public.nrao.edu/news/unraveling-the-mass-mystery/
https://public.nrao.edu/telescopes/vlba/
https://science.nasa.gov/universe/stars/
https://lco.global/spacebook/distance/parallax-and-distance-measurement/
https://www.space.com/30417-parallax.html

Publicar comentário