Lua Nova de Junho 2026: como ver Mercúrio, Vênus e Júpiter no céu esta semana
O que você precisa saber
• A lua nova de 14 de junho de 2026 escurece o céu — é o melhor momento do mês para observar estrelas e planetas com máxima nitidez.
• Mercúrio, Vênus e Júpiter estão visíveis juntos no horizonte oeste logo após o pôr do sol, sem precisar de telescópio ou equipamento especial.
• O horário ideal é entre 30 e 60 minutos após o anoitecer — basta olhar para o oeste e procurar os pontos mais brilhantes no céu.
Imagine que o céu noturno é um palco e a Lua é um holofote enorme. Quando esse holofote está apagado — o que acontece toda vez que chega a lua nova — todos os outros astros brilham com muito mais intensidade. Em junho de 2026, o espetáculo reservado para essas noites escuras é especial: três planetas do nosso Sistema Solar aparecem juntos no horizonte oeste, visíveis a olho nu logo após o pôr do sol.
A lua nova de junho cai no dia 14. Por alguns dias antes e depois dessa data, o céu noturno fica praticamente sem a interferência da luz lunar — é como desligar uma lâmpada muito forte num quarto escuro para ver melhor os detalhes. E é exatamente nesses dias que Mercúrio, Vênus e Júpiter formam um trio brilhante no horizonte, esperando por você.
O que é lua nova — e por que ela importa para quem quer olhar o céu?
A Lua segue um ciclo de aproximadamente 29 dias, passando por diferentes fases. Quando falamos em “lua nova”, estamos dizendo que a Lua está posicionada entre a Terra e o Sol — de tal jeito que, daqui de baixo, ela fica completamente escura e invisível no céu.
Pense assim: a lua cheia funciona como um farol de carro apontado direto nos seus olhos à noite. Ela ilumina o céu inteiro e apaga as estrelas mais fracas ao redor. Já a lua nova é o farol desligado — de repente você enxerga tudo que estava escondido. Por isso, os dias ao redor da lua nova são os favoritos dos astrônomos amadores do mundo inteiro: é a janela de ouro para observar o céu sem interferência.
O trio de planetas no horizonte oeste
Logo após o pôr do sol, olhe para o oeste — a direção onde o sol se põe. É lá que você vai encontrar os três planetas de junho brilhando juntos.
Vênus é o mais fácil de identificar: é o objeto mais brilhante no céu noturno, depois da própria Lua. Imagine um diamante enorme pregado no horizonte — impossível de não notar. Isso acontece porque Vênus tem uma atmosfera espessa coberta de nuvens brancas que refletem quase toda a luz solar que chega nele, funcionando como um espelho gigante no espaço.
Júpiter aparece logo em seguida, também muito brilhante. É o maior planeta do Sistema Solar — tão grande que a Terra inteira caberia dentro dele mais de 1.300 vezes. Visualmente, ele aparece como uma estrela amarelada intensa, pouco acima de Vênus no horizonte. Você não vai confundir um com o outro: os dois são os pontos mais chamativos do céu nessa direção.

Mercúrio é o mais desafiador do trio. Por ser o planeta mais próximo do Sol, ele nunca se afasta muito do horizonte e sempre aparece numa região do céu ainda iluminada pelo brilho residual do pôr do sol. É como tentar ver uma vela acesa numa janela enquanto o sol ainda bate nela: a vela está lá, mas precisa de atenção para encontrar. Um binóculo ajuda bastante, mas num horizonte limpo e com um céu claro, ele já aparece a olho nu.
Como e quando observar
O horário ideal é entre 30 e 60 minutos após o pôr do sol. Nesse intervalo, o céu já escureceu o suficiente para os planetas aparecerem com nitidez, mas Mercúrio ainda não desapareceu abaixo do horizonte. Antes disso, o céu está claro demais. Depois, Mercúrio some.
Procure um lugar com o horizonte oeste desobstruído: uma praia, um campo aberto, uma praça sem prédios altos no caminho. A poluição luminosa — o brilho artificial das cidades que clareia o céu à noite, como se alguém acendesse um refletor enorme apontado para cima — dificulta ver objetos mais fracos, mas não impede de enxergar Vênus e Júpiter com clareza mesmo de dentro de uma cidade.
As constelações do céu de junho
Além dos planetas, o céu de junho apresenta constelações marcantes. No sul, a constelação de Escorpião está em destaque — reconhecível pelo seu formato de gancho curvo e pela estrela avermelhada Antares bem no centro. Antares é uma estrela supergigante vermelha: pense num Sol tão inchado que, se colocado no lugar do nosso, englobaria completamente as órbitas de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. O avermelhado da estrela é real e visível a olho nu em noites limpas.
Logo acima de Escorpião fica Ofiúco, o “carregador de serpentes” — uma constelação grande e pouco conhecida, mas facilmente visível no sul. Mais para o norte, próxima aos planetas no horizonte, Libra (a Balança) também marca presença no céu do entardecer, completando o cenário da estação.
Dicas para quem está começando
Deixe seus olhos se adaptarem: nossos olhos levam cerca de 20 minutos para se acostumar completamente ao escuro — é como entrar num cinema com a sessão já começada. No começo você não enxerga nada, mas aos poucos os detalhes vão aparecendo sozinhos. Não desanime nos primeiros minutos lá fora; espere um pouco antes de concluir que não há nada para ver.
Use o celular com moderação: a tela do smartphone emite luz azul que “reseta” a adaptação dos olhos ao escuro, fazendo você perder todo o progresso. Se precisar consultar um mapa do céu, use aplicativos como Stellarium ou SkySafari com o filtro de visão noturna ativado — eles exibem tudo em tons avermelhados, que não prejudicam a adaptação dos olhos.
Comece pelos planetas: Vênus é impossível de errar — o ponto mais brilhante no horizonte oeste logo após o anoitecer. Use-o como ponto de partida para encontrar Júpiter um pouco acima e Mercúrio mais perto do horizonte, logo abaixo de Vênus.
Perguntas frequentes
Preciso de telescópio para ver os planetas?
Não. Mercúrio, Vênus e Júpiter são todos visíveis a olho nu. Um binóculo ajuda bastante no caso de Mercúrio, mas não é obrigatório. Com um telescópio, você consegue ver as principais luas de Júpiter — as mesmas que Galileu Galilei descobriu com um instrumento simples em 1610 — e o formato de meia-lua de Vênus. Mas para começar, os olhos já são suficientes.
Por que a lua nova é melhor para observar estrelas?
A lua cheia ilumina o céu de tal forma que estrelas e objetos mais fracos ficam invisíveis — como tentar ver velas acesas numa sala iluminada. Com a lua nova, o céu fica completamente escuro entre o pôr e o nascer do sol, revelando muito mais objetos.
Em que direção fica o oeste?
É onde o sol se põe. Se você ficar de costas para onde o sol nasce de manhã (leste), o oeste estará na sua frente. É simples assim.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://apod.nasa.gov/apod/ap260614.html
https://apod.nasa.gov/apod/ap260612.html




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