Lua e Vênus se encontram em Leão: guia do céu de 10 a 17 de julho

Lua e Vênus se encontram em Leão: guia do céu de 10 a 17 de julho

O que você precisa saber

A fina Lua crescente se aproxima de Vênus na constelação de Leão logo após o pôr do sol.
A lua de Saturno, Dione, e sua sombra cruzam o topo das nuvens do planeta na madrugada de 11 de julho.
Mercúrio fica “escondido” atrás do Sol nesta semana, em um evento chamado conjunção inferior.

Imagine sair de casa logo depois que o sol se põe, olhar para o horizonte oeste e ver duas luzes conversando no céu: uma fina foice prateada e um ponto branco-azulado muito brilhante. Não é coincidência nem sinal de nada sobrenatural — é a Lua passando visita a Vênus, o planeta mais brilhante do céu noturno, os dois hospedados na constelação de Leão, o Leão.

Essa semana, de 10 a 17 de julho, o céu está lotado de compromissos. Enquanto a Lua encolhe aos poucos rumo à fase nova, ela vai cruzando o caminho de Vênus, Marte e Urano, numa espécie de turnê relâmpago pelo sistema solar visível a olho nu. Já Saturno, mais alto no céu da madrugada, oferece um verdadeiro desfile de luas — pequenos pontos de luz que giram ao redor do planeta como carrinhos numa pista de corrida em miniatura.

E tem mais: Mercúrio, o planeta mais rápido e mais próximo do Sol, vai literalmente sumir de vista por alguns dias, escondido atrás do brilho solar. Não é motivo de preocupação — é apenas geometria orbital, o tipo de coisa que acontece regularmente e sempre se resolve sozinha.

Se você tiver um telescópio, ótimo. Mas boa parte do que vamos contar aqui pode ser vista a olho nu ou com um binóculo simples. Tudo que você precisa é sair de casa nos horários certos e olhar para cima.

Uma nebulosa com cara de gato

Na noite de sexta-feira, 10 de julho, a Lua está praticamente ausente do céu — uma fase chamada lua minguante bem fina, com apenas 16% de sua superfície iluminada. É a receita perfeita para caçar objetos fracos e distantes, como a Nebulosa do Olho de Gato (também catalogada como NGC 6543), na constelação de Dragão.

Uma nebulosa planetária, apesar do nome, não tem nada a ver com planetas: é o que sobra quando uma estrela do tamanho do Sol chega ao fim da vida e expele suas camadas externas de gás, como se estivesse soprando bolhas de sabão translúcidas para o espaço. O que resta no centro é uma anã branca — o “caroço” da estrela original, agora extremamente pequeno, denso e quente.

A Olho de Gato brilha em magnitude 8,1, o que significa que dá para vê-la com um telescópio amador, embora não a olho nu (quanto menor o número de magnitude, mais brilhante o objeto). Sua região central mede apenas 20 segundos de arco — como tentar enxergar uma moeda a quase 3 quilômetros de distância — mas está envolta em um halo mais tênue que se estende por quase 6 minutos de arco, o equivalente a quase meio ano-luz no espaço real. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano inteiro, viajando a 300 mil quilômetros por segundo, e essa “bolha” de gás tem quase a metade disso de ponta a ponta.

Os astrônomos estimam que essa nebulosa tenha apenas 1.000 anos — um bebê, em termos cósmicos. Segundo a página oficial da NASA sobre o objeto, é justamente essa juventude que explica as camadas complexas e simétricas de gás, como anéis dentro de anéis, formadas pela estrela central enquanto ainda pulsava em ciclos regulares antes de se estabilizar.

A sombra de uma lua cruza Saturno

Na madrugada de sábado, 11 de julho, é a vez de Saturno roubar a cena. Dione, uma das luas geladas do planeta, passa exatamente ao norte de seu polo — e projeta sua sombra sobre o topo das nuvens, como um pequeno eclipse em miniatura.

Pense em Saturno como uma bola de futebol enorme e Dione como uma bolinha de gude orbitando bem perto dela. Quando a “bolinha de gude” passa entre o Sol e a “bola de futebol”, ela projeta uma sombra minúscula sobre a superfície — só visível em imagens capturadas por câmeras especializadas, não a olho nu.

A sombra começa a cruzar o disco de Saturno pouco antes das 2h50 (horário do leste dos EUA) e demora quase duas horas para atravessar de um lado a outro. Poucas horas depois, já na madrugada de domingo, 12 de julho, é a vez de Titã — a maior e mais brilhante lua de Saturno, do tamanho do planeta Mercúrio — aparecer bem a sudoeste do planeta, brilhando em magnitude 8, fácil de ver em qualquer telescópio pequeno.

