Chivito de Drácula: Hubble Revela o Maior Berçário de Planetas Já Visto

Chivito de Drácula: Hubble Revela o Maior Berçário de Planetas Já Visto

Chivito de Drácula: Hubble Revela o Maior Berçário de Planetas Já Visto

O Telescópio Espacial Hubble, em uma de suas observações mais fascinantes, capturou uma imagem espetacular do maior e mais caótico berçário de planetas já descoberto pela humanidade. Conhecido oficialmente como IRAS 23077+6707, este objeto cósmico recebeu o apelido curioso de “Chivito de Drácula”, uma alcunha que combina o folclore europeu com a culinária sul-americana. Localizado a aproximadamente 1.000 anos-luz de distância, na constelação de Cefeu, este disco protoplanetário oferece uma visão sem precedentes sobre os processos turbulentos que dão origem a novos mundos.

A imagem, divulgada como um presente de Natal para os entusiastas da astronomia, revela uma estrutura que se assemelha a um morcego cósmico ou a um gigantesco sanduíche espacial. Essa aparência é, na verdade, um vasto disco de gás e poeira visto quase perfeitamente de perfil. A faixa escura central, densa em poeira, bloqueia a luz da estrela jovem que se aninha em seu coração, enquanto as partes superior e inferior brilham com a luz refletida, criando uma imagem de beleza estonteante e de profundo valor científico.

O que torna o Chivito de Drácula tão notável não é apenas seu tamanho colossal, mas a sua natureza surpreendentemente caótica. As novas imagens do Hubble mostram plumas e filamentos de material se estendendo muito acima e abaixo do plano principal do disco, de uma forma nunca antes vista com tanto detalhe. Esta descoberta desafia as noções anteriores de que os berçários planetários seriam ambientes relativamente ordenados, sugerindo que a formação de planetas pode ser um processo muito mais dinâmico e violento do que se imaginava.

O Que é um Disco Protoplanetário?

Para entender a importância desta descoberta, é útil usar uma analogia simples. Imagine que você está fazendo biscoitos. Depois de cortar as formas principais da massa, sobra um monte de pedaços de massa no balcão. Essa massa restante não é desperdiçada; ela pode ser reunida para fazer biscoitos menores. Um disco protoplanetário é como essa massa de biscoito cósmica. Ele é o que resta do gás e da poeira após a formação de uma estrela em seu centro.

Essa matéria-prima não fica parada. Sob a influência da gravidade da estrela recém-nascida, o disco gira, se achata e, ao longo de milhões de anos, as partículas de poeira começam a se aglutinar. Primeiro, formam-se grãos, depois seixos, e estes se juntam para formar corpos do tamanho de asteroides chamados planetesimais. Eventualmente, através de colisões e fusões contínuas, esses planetesimais podem crescer e se tornar planetas. O Chivito de Drácula é um desses discos, mas em uma escala monumental. Ele se estende por cerca de 640 bilhões de quilômetros, o que é aproximadamente 40 vezes o diâmetro do nosso Sistema Solar, medido até a borda externa do Cinturão de Kuiper.

Uma Janela para o Passado do Nosso Sistema Solar

Estudar o Chivito de Drácula é como ter uma máquina do tempo que nos permite espiar as condições do nosso próprio Sistema Solar há cerca de 4,6 bilhões de anos. Embora o disco IRAS 23077+6707 seja muito maior e mais massivo — estima-se que contenha material equivalente a 10 a 30 vezes a massa de Júpiter —, os processos fundamentais de formação planetária que ocorrem lá são provavelmente semelhantes aos que formaram a Terra e seus vizinhos.

Os astrônomos acreditam que este sistema gigantesco tem material mais do que suficiente para formar um vasto sistema planetário, potencialmente repleto de gigantes gasosos e mundos rochosos. Ao observar este laboratório cósmico único, os cientistas podem testar e refinar suas teorias sobre como os planetas nascem e evoluem em diferentes ambientes, desde os mais calmos até os mais extremos, como este.

O Olhar Penetrante do Hubble

A capacidade de observar o Chivito de Drácula com tanto detalhe é um testemunho do poder duradouro do Telescópio Espacial Hubble. Lançado em 1990, o Hubble continua a ser uma ferramenta indispensável para a astronomia. Neste caso, sua visão aguçada em luz visível permitiu aos pesquisadores discernir as estruturas finas e os filamentos que outros telescópios não conseguiriam resolver.

A visão quase de perfil (ou “edge-on”) do disco foi um golpe de sorte. Essa orientação permite que os astrônomos estudem a estrutura vertical do disco, medindo a espessura da poeira e a altura das plumas de gás. Segundo Kristina Monsch, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (CfA) e líder da equipe de pesquisa, “o nível de detalhe que estamos vendo é raro”, tornando este sistema um laboratório único para o estudo da formação planetária.

Um Berçário Planetário Caótico e Assimétrico

A descoberta mais intrigante sobre o Chivito de Drácula é sua estrutura assimétrica. As imagens do Hubble revelaram que os impressionantes filamentos verticais aparecem apenas em um lado do disco. O outro lado, em contraste, parece ter uma borda nítida e sem as mesmas plumas de material. Essa aparência desequilibrada chocou os cientistas.

“Ficamos atordoados ao ver o quão assimétrico este disco é”, disse Joshua Bennett Lovell, astrônomo do CfA e membro da equipe. Essa assimetria sugere que processos dinâmicos e poderosos estão em ação. Uma possibilidade é que o disco tenha sido recentemente perturbado pela queda de uma grande quantidade de gás e poeira de seu entorno interestelar. Outra hipótese é que interações gravitacionais com estrelas próximas ou com planetas já em formação dentro do disco estejam esculpindo sua forma de maneira tão irregular. Compreender a causa dessa assimetria é agora uma das principais questões para os pesquisadores.

A Origem de um Nome Inusitado

Por trás de cada grande descoberta científica, muitas vezes há uma história humana. O apelido “Chivito de Drácula” é um exemplo divertido disso. Ele nasceu de uma brincadeira entre os membros da equipe de pesquisa, refletindo suas origens. Uma das pesquisadoras é da Transilvânia, a lendária casa do Conde Drácula, o que inspirou a primeira parte do nome.

A segunda parte, “Chivito”, vem do Uruguai. O chivito é um sanduíche de carne maciço e icônico, considerado o prato nacional do país, terra natal de outro cientista da equipe. A aparência do disco, com sua faixa escura central (a carne) e as nebulosas brilhantes acima e abaixo (o pão), tornou a analogia com o sanduíche irresistível. É um lembrete de que a ciência, mesmo quando explora os confins do cosmos, é uma atividade profundamente humana.

Perguntas frequentes

O que é o Chivito de Drácula?

É o apelido do disco protoplanetário IRAS 23077+6707, o maior berçário de planetas já observado. É uma estrutura gigantesca de gás e poeira ao redor de uma estrela jovem, onde novos planetas estão se formando.

Por que esta descoberta é importante?

Ela revela que os ambientes de formação de planetas podem ser muito mais caóticos e assimétricos do que se pensava. Seu tamanho e estrutura únicos oferecem um laboratório sem precedentes para estudar como os sistemas planetários, incluindo o nosso, se originam.

Qual o tamanho deste disco?

O Chivito de Drácula tem um diâmetro de aproximadamente 640 bilhões de quilômetros, o que é cerca de 40 vezes o tamanho do nosso Sistema Solar. É uma estrutura verdadeiramente colossal.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://www.cfa.harvard.edu/news/nasas-hubble-reveals-largest-found-chaotic-birthplace-planets
https://iopscience.iop.org/article/10.3847/1538-4357/ae247f

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