Auroras Negras: NASA lança missões para desvendar mistério do céu noturno
O que são as misteriosas auroras negras?
Imagine o céu noturno dançando com luzes verdes, rosas e violetas. Essas são as auroras boreais, um dos espetáculos mais impressionantes da natureza. Mas e se, no meio desse balé de luzes, surgissem manchas escuras, como se alguém estivesse “apagando” partes do céu? Essas são as auroras negras, um fenômeno que intriga cientistas e que a NASA está determinada a decifrar.
Recentemente, a agência espacial americana lançou duas missões de foguetes gêmeos do Alasca, chamadas BADASS e GNEISS, para investigar esses “buracos” no céu. O objetivo é entender a complexa “fiação” elétrica da nossa atmosfera e como ela interage com o vento solar, as partículas carregadas que vêm do Sol. Compreender esse circuito cósmico não é apenas curiosidade científica; é crucial para proteger nossos satélites, astronautas e até mesmo as redes elétricas aqui na Terra.
Como as auroras se formam?
Pense no Sol como uma fonte gigante de partículas energéticas. Quando essas partículas, o vento solar, viajam pelo espaço e atingem o campo magnético da Terra, elas são canalizadas para os polos. Ao colidirem com os gases da nossa atmosfera, como oxigênio e nitrogênio, elas liberam energia na forma de luz, criando as auroras que vemos.
É como se a atmosfera fosse uma tela de televisão gigante e as partículas solares fossem os elétrons que a iluminam. A cor da aurora depende de qual gás é atingido e a que altitude. O verde, por exemplo, vem do oxigênio a cerca de 100 a 300 quilômetros de altura.
O enigma das auroras negras
Se as auroras normais são formadas por elétrons que “chovem” do espaço para a nossa atmosfera, as auroras negras são o oposto. Os cientistas acreditam que, nessas áreas escuras, os elétrons estão sendo sugados de volta para o espaço. É uma inversão de fluxo, um curto-circuito no sistema elétrico da aurora.
A missão BADASS (Black and Diffuse Auroral Science Surveyor) foi projetada especificamente para voar através de uma dessas auroras negras e medir o que está acontecendo. O foguete suborbital, lançado em 9 de fevereiro, alcançou 360 quilômetros de altitude, coletando dados preciosos sobre essa reversão no fluxo de elétrons. Os resultados iniciais confirmaram que os instrumentos funcionaram perfeitamente, abrindo uma nova janela para entendermos esse fenômeno.
Uma “tomografia computadorizada” do céu
A segunda missão, chamada GNEISS (Geophysical Non-Equilibrium Ionospheric System Science), foi ainda mais ambiciosa. Lançada em 10 de fevereiro, ela usou um par de foguetes para realizar o que os cientistas descrevem como uma “tomografia computadorizada” das correntes elétricas da aurora.
Imagine que você quer entender como a eletricidade se espalha por um objeto complexo. Uma tomografia (CT scan) usa raios-X de vários ângulos para criar um mapa 3D. A missão GNEISS fez algo parecido: os dois foguetes, voando lado a lado, ejetaram submódulos que mediram o ambiente elétrico de diferentes pontos dentro da aurora. Ao mesmo tempo, receptores no solo analisavam como o plasma atmosférico alterava os sinais de rádio enviados pelos foguetes. Combinando tudo isso, os pesquisadores conseguem criar um mapa tridimensional de como as correntes elétricas se movem e se dissipam.
Por que estudar as auroras é tão importante?
Além de sua beleza, as auroras são a manifestação visível de eventos climáticos espaciais poderosos, conhecidos como tempestades geomagnéticas. Essas tempestades podem ter consequências sérias para nossa tecnologia.
Elas podem sobrecarregar redes elétricas, causando apagões, interferir em sinais de rádio e GPS, e até mesmo danificar satélites em órbita. Para os astronautas no espaço, a radiação associada a essas tempestades é um risco real. Ao entender a “fiação” por trás das auroras, incluindo os misteriosos circuitos das auroras negras, podemos prever melhor esses eventos e proteger nossa infraestrutura e exploradores espaciais.
Perguntas frequentes
As auroras negras são perigosas?
Não, elas são um fenômeno visual e parte de um processo natural na alta atmosfera. O perigo real vem das tempestades geomagnéticas que causam as auroras, que podem afetar a tecnologia.
Posso ver uma aurora negra?
Sim, mas é preciso sorte! Elas aparecem como manchas ou faixas escuras se movendo dentro de uma aurora difusa, que já é mais fraca. São mais facilmente vistas em fotografias de longa exposição do céu noturno em altas latitudes.
O que significam os nomes das missões, BADASS e GNEISS?
São acrônimos em inglês. BADASS significa “Black and Diffuse Auroral Science Surveyor” (Inspetor Científico de Auroras Negras e Difusas). GNEISS significa “Geophysical Non-Equilibrium Ionospheric System Science” (Ciência do Sistema Ionosférico Geofísico Fora de Equilíbrio), e sua pronúncia em inglês soa como a palavra “nice” (legal).
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://www.space.com/stargazing/auroras/nasa-launches-twin-rocket-missions-from-alaska-to-study-mysterious-black-auroras
https://www.nasa.gov/blogs/wallops/2026/02/05/nasa-rocket-to-conduct-ct-scan-of-auroral-electricity/
https://www.gi.alaska.edu/news/badass-mission-launches-poker-flat




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