Lua Perto da Foice em Leão: o Que Ver no Céu Nesta Quinta-Feira (18/jun)

Lua Perto da Foice em Leão: o Que Ver no Céu Nesta Quinta-Feira (18/jun)

O que você precisa saber

Esta noite, a Lua aparece logo abaixo do Asterismo da Foice — um grupo de estrelas que desenha a cabeça do Leão no céu.
Vênus está se aproximando do Aglomerado da Colmeia (M44), um enxame de cerca de 1.000 estrelas que parece uma névoa brilhante a olho nu.
Você não precisa de telescópio — só de um céu aberto e saber para onde olhar.
O melhor momento para observar é logo após o anoitecer, olhando para o oeste-noroeste.

Existe algo de especial em levantar os olhos para o céu numa noite clara e reconhecer os personagens que estão sempre lá, mas raramente paramos para conhecer. Nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, o céu nos oferece dois presentes visuais ao mesmo tempo: a Lua brilhando próxima ao Asterismo da Foice, na constelação de Leão, e o planeta Vênus cada vez mais perto de um dos aglomerados de estrelas mais famosos do céu noturno — a Colmeia.

Se você nunca parou para observar o céu com atenção, hoje é um ótimo dia para começar. Vamos explicar passo a passo o que você vai ver, onde olhar e por que cada detalhe importa.

O Asterismo da Foice: a cabeça do Leão desenhada em estrelas

Antes de tudo, é preciso entender o que é um asterismo. Pense assim: uma constelação é como um estado inteiro do Brasil — tem nome, fronteiras reconhecidas e muitas estrelas dentro dela. Já um asterismo é como uma cidade famosa dentro desse estado — um grupo menor de estrelas que forma um desenho fácil de reconhecer, mas que faz parte de uma constelação maior.

A Foice (Sickle, em inglês) é exatamente isso: um asterismo dentro da constelação de Leão. Ela é formada por seis estrelas que, juntas, desenham uma foice — aquela ferramenta de cabo longo e lâmina curva usada para colher trigo. No céu, esse padrão parece um ponto de interrogação invertido, e ele representa a cabeça e a juba do Leão.

A estrela mais brilhante da Foice — e de toda a constelação de Leão — é Régulo (em latim, Regulus), que fica na ponta da “lâmina”. Régulo está a apenas 79 anos-luz de nós. Para entender o que isso significa: um ano-luz não é um tempo, é uma distância — a distância que a luz percorre em um ano inteiro, que equivale a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros. Então, a luz que você vai ver sair de Régulo esta noite saiu de lá por volta de 1947, quando o Brasil vivia o pós-Segunda Guerra Mundial!

Régulo, a estrela mais brilhante da constelação de Leão e âncora do Asterismo da Foice, com a galáxia anã Leo I ao fundo
Régulo, a estrela-âncora da Foice de Leão, captada pelo APOD da NASA — é ela que o leitor deve procurar no céu desta noite como ponto de referência do asterismo.

A Lua como guia: encontrando a Foice no céu desta noite

Esta noite, a Lua está posicionada logo abaixo do Asterismo da Foice. Isso faz dela um guia perfeito para quem está começando: basta encontrar a Lua no céu — ela é impossível de perder — e olhar um pouco acima. Você vai ver o padrão de estrelas em forma de ponto de interrogação invertido.

A Lua não está parada no céu. Ela orbita a Terra — é como um atleta correndo em uma pista oval ao redor de uma praça central. Ela leva cerca de 27 dias para completar uma volta completa. Durante esse percurso, ela passa por diferentes constelações, como se fosse passando por diferentes cidades numa estrada. Nesta semana, a “estrada” da Lua passa por Leão.

Isso é muito útil para quem está aprendendo a identificar constelações: a Lua serve como marcador luminoso no céu. Encontre-a, procure as estrelas ao redor e você estará olhando exatamente para a constelação da vez. Hoje, a constelação da vez é Leão.

Vênus e a Colmeia: dois brilhos que se aproximam

Enquanto a Lua marca a posição de Leão, o planeta Vênus está se movendo cada vez mais perto de um objeto fascinante: o Aglomerado da Colmeia, conhecido pelos astrônomos como M44. Mas o que exatamente é isso?

Um aglomerado aberto de estrelas é como uma turma de amigos que nasceu junto e ainda mora perto um do outro. Imagine um grupo de pessoas que nasceram na mesma cidade, foram à mesma escola e ainda se encontram nos finais de semana. As estrelas de um aglomerado aberto se formaram da mesma nuvem de gás e poeira no espaço — ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Elas ficam agrupadas pela gravidade umas das outras, como vizinhos num mesmo bairro que se conhecem desde crianças.

