Aurora Boreal Vista do Espaço: O Espetáculo de Luzes Verdes e Vermelhas Sobre a Europa

Aurora Boreal Vista do Espaço: O Espetáculo de Luzes Verdes e Vermelhas Sobre a Europa

Um Espetáculo de Luzes Cósmicas Visto do Espaço

Imagine flutuar a mais de 400 quilômetros acima da Terra e testemunhar um balé de luzes verdes e vermelhas dançando no horizonte. Foi exatamente essa a visão que astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) tiveram em 19 de janeiro de 2026, ao olharem para o norte, sobre a Europa. O que eles viram não era um show de fogos de artifício, mas um dos fenômenos mais impressionantes da natureza: a aurora boreal.

Conhecida como “luzes do norte”, a aurora é uma manifestação visível da complexa interação entre o Sol e o nosso planeta, um fenômeno que os cientistas chamam de clima espacial. Longe de ser apenas uma bela exibição, ela nos conta uma história sobre partículas energéticas, campos magnéticos e a atmosfera que nos protege. É a prova de que o espaço, mesmo parecendo vazio, está cheio de atividade e energia.

O que Causa as Luzes no Céu?

Para entender a aurