Starship Voo 13: SpaceX Tenta Corrigir Falha e Lançar Satélites Starlink pela Primeira Vez

Starship Voo 13: SpaceX Tenta Corrigir Falha e Lançar Satélites Starlink pela Primeira Vez

O que você precisa saber

A SpaceX vai lançar o Starship pela 13ª vez, tentando corrigir os erros que causaram a falha do voo anterior.
Pela primeira vez, o foguete vai soltar 20 satélites Starlink de verdade, direto de dentro da nave.
O propulsor Super Heavy vai tentar pousar suavemente na água do Golfo do México, depois de meses parado por causa de uma investigação federal.

Imagine treinar meses para uma apresentação de dança, subir no palco, e no meio da coreografia seu corpo simplesmente girar para o lado errado, na frente de todo mundo. Foi mais ou menos isso que aconteceu com o Starship, o maior foguete já construído, em seu voo mais recente: o propulsor gigante começou a girar fora de controle e nunca completou o pouso planejado no oceano.

Agora, semanas depois, a SpaceX está pronta para tentar de novo. Na quinta-feira, 16 de julho de 2026, o Starship deve decolar de Starbase, no Texas, em uma nova plataforma de lançamento, carregando desta vez uma missão bem mais ambiciosa: entregar de verdade 20 satélites de internet no espaço.

Esse tipo de “tentar de novo” não é fracasso — é assim que se constrói um foguete reutilizável. Cada erro ensina algo, como uma criança que cai várias vezes andando de bicicleta até finalmente pedalar sozinha. E é exatamente esse processo, cheio de tropeços e ajustes, que vamos explicar aqui.

O que deu errado no voo anterior

No voo 12, um dos seis motores Raptor da nave superior desligou sozinho depois de apenas 36 segundos ligado. É como um corredor de revezamento que sente uma dor na perna logo na largada: o time inteiro precisa mudar o plano da corrida na hora. Por causa disso, a SpaceX teve que cancelar o teste de religar um motor no espaço, que era um dos objetivos principais daquele voo.

O problema maior, porém, foi no propulsor Super Heavy. Depois que a nave se separou dele, o booster deveria virar de cabeça para baixo suavemente, como um mergulhador que gira no ar antes de entrar na água em pé. Só que pequenas diferenças no momento em que os motores da nave ligaram fizeram o giro sair errado por cerca de 90 graus — o equivalente ao mergulhador virando de barriga na água. Isso fez vários motores falharem, e o propulsor não conseguiu completar o pouso suave que era esperado no Golfo do México.

A Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) classificou o ocorrido como um “incidente” e exigiu que a SpaceX investigasse a fundo antes de autorizar um novo voo — como um árbitro que para o jogo para rever o lance no vídeo antes de deixar a partida continuar. A investigação só foi encerrada em 13 de julho de 2026, liberando o caminho para o voo 13.

Um foguete corrigido, numa plataforma novinha em folha

Para este voo, a SpaceX fez ajustes de hardware e de software nos motores Raptor para evitar que o mesmo problema se repita — pense nisso como instalar uma atualização de segurança no celular depois de descobrir uma falha. O propulsor usado se chama Booster 20 e a nave é a Ship 40, ambos da versão mais nova do Starship, apelidada de “Bloco 3”.

Cluster de motores Raptor 3 na base do propulsor Super Heavy do Starship
Os motores Raptor 3, na base do propulsor Super Heavy, foram ajustados depois da falha do voo anterior do Starship para evitar que o mesmo problema aconteça de novo.

Outra novidade é a plataforma de lançamento: pela primeira vez, o Starship vai decolar do Pad 2, uma estrutura recém-construída em Starbase. Isso importa porque uma plataforma de lançamento sofre muito calor e vibração a cada decolagem, meio como uma boca de fogão que precisa esfriar e ser limpa antes de cozinhar de novo com segurança.

Antes de qualquer lançamento, a equipe também faz testes de “aquecimento”: no dia 10 de julho, os 33 motores do Booster 20 foram acesos por alguns segundos ainda presos ao chão, e a Ship 40 passou por um teste parecido com seis motores no início do mês. É como ligar o carro e pisar de leve no acelerador antes de sair para uma viagem longa, só para garantir que está tudo funcionando.

20 “passageiros” de verdade: os satélites Starlink

Até agora, o Starship só tinha levado satélites de teste, sem função real. Desta vez, ele vai carregar 20 satélites Starlink da nova geração V3, que juntos pesam cerca de 34 toneladas — mais ou menos o peso de seis elefantes adultos somados.

Esses satélites saem da nave por um sistema de polias e cabos que os empurra, um de cada vez, por uma abertura lateral — como uma máquina de vendas automáticas soltando um lanche de cada vez, em vez de derrubar a caixa inteira. Os satélites V3 são maiores e mais potentes que os anteriores, prometendo internet mais rápida para quem usa o serviço Starlink, como trocar uma estradinha de terra por uma rodovia de várias pistas.

Câmeras espiãs de olho no escudo térmico

Seis desses satélites vêm com uma novidade curiosa: câmeras especiais apontadas para o corpo da nave. A ideia é fotografar o escudo térmico do Starship — a camada de telhas pretas que protege o foguete do calor extremo ao entrar na atmosfera — logo depois que ele for solto no espaço.

É um pouco como um dentista usando um espelhinho para enxergar os dentes de trás da sua boca: as câmeras vão mostrar aos engenheiros partes da nave que eles normalmente não conseguem ver de perto. Esse tipo de inspeção já foi usado décadas atrás pelos astronautas do ônibus espacial americano, que giravam a espaçonave para a tripulação da estação fotografar sua barriga antes da reentrada.

O grande teste: religar o motor no vácuo e pousar no mar

Dois objetivos continuam sendo o coração desta missão. O primeiro é conseguir religar um único motor Raptor enquanto a nave está no espaço — algo parecido com dar a partida no carro de novo depois de desligá-lo no sinal de trânsito. Parece simples, mas fazer isso funcionar no vácuo do espaço é essencial para o plano da SpaceX de pousar o Starship na Lua e em Marte no futuro.

O segundo objetivo é o propulsor Super Heavy conseguindo fazer a chamada “queima de retorno”, quando os motores disparam de novo para trazer o booster de volta em direção ao ponto de pouso — como jogar um bumerangue que volta para a mão de quem o lançou — seguida por uma pousada suave na água do Golfo do México. Já a nave superior deve completar uma reentrada controlada e cair suavemente no Oceano Índico, longe de qualquer área povoada, quase como deslizar um aviãozinho de papel até pousar de leve na piscina.

Por que continuar tentando, mesmo depois de falhar

O Starship é peça central do plano da SpaceX de criar um foguete totalmente reutilizável — ou seja, que pousa e voa de novo, em vez de ser jogado fora depois de um único uso, como acontece com a maioria dos foguetes. É a diferença entre jogar um avião no lixo depois de cada viagem e simplesmente reabastecê-lo para o próximo voo.

Por isso, falhas como a do voo 12 fazem parte do processo, não são o fim dele. Assim como um cozinheiro testa várias versões de uma receita até acertar o tempero, a SpaceX lança, aprende com os erros, ajusta o hardware e tenta de novo — cada vez um pouco mais perto de fazer o maior foguete do mundo virar rotina.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

Por que o voo anterior do Starship falhou?
Um motor da nave desligou sozinho pouco depois da decolagem, e o propulsor Super Heavy girou no ângulo errado ao se separar da nave, o que impediu um pouso suave no oceano. A SpaceX identificou as causas e fez ajustes nos motores antes deste novo voo.

O que é o Starship e por que ele é tão importante?
É o maior e mais poderoso foguete já construído, projetado para ser totalmente reutilizável, como um avião que pousa e voa de novo. A SpaceX planeja usá-lo em futuras missões à Lua e a Marte.

O que são os satélites Starlink V3 que serão lançados?
São satélites de internet de nova geração, maiores e mais potentes, que se conectam à rede Starlink usando lasers de alta capacidade. Esta é a primeira vez que o Starship entrega satélites operacionais de verdade, e não apenas cargas de teste.

Onde e quando dá para acompanhar o lançamento?
O lançamento está previsto para 16 de julho de 2026, a partir de Starbase, no Texas, com uma janela de decolagem abrindo às 17h45 no horário local. A transmissão costuma ser feita pelos canais oficiais da SpaceX.

Referências

Ars Technica — SpaceX is gearing up for Starship’s 13th test flight later this week
SpaceX — Starship’s Thirteenth Flight Test
Wikipedia — Starship flight test 13
Space.com — SpaceX targets July 16 for Starship Flight 13, reveals what went wrong on previous launch

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