Mineração de Meteoritos com Micróbios na ISS: A Nova Fronteira da Exploração Espacial
Uma Nova Era de Garimpo Cósmico Começa na Estação Espacial Internacional
Imagine um futuro onde não precisamos mais lançar todos os nossos recursos da Terra para o espaço. Um futuro onde missões para a Lua, Marte e além possam se sustentar extraindo materiais diretamente de asteroides e do solo de outros planetas. Esse futuro acaba de ficar um passo mais próximo da realidade, graças a um experimento pioneiro realizado a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).
Cientistas provaram com sucesso que é possível usar micróbios — especificamente, bactérias e fungos — para minerar metais valiosos de fragmentos de meteoritos em condições de microgravidade. Essa técnica, conhecida como biomineração, abre um leque de possibilidades para a exploração e colonização espacial, tornando as viagens interplanetárias mais baratas e sustentáveis.
O Que é Biomineração Espacial?
A biomineração não é um conceito novo. Aqui na Terra, ela já é usada como uma alternativa mais ecológica para extrair metais de minérios. O processo utiliza a habilidade natural de certos micro-organismos de ‘comer’ rochas. Na prática, eles produzem ácidos orgânicos, como os ácidos carboxílicos, que dissolvem a rocha e liberam os minerais presos em seu interior, que podem então ser coletados.
A grande questão era: será que esses pequenos mineiros conseguiriam trabalhar no ambiente desafiador do espaço? A ausência de gravidade muda tudo, desde como os líquidos se comportam até como as células se desenvolvem. O experimento BioAsteroid, uma colaboração entre a Universidade de Edimburgo e a Universidade Cornell, foi projetado para responder exatamente a essa pergunta.
O Experimento BioAsteroid na ISS
Conduzido pelo astronauta da NASA, Michael Scott Hopkins, o experimento levou pequenos reatores para a ISS. Dentro deles, amostras de meteorito (do tipo condrito-L, rico em metais) foram expostas a duas espécies de micróbios:
– Sphingomonas desiccabilis: uma bactéria conhecida por sua resistência.
– Penicillium simplicissimum: um fungo, parente do mofo de pão, mas com um apetite por rochas.
O objetivo era comparar a eficiência da extração de 44 elementos químicos diferentes no espaço com a de experimentos de controle realizados na Terra. Os pesquisadores queriam entender não apenas se a biomineração funcionava, mas como a microgravidade afetava o comportamento e o metabolismo desses micróbios.
Resultados Surpreendentes em Microgravidade
Os resultados foram fascinantes. Embora a bactéria tenha se saído bem, o fungo Penicillium simplicissimum foi a estrela do show. Em microgravidade, seu metabolismo mudou de forma inesperada, aumentando a produção de moléculas e ácidos que o tornaram ainda mais eficiente na extração de metais do que na Terra.
Especificamente, a liberação de paládio — um metal precioso e raro, mais valioso que o ouro, usado em eletrônicos e catalisadores — foi significativamente amplificada pela ação do fungo no espaço. Isso sugere que a microgravidade, em vez de ser um obstáculo, pode na verdade ser uma aliada para certos processos biotecnológicos.
Segundo Rosa Santomartino, professora da Universidade Cornell e autora principal do estudo, os resultados mostram que, enquanto a extração não-biológica (apenas com produtos químicos) foi menos eficaz no espaço, a presença dos micróbios manteve a extração em um nível estável, e em alguns casos, a aprimorou.
O Futuro da Mineração Fora da Terra
Essa descoberta é um marco para o conceito de Utilização de Recursos In-Situ (ISRU), que é a ideia de ‘viver da terra’ no espaço. Em vez de lançar toneladas de material da Terra a um custo altíssimo, futuros exploradores poderiam minerar água, oxigênio e materiais de construção diretamente na Lua ou em Marte. A biomineração se apresenta como uma ferramenta de baixo consumo de energia e ecologicamente correta para essa tarefa.
Empresas como a Astroforge já estão de olho na mineração de asteroides, embora com métodos diferentes que envolvem lasers e ímãs. No entanto, a abordagem biológica oferece uma alternativa elegante e potencialmente mais sustentável. A pesquisa continua, mas uma coisa é certa: os menores organismos da Terra podem ter o maior impacto em nosso futuro entre as estrelas.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Perguntas frequentes
Por que minerar no espaço é importante?
Minerar recursos no espaço, como água e metais, pode reduzir drasticamente o custo e a complexidade de missões de longa duração, como viagens a Marte, pois permite que os astronautas produzam combustível, água potável e materiais de construção em vez de levá-los da Terra.
Quais metais foram extraídos no experimento?
O experimento testou a extração de 44 elementos. O fungo Penicillium simplicissimum mostrou-se especialmente eficaz na liberação de paládio, platina e outros elementos do grupo da platina em condições de microgravidade.
A biomineração pode ser perigosa para os astronautas ou para a ISS?
Não. Os experimentos são realizados em biorreatores selados e contidos para garantir a segurança. Os micróbios utilizados são cepas bem estudadas e não representam risco nas condições controladas do laboratório espacial.
Referências
https://news.cornell.edu/stories/2026/02/microbes-harvest-metals-meteorites-aboard-space-station
https://www.nasa.gov/missions/station/iss-research/harnessing-the-power-of-microbes-for-mining-in-space/
https://www.space.com/space-exploration/international-space-station/scientists-successfully-mine-meteorites-on-international-space-station-using-microbes
https://www.nature.com/articles/s41526-026-00567-3




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