A Colmeia (M44), também chamada de Praesepe — palavra latina que significa “manjedoura” — fica na constelação de Câncer e contém cerca de 1.000 estrelas. Ela está a aproximadamente 600 anos-luz de distância da Terra. A olho nu, parece uma pequena nuvem brilhante ou uma mancha esfumaçada no céu escuro — daí o apelido de “Colmeia”, pois lembra um enxame de abelhas reunidas num mesmo ponto do céu.

Imagem do Telescópio Hubble mostrando estrelas e galáxias de fundo no Aglomerado da Colmeia M44 em Câncer
Imagem do Telescópio Hubble revelando estrelas do Aglomerado da Colmeia (M44) — o mesmo enxame que Vênus está se aproximando nesta semana no céu noturno.

Hoje, Vênus — o planeta mais brilhante do nosso Sistema Solar, que aparece como um ponto de luz branca, intensa e constante (ao contrário das estrelas, que piscam levemente) — está se movendo em direção a M44. Nos próximos dias, os dois vão aparecer cada vez mais juntos no céu, criando uma paisagem visual encantadora no entardecer.

Como observar esta noite: roteiro passo a passo

Você não precisa de nenhum equipamento especial para aproveitar esse espetáculo. Aqui vai o roteiro completo:

Quando e onde olhar: Vire-se para o oeste-noroeste logo após o anoitecer (entre 20h e 21h, horário de Brasília). A Lua será o ponto mais brilhante dessa região — impossível perder.

Encontrando a Foice: Com a Lua como guia, procure acima ou ao redor dela por um padrão de estrelas em forma de ponto de interrogação invertido. Essa é a Foice de Leão. A estrela mais brilhante, Régulo, fica na base desse padrão.

Para Vênus e a Colmeia: Vênus estará visível um pouco mais ao norte, brilhando de forma muito intensa e constante. Com um binóculo simples — daqueles de show ou de viagem — você consegue ver a Colmeia como um punhado de estrelas agrupadas nas proximidades do planeta.

Dica importante: Espere pelo menos 10 minutos no escuro antes de tentar ver objetos mais fracos. Nossos olhos são como câmeras fotográficas: precisam de tempo para “abrir o diafragma” e captar luzes mais tênues. Quanto mais escuro o lugar onde você estiver, melhor a experiência.

Por que os planetas se “movem” entre as estrelas?

Você pode estar se perguntando: por que Vênus está perto de M44 hoje, mas não estará na próxima semana? E por que a Lua visita Leão agora, mas visitará outra constelação em alguns dias?

A resposta é simples: tudo no nosso Sistema Solar está em movimento. A Lua orbita a Terra, os planetas orbitam o Sol — e cada um faz isso em velocidades diferentes. Vista daqui da Terra, essa movimentação cria um efeito parecido com o que você vê no trânsito: carros em diferentes velocidades parecem se aproximar ou se afastar uns dos outros quando vistos da calçada.

Quando um planeta e um objeto do céu profundo parecem muito próximos no céu, chamamos isso de conjunção. É como dois prédios que parecem estar lado a lado quando você os olha de longe — mas, se você se aproximar, vê que na verdade estão a quilômetros de distância. Vênus está a dezenas de milhões de quilômetros de M44, mas da nossa perspectiva aqui na Terra, eles aparecem lado a lado no céu. É ilusão de perspectiva — e uma das mais bonitas que a natureza nos oferece.

Perguntas frequentes

Preciso de telescópio para ver a Colmeia?
Não! A Colmeia (M44) é visível a olho nu como uma pequena mancha brilhante, especialmente em locais com pouca poluição luminosa. Com um binóculo simples, você já consegue ver dezenas de estrelas individuais do aglomerado — uma experiência fantástica para iniciantes.

Qual a diferença entre Vênus e uma estrela no céu?
Vênus brilha de forma constante, com uma luz branca muito intensa — frequentemente é o objeto mais brilhante do céu noturno depois da Lua. As estrelas “piscam” levemente devido à turbulência da atmosfera terrestre. Se você ver um ponto que não pisca e é extremamente brilhante, é quase certeza que é Vênus.

Posso ver esses eventos de qualquer cidade do Brasil?
Sim! Esses fenômenos são visíveis de todo o território nacional. Quanto menos poluição luminosa — ou seja, quanto menos luz artificial — houver no seu local de observação, mais estrelas e objetos você conseguirá ver.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://apod.nasa.gov/apod/ap140222.html
https://science.nasa.gov/mission/hubble/science/explore-the-night-sky/hubble-messier-catalog/messier-44/
https://apod.nasa.gov/apod/ap240426.html

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