Cometa Interestelar 3I/ATLAS: Sonda da NASA Revela Segredos de Visitante Cósmico

Cometa Interestelar 3I/ATLAS: Sonda da NASA Revela Segredos de Visitante Cósmico

Um Viajante de Longe: A Descoberta do 3I/ATLAS

No vasto palco do cosmos, poucos eventos são tão cativantes quanto a chegada de um objeto de outro sistema estelar. Em julho de 2025, astrônomos identificaram um desses raros mensageiros: o cometa 3I/ATLAS. Detectado pelo sistema de alerta de asteroides ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), financiado pela NASA, este cometa marcou a terceira vez que a humanidade registrou um visitante interestelar cruzando nosso quintal cósmico. Sua jornada, vindo da direção da constelação de Sagitário, o coração da nossa Via Láctea, oferece uma oportunidade sem precedentes para estudar a matéria-prima de outros mundos.

Diferente dos cometas que orbitam nosso Sol, o 3I/ATLAS segue uma trajetória hiperbólica. Isso significa que ele se move rápido demais para ser capturado pela gravidade solar. Ele está apenas de passagem, uma visita única que mobilizou uma frota de telescópios e sondas da NASA para observá-lo antes que desapareça novamente na escuridão interestelar. Essa velocidade impressionante, que atingiu cerca de 246.000 km/h em sua aproximação máxima do Sol, é a assinatura de sua origem exótica.

O Olhar Atento da Sonda TESS

A missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, projetada para caçar exoplanetas, voltou suas lentes para o 3I/ATLAS em janeiro de 2026. Durante uma campanha de observação especial, a sonda coletou dados valiosos que estão ajudando os cientistas a desvendar a velocidade de rotação e a atividade do cometa. As imagens mostram o 3I/ATLAS como um ponto brilhante com uma cauda distinta, um espetáculo celeste que, embora cerca de 100 vezes mais fraco do que o olho humano pode ver, é rico em informações.

Essas observações são cruciais porque a rotação de um cometa pode revelar muito sobre sua história e estrutura interna. Ao analisar as variações de brilho, os astrônomos podem determinar quão rápido o núcleo do cometa está girando. Curiosamente, a TESS já havia registrado o cometa em maio de 2025, dois meses antes de sua descoberta oficial, um fato que só foi percebido ao se revisitar dados antigos. Essa “pré-descoberta” forneceu uma linha de base ainda mais longa para o estudo de seu comportamento.

Composição: Uma Janela para Outros Sistemas Solares

O que torna o 3I/ATLAS tão fascinante é sua composição. Como uma cápsula do tempo de seu sistema estelar de origem, ele carrega pistas sobre as condições químicas de onde nasceu. Análises espectrais, incluindo as realizadas pelo Lowell Discovery Telescope, indicam que a composição do 3I/ATLAS, em termos de gases como cianogênio (CN) e carbono diatômico (C2), se enquadra na faixa considerada típica para cometas do nosso próprio Sistema Solar. No entanto, cada visitante interestelar tem suas peculiaridades.

O núcleo do cometa, um corpo sólido de gelo e rocha, tem um tamanho estimado entre 440 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro. À medida que se aproximou do Sol, o calor fez com que seus gelos sublimassem, liberando gás e poeira para formar uma nuvem brilhante chamada coma e sua cauda característica. Estudar a proporção desses materiais ajuda os cientistas a comparar a “receita” de formação de cometas em diferentes partes da galáxia, testando se os processos que formaram nosso Sistema Solar são universais ou únicos.

Uma Oportunidade Científica Rara

A passagem do 3I/ATLAS é um evento científico de grande importância. Ele se junta a ‘Oumuamua (descoberto em 2017) e 2I/Borisov (descoberto em 2019) no exclusivo clube de objetos interestelares observados. Cada um desses objetos apresentou características distintas, mostrando que a diversidade encontrada em nosso Sistema Solar pode ser apenas uma pequena amostra da variedade que existe na galáxia. O 3I/ATLAS, por exemplo, parece ter uma composição mais “normal” do que o 2I/Borisov, que era notavelmente rico em monóxido de carbono.

A campanha de observação envolveu múltiplos recursos da NASA, incluindo os telescópios espaciais Hubble e James Webb, além de sondas como a Parker Solar Probe. Essa colaboração massiva garante que a maior quantidade possível de dados seja coletada. Embora o cometa não represente nenhuma ameaça para a Terra, passando a uma distância segura de cerca de 270 milhões de quilômetros, seu estudo é fundamental para a defesa planetária e para nossa compreensão fundamental da formação de planetas.

Perguntas Frequentes

O que é um cometa interestelar?

É um cometa que se originou em outro sistema estelar e não está gravitacionalmente ligado ao nosso Sol. Ele atravessa nosso Sistema Solar em uma trajetória aberta (hiperbólica) e depois continua sua viagem pelo espaço interestelar.

Como sabemos que o 3I/ATLAS veio de fora do Sistema Solar?

Sua alta velocidade e trajetória hiperbólica são as principais evidências. Objetos do nosso Sistema Solar seguem órbitas elípticas fechadas ao redor do Sol, mas o 3I/ATLAS está se movendo rápido demais para ser capturado pela gravidade solar.

Podemos ver o cometa 3I/ATLAS da Terra?

Sim, desde o final de 2025, o cometa se tornou observável em céus escuros com o auxílio de pequenos telescópios. Ele permaneceu visível até meados de 2026 para observadores no hemisfério correto.

Referências

https://science.nasa.gov/blogs/3iatlas/2026/01/27/nasas-tess-reobserves-comet-3i-atlas/

https://science.nasa.gov/solar-system/comets/3i-atlas/3i-atlas-facts-and-faqs/

https://lowell.edu/lowell-astronomers-shed-light-on-third-known-interstellar-object-comet-3i-atlas/

https://www.skyatnightmagazine.com/news/nasa-tess-3i-atlas

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

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