Marte Encontra as Plêiades: Veja o Planeta Vermelho ao Lado das Sete Irmãs Neste Sábado

Marte Encontra as Plêiades: Veja o Planeta Vermelho ao Lado das Sete Irmãs Neste Sábado

O que você precisa saber

Na madrugada deste sábado (27/06), Marte fica a menos de 5° das Plêiades — uma distância menor que a largura de meio punho esticado no céu.
Para ver o encontro, acorde cerca de 1h30 antes do nascer do sol e olhe para o horizonte leste — a olho nu, sem telescópio.
Urano também está na mesma região do céu, mas é fraco demais para ser visto sem um binóculo.

Imagine olhar para o céu antes do sol nascer e ver um ponto vermelho brilhante logo ao lado de um pequeno cacho de estrelas azuladas, como um grupo de vagalumes piscando no escuro. Isso é exatamente o que acontece neste sábado, 27 de junho de 2026: Marte, o Planeta Vermelho, passa muito próximo das Plêiades, o famoso aglomerado estelar conhecido como as “Sete Irmãs”, na constelação de Touro. Não é preciso telescópio, nem conhecimento avançado — só um pouco de vontade de acordar cedo.

O melhor horário para observar é cerca de 90 minutos antes do nascer do sol, quando o céu ainda está suficientemente escuro para as estrelas aparecerem, mas Marte e as Plêiades já estão altos o suficiente no horizonte leste para serem vistos com facilidade.

Marte: o planeta enferrujado que brilha em vermelho

Marte é o quarto planeta do nosso Sistema Solar, logo depois da Terra. Mas por que ele tem essa cor avermelhada tão característica? A resposta é simples: ferrugem. Assim como um prego de metal que fica exposto à chuva fica laranja-avermelhado com o tempo, o solo de Marte é rico em óxido de ferro — que é exatamente a ferrugem. Ao longo de bilhões de anos, esse mineral se acumulou na superfície e na poeira atmosférica, deixando o planeta com aquela tonalidade inconfundível que dá pra ver a olho nu no céu.

Atualmente, Marte está percorrendo a constelação de Touro. Pense nas constelações como “bairros” do céu: as estrelas moram nesses bairros fixos, mas os planetas são visitantes que passam por eles à medida que orbitam o Sol. Marte leva cerca de dois anos para dar uma volta completa pelo céu, e agora ele está de passagem pelo bairro de Touro — o mesmo onde vivem as Plêiades.

Globo de Marte em mosaico criado pela NASA com imagens das sondas Viking — Planeta Vermelho com Valles Marineris visível
O Planeta Vermelho fotografado pelas sondas Viking da NASA: a cor laranja-avermelhada de Marte vem do óxido de ferro (ferrugem) que cobre sua superfície e poeira atmosférica.

A distância entre Marte e as Plêiades neste sábado é de menos de 5 graus. “Grau” no céu é uma unidade de ângulo — e aqui vai um truque simples para medir sem nenhum instrumento: estenda o braço e feche o punho. A largura do seu punho no céu equivale a aproximadamente 10 graus. Portanto, Marte e as Plêiades estão separadas por menos da metade do seu punho esticado. Isso é incrivelmente próximo!

As Plêiades: a família de estrelas mais famosa do céu

As Plêiades — também chamadas de M45 ou simplesmente “Sete Irmãs” — são um aglomerado estelar aberto. Esse nome pode parecer complicado, mas a ideia é simples: são centenas de estrelas que nasceram juntas, da mesma nuvem de gás e poeira, há cerca de 100 milhões de anos. É como uma turma de escola: todas “se formaram” no mesmo lugar e até hoje ficam próximas umas das outras no espaço.

A olho nu, a maioria das pessoas consegue enxergar entre seis e nove estrelas mais brilhantes das Plêiades — as lendas gregas falavam em sete irmãs, filhas do titã Atlas. Com um binóculo, o cenário se transforma: você percebe que são centenas de estrelas espalhadas por uma região do tamanho de várias luas cheias juntas.

As Plêiades ficam a cerca de 440 anos-luz da Terra. Mas o que é um ano-luz? Atenção: não é uma medida de tempo — é uma medida de distância. É a distância que a luz, viajando na sua velocidade máxima de 300 mil quilômetros por segundo, percorre em um ano inteiro. São aproximadamente 9,5 trilhões de quilômetros. Portanto, quando você olha para as Plêiades esta madrugada, está vendo a luz que partiu de lá há 440 anos — quando o Brasil ainda era colônia de Portugal!

Plêiades (M45) fotografadas pelo Telescópio Espacial Hubble — aglomerado das Sete Irmãs em alta resolução
O Telescópio Hubble registrou as estrelas das Plêiades com precisão milimétrica: este aglomerado de centenas de estrelas fica a 440 anos-luz de nós, na constelação de Touro.

Como observar: guia passo a passo para iniciantes

Não precisa de equipamentos sofisticados para aproveitar o evento. Siga estas etapas simples:

1. Descubra o horário do nascer do sol na sua cidade. Uma busca rápida no Google por “nascer do sol [nome da cidade] 27 de junho” te dá esse dado. Subtraia 1 hora e meia — esse é o momento ideal para observar.

2. Vá para um lugar com horizonte aberto na direção do leste. Uma praça, um campo ou um quintal sem prédios altos à frente funciona perfeitamente.

3. Deixe seus olhos se adaptarem ao escuro. Fique ao menos 10 minutos longe de telas brilhantes e luzes fortes. No escuro, a pupila se dilata — como abrir uma janela para deixar entrar mais luz — e você passa a enxergar muito mais estrelas.

4. Procure o ponto vermelho. Marte é inconfundível: brilhante, avermelhado e, ao contrário das estrelas, ele não pisca. Logo ao lado, você verá o pequeno cacho azulado das Plêiades.

O bônus da madrugada: Urano também está por ali

Se você tiver um binóculo, vale a pena procurar Urano na mesma região do céu. Ele é o sétimo planeta do Sistema Solar e tem uma cor peculiar: azul-esverdeada. Isso acontece por causa do metano na sua atmosfera. O metano funciona como um filtro de cor: ele absorve as tonalidades quentes da luz solar (o vermelho e o laranja) e deixa passar as tonalidades frias (azul e verde) — é como quando você usa óculos coloridos e tudo muda de aparência. Por isso Urano tem aquele tom de água rasa vista de cima.

Urano está baixo no horizonte neste sábado e é fraco demais para ser visto a olho nu na maioria das cidades brasileiras, onde há poluição luminosa. Mas com um binóculo e um céu razoavelmente escuro, procure um ponto azulado e sem brilho pulsante próximo a Marte e às Plêiades.

Perguntas frequentes

Preciso de telescópio para ver Marte perto das Plêiades?
Não. Ambos são visíveis a olho nu em um céu razoavelmente escuro. Um binóculo melhora muito a experiência e revela centenas de estrelas nas Plêiades, mas não é obrigatório.

Em que direção devo olhar?
Olhe para o horizonte leste, cerca de 90 minutos antes do nascer do sol. Marte e as Plêiades estarão subindo por esse lado do céu.

O evento pode ser visto de todo o Brasil?
Sim! O espetáculo é visível de qualquer ponto do território brasileiro. O horário exato varia um pouco conforme a cidade e o fuso horário local.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://www.astronomy.com/observing/the-sky-today-saturday-june-27-2026/
https://apod.nasa.gov/apod/ap190901.html

Publicar comentário