Segundo a NASA, Titã é o único lugar do Sistema Solar, além da Terra, com líquido estável na superfície — só que, em vez de água, são lagos e rios de metano e etano líquidos, substâncias que na Terra normalmente conhecemos como gases. Já Dione, “irmã” menor de Titã, tem cerca de um terço de seu interior composto por rocha densa e o restante por gelo — como uma bola de neve escondendo um caroço de pedra por dentro.

A Lua visita Marte e Urano de madrugada

Ainda no sábado, 11 de julho, a Lua minguante passa perto de dois outros vizinhos planetários. Por volta das 3h da manhã (horário local dos EUA), ela passa cerca de 5° ao norte de Urano; poucas horas depois, passa a mesma distância de Marte.

Um grau no céu equivale, aproximadamente, à largura de um dedo mindinho esticado no braço. Cinco graus, portanto, é quase o tamanho de um punho fechado — perto o bastante para caber os dois objetos no mesmo campo de visão de um binóculo, mas longe o suficiente para não se confundirem.

Se você acordar cedo, entre 60 e 90 minutos antes do nascer do sol, vale olhar para a constelação de Touro: a fina foice da Lua aparece acima e à esquerda de Marte, e abaixo e à esquerda do aglomerado estelar das Plêiades (M45) — um grupo de estrelas jovens e azuladas que, a olho nu, parece uma pequena “mini colher” no céu. Urano, mais fraco, fica cerca de 4,7° a oeste-sudoeste de Marte; para encontrá-lo, é preciso um telescópio.

Mercúrio se esconde atrás do Sol

Na noite de domingo, 12 de julho, Mercúrio chega ao que os astrônomos chamam de conjunção inferior — o momento em que o planeta passa diretamente entre a Terra e o Sol.

Pense no Sistema Solar como uma pista de corrida com várias raias circulares, cada planeta correndo em sua própria raia ao redor do Sol, no centro. Mercúrio ocupa a raia mais interna e também é o mais veloz: dá uma volta completa ao redor do Sol a cada 88 dias terrestres. De vez em quando, ao “fazer a curva” mais rápido que a Terra, ele acaba passando bem na nossa frente, alinhado com o Sol — e por isso some, encoberto pelo brilho solar.

Segundo a página de fatos sobre Mercúrio da NASA, esse é justamente o momento em que o planeta fica mais próximo da Terra em toda a sua órbita, mas também o mais difícil de observar, já que sua face iluminada está voltada para o lado oposto ao nosso. A boa notícia é que essa “invisibilidade” é temporária: até o fim de julho, Mercúrio volta a aparecer, desta vez no céu da manhã, antes do nascer do sol.

Vênus e a Lua dividem o palco em Leão

E não podemos esquecer da dupla que dá nome à semana: pouco depois do pôr do sol, a fina Lua crescente aparece perto de Vênus, o planeta mais brilhante do céu noturno depois da própria Lua, ambos hospedados na constelação de Leão, próximos à sua estrela mais brilhante, Régulo.

É um encontro de aparência apenas: Vênus está a dezenas de milhões de quilômetros de distância, e a Lua, “apenas” a cerca de 384 mil quilômetros da Terra — mas, vistos daqui, os dois parecem vizinhos de rua, próximos o suficiente para caberem juntos numa única foto de celular apoiada em um parapeito, sem necessidade de nenhum equipamento especial.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

O que é uma nebulosa planetária, e por que a Olho de Gato tem esse nome?
Apesar do nome, não tem relação com planetas. É a nuvem de gás que uma estrela como o Sol expele ao morrer, deixando para trás apenas seu núcleo quente, chamado anã branca. A Olho de Gato recebeu esse nome pela aparência esverdeada e alongada que lembra a pupila de um felino quando vista em telescópios maiores.

Por que a lua de Saturno Dione consegue projetar uma sombra sobre o planeta?
Assim como a Lua projeta sombra sobre a Terra durante um eclipse solar, Dione às vezes passa exatamente entre o Sol e Saturno em sua órbita. Como é bem menor que o planeta, essa sombra é minúscula e só é detectável com câmeras especializadas, não a olho nu.

O que significa a “conjunção inferior” de Mercúrio?
É o momento em que Mercúrio passa entre a Terra e o Sol em sua órbita, ficando encoberto pelo brilho solar e temporariamente invisível para nós. O evento se repete a cada cerca de 116 dias e, depois dele, o planeta reaparece no céu, geralmente do lado oposto ao que estava antes.

Preciso de telescópio para ver a Lua e Vênus juntos em Leão?
Não. Esse é um dos poucos eventos da semana visível totalmente a olho nu. Basta olhar para o horizonte oeste pouco depois do pôr do sol para ver os dois brilhando lado a lado.

Referências

Astronomy.com — The Sky This Week from July 10 to 17: The Moon and Venus share Leo
NASA Science — Caldwell 6, a Nebulosa do Olho de Gato (NGC 6543)
NASA Science — Titan, a maior lua de Saturno
NASA Science — Dione, a lua gelada de Saturno
NASA Science — Fatos sobre Mercúrio

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