Mercúrio se aproxima de Júpiter: como ver os dois planetas no céu de sexta-feira

Mercúrio se aproxima de Júpiter: como ver os dois planetas no céu de sexta-feira

O que você precisa saber

Nesta sexta-feira, Mercúrio e Júpiter aparecem muito próximos no céu do entardecer, visíveis no horizonte oeste logo após o pôr do sol.
Mercúrio está perdendo brilho rapidamente — esta pode ser uma das últimas chances de vê-lo nesta temporada de entardecer.
Você não precisa de telescópio: apenas um horizonte desobstruído e os primeiros 30 a 60 minutos após o pôr do sol já bastam.

Quando o sol se põe nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, dois planetas aguardam no horizonte oeste: Júpiter, um gigante brilhante impossível de ignorar, e Mercúrio, um viajante veloz que está se aproximando cada vez mais do vizinho maior. Os dois formam um par incomum no céu do entardecer — mas a janela para vê-los juntos está se fechando.

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol e, por isso, nunca se afasta muito do brilho solar no céu. Ele alterna entre aparecer logo após o pôr do sol no horizonte oeste e pouco antes do nascer do sol no horizonte leste. Agora, ele está na fase vespertina — mas caminhando rapidamente para desaparecer atrás do sol nos próximos dias. Júpiter, por sua vez, ocupa uma posição mais estável e brilhante, servindo de âncora visual para quem tenta encontrar o pequeno e fugidio Mercúrio.

Dois planetas, uma janela curtíssima de tempo

Imagine que você está assistindo a um ônibus se aproximando lentamente de uma parada. Mercúrio é esse ônibus — ele se move pelo céu mais rápido do que qualquer outro planeta e está chegando cada vez mais perto de Júpiter neste período. Mas assim como o ônibus passa pela parada e segue em frente, Mercúrio em breve passará “atrás” do Sol — do nosso ponto de vista aqui na Terra — e sumirá do céu noturno por semanas.

Para ver os dois planetas nesta noite, o segredo é o timing. Logo após o pôr do sol, o céu ainda tem uma luminosidade alaranjada no horizonte. Espere uns 15 a 20 minutos até que o azul do céu escureça um pouco, então olhe para o horizonte oeste. Você verá Júpiter como um ponto brilhante — muito mais intenso do que qualquer estrela ao redor. Mercúrio estará um pouco mais baixo e ligeiramente mais apagado, mas ainda identificável se o céu estiver limpo.

Mercúrio fotografado pela sonda MESSENGER da NASA em alta resolução mostrando a superfície coberta de crateras
Mercúrio visto pela sonda MESSENGER da NASA: o planeta mais rápido do Sistema Solar tem superfície coberta de crateras e não possui atmosfera — muito diferente do pontinho de luz que vemos no horizonte.

Por que Mercúrio está ficando mais difícil de ver?

Aqui entra um conceito fascinante que poucos conhecem: planetas que orbitam entre a Terra e o Sol apresentam fases, exatamente como a Lua. Pense na Lua: quando está cheia, vemos o disco inteiro iluminado. Quando está em crescente ou minguante, vemos apenas uma faixa de luz — porque o ângulo mudou.

Mercúrio funciona exatamente assim. Quando está do outro lado do Sol em relação à Terra, parece “cheio” e pequeno — distante, mas totalmente iluminado. Mas conforme se aproxima de nós, passando entre a Terra e o Sol, mostra cada vez menos de sua face iluminada — como uma lua crescente finíssima. É esse processo que está acontecendo agora: Mercúrio está geometricamente maior no céu (porque está mais perto de nós), mas opticamente mais fraco, porque vemos cada vez menos da sua parte iluminada pelo Sol.

Para colocar em termos ainda mais simples: é como olhar para uma bola iluminada pelo sol. Quando ela está do lado oposto a você, você a vê toda brilhante. Quando ela começa a passar na sua frente, você vê cada vez menos de sua face iluminada — até que ela fica quase invisível. Mesmo efeito — e é isso que está tornando Mercúrio mais tênue a cada dia que passa.

Júpiter: o guia confiável no céu do entardecer

Se você nunca observou Mercúrio antes, Júpiter será seu melhor ponto de referência. O maior planeta do Sistema Solar brilha com uma intensidade que não tem comparação com as estrelas comuns. Em astronomia, usamos o termo magnitude para medir o brilho dos objetos celestes — pense nele como uma espécie de “nota de brilho”: quanto menor o número (ou mais negativo), mais brilhante o objeto. Júpiter tem magnitude negativa, o que significa que é mais brilhante do que qualquer estrela no céu.

Pense assim: se o céu noturno fosse uma sala escura e cada estrela fosse uma vela, Júpiter seria uma lanterna de LED no meio da sala. Difícil de ignorar. Uma vez que você encontrar esse ponto de luz intenso no horizonte oeste, olhe levemente abaixo e próximo ao horizonte — Mercúrio estará por ali, mais apagado, possivelmente com um tom levemente avermelhado ou amarelado dependendo da atmosfera.

Quando e como observar

Você não precisa de nenhum equipamento especial para esta observação. Um local com horizonte oeste desobstruído é tudo o que precisa. Evite lugares com muitos prédios ou árvores bloqueando a visão baixa — porque ambos os planetas estarão bem próximos ao horizonte.

• Logo após o pôr do sol: espere de 15 a 30 minutos para o céu escurecer o suficiente.
• Janela de observação: de 30 a 60 minutos após o pôr do sol. Depois disso, os dois planetas mergulharão ainda mais no brilho residual da atmosfera e ficarão cada vez mais difíceis de ver.
• Direção: horizonte oeste, exatamente onde o sol acabou de se por.

Se você tiver um binóculo em casa, aproveite para usá-lo. Não é obrigatório, mas enriquece muito a experiência — com ele, você poderá perceber que Mercúrio não é um disco perfeitamente redondo, mas sim uma forma crescente, como a Lua em quarto crescente. É um detalhe sutil, mas emocionante de observar.

O que torna esse momento especial?

Conjunções planetárias — quando dois planetas aparecem muito próximos no céu, mesmo que na prática estejam a bilhões de quilômetros de distância um do outro — são sempre momentos que merecem atenção. Cada vez que dois mundos tão diferentes dividem o mesmo cantinho do céu, isso nos lembra que vivemos em um sistema solar vivo, dinâmico e em constante movimento.

Mercúrio é um mundo minúsculo, sem atmosfera, coberto de crateras, tostado de um lado pelo calor extremo do Sol e congelado do outro. Júpiter é um gigante de gás tão volumoso que caberia mais de 1.300 Terras dentro dele, com tempestades maiores do que o nosso planeta inteiro, como a famosa Mancha Vermelha — uma tempestade que dura há séculos. E mesmo assim, por um breve instante — do nosso ponto de vista aqui na superfície da Terra — eles parecem vizinhos íntimos, dividindo o mesmo pedacinho de céu ao entardecer.

É essa perspectiva que faz a astronomia ser tão especial: a capacidade de olhar para o céu e sentir, ao mesmo tempo, a grandiosidade do universo e o privilégio de poder observá-lo.

Perguntas frequentes

Preciso de telescópio para ver Mercúrio e Júpiter?
Não. Ambos são visíveis a olho nu. Júpiter é muito brilhante e fácil de localizar. Mercúrio está mais fraco agora, mas ainda visível com céu limpo e horizonte desobstruído.

Por quanto tempo ainda vou conseguir ver Mercúrio ao entardecer?
Mercúrio está se aproximando da conjunção inferior com o Sol — o ponto em que passa entre a Terra e o Sol — então seu brilho continuará caindo nos próximos dias. Aproveite agora, pois em breve ele desaparecerá no brilho do pôr do sol por várias semanas.

Como sei que estou olhando para um planeta e não para uma estrela?
Planetas, ao contrário das estrelas, não piscam. Se você observar um ponto de luz brilhante que permanece estável sem tremeluzir, é quase certo que é um planeta. Júpiter em especial é notável por sua constância e intensidade.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://science.nasa.gov/solar-system/whats-up-june-2026-skywatching-tips-from-nasa/

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