IXPE da NASA Mede Anã Branca pela Primeira Vez e Revela Coluna de Gás Gigante

IXPE da NASA Mede Anã Branca pela Primeira Vez e Revela Coluna de Gás Gigante

O que é uma Anã Branca e por que a chamam de ‘vampira’?

Imagine uma estrela como o nosso Sol chegando ao fim de sua vida. Após esgotar seu combustível nuclear, ela não explode em uma supernova, pois não tem massa suficiente. Em vez disso, ela encolhe e se transforma em um objeto incrivelmente denso e quente, com um tamanho semelhante ao da Terra, mas com a massa do nosso Sol. Esse é o fascinante remanescente estelar que chamamos de anã branca.

Agora, imagine que essa anã branca não está sozinha. Ela faz parte de um sistema binário, orbitando perto de uma estrela companheira. Devido à sua imensa gravidade, a anã branca começa a ‘sugar’ o gás e a matéria de sua vizinha, como um vampiro cósmico. Esse material roubado forma um anel giratório ao redor da anã branca, conhecido como disco de acreção.

É exatamente esse cenário que os cientistas observaram no sistema EX Hydrae, localizado a cerca de 200 anos-luz de nós. Este sistema é classificado como uma ‘polar intermediária’, um tipo especial de sistema binário onde o campo magnético da anã branca é forte o suficiente para interferir nesse banquete cósmico, canalizando o material em direção aos seus polos magnéticos.

IXPE: Os ‘Óculos de Sol’ da NASA para Enxergar Raios-X

Observar esse processo violento não é fácil. A matéria que cai na anã branca atinge temperaturas de milhões de graus, emitindo energia não como luz visível, mas como raios-X de alta energia. Para estudar esse fenômeno, a NASA utilizou uma ferramenta revolucionária: o Imaging X-ray Polarimetry Explorer (IXPE).

Pense na polarização como usar óculos de sol polarizados para reduzir o brilho do sol em uma estrada molhada. Os óculos filtram a luz que vibra em uma direção específica, permitindo que você veja a estrada com mais clareza. De forma análoga, o IXPE mede a polarização dos raios-X, que é a direção preferencial em que as ondas de luz estão vibrando.

Essa informação funciona como um mapa, revelando a geometria e as condições físicas da fonte de luz de uma maneira que nenhum outro telescópio conseguia antes. Ao apontar o IXPE para a EX Hydrae por quase uma semana, os astrônomos conseguiram, pela primeira vez, medir a polarização dos raios-X vindos de uma anã branca.

Uma Coluna de Gás Surpreendentemente Alta

As descobertas, publicadas no The Astrophysical Journal, foram surpreendentes. A equipe, liderada por cientistas do MIT, descobriu que o material que cai na anã branca não atinge a superfície diretamente. Em vez disso, ele forma uma imensa coluna de gás brilhante que se estende por quase 3.200 quilômetros de altura – quase metade do raio da própria anã branca!

Essa ‘torre’ de plasma superaquecido é muito mais alta do que os modelos teóricos previam. Além disso, os dados do IXPE confirmaram uma suspeita antiga: os raios-X emitidos por essa coluna primeiro ricocheteiam na superfície da anã branca antes de serem lançados para o espaço, como a luz de um farol refletida no mar.

Essas medições detalhadas da geometria do sistema só foram possíveis graças à capacidade única do IXPE de analisar a polarização da luz. É como conseguir enxergar os detalhes de uma estrutura minúscula a centenas de anos-luz de distância.

Por Que Esta Descoberta é Importante?

Compreender a dinâmica de sistemas como o EX Hydrae é fundamental para a astrofísica. As anãs brancas são como laboratórios cósmicos que nos permitem estudar a física em condições extremas de gravidade e magnetismo, condições impossíveis de replicar na Terra.

As informações coletadas pelo IXPE sobre este sistema ‘vampiro’ ajudarão os cientistas a refinar seus modelos sobre como a matéria se comporta ao redor de objetos compactos. Esse conhecimento não se aplica apenas a anãs brancas, mas também a sistemas ainda mais extremos e misteriosos, como estrelas de nêutrons e buracos negros.

A missão IXPE, uma colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Italiana, continua a abrir uma nova janela para o universo de alta energia, provando que, ao olharmos para o céu com ‘olhos’ diferentes, podemos desvendar segredos cósmicos que antes estavam ocultos.

Perguntas Frequentes

O que é uma anã branca?
É o núcleo denso e quente que resta de uma estrela de baixa a média massa (como o nosso Sol) depois que ela esgota seu combustível nuclear. Ela tem a massa de um sol compactada no tamanho da Terra.

O que é a missão IXPE?
É um telescópio espacial da NASA projetado para medir a polarização dos raios-X de objetos cósmicos. Essa medição ajuda os cientistas a entender a geometria e os processos físicos de fontes extremas como buracos negros, estrelas de nêutrons e anãs brancas.

O nosso Sol se tornará uma anã branca ‘vampira’?
O Sol se tornará uma anã branca em cerca de 5 bilhões de anos, mas como é uma estrela solitária, não terá uma companheira para ‘sugar’ matéria. Ele simplesmente esfriará lentamente ao longo de trilhões de anos.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

NASA’s IXPE Measures White Dwarf Star for First Time


https://news.mit.edu/2025/first-look-innermost-region-white-dwarf-system-1120

Imaging X-ray Polarimetry Explorer (IXPE)


https://iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-4357/ae11b5
https://www.space.com/astronomy/scientists-get-1st-good-look-at-a-vampire-star-feeding-on-its-victim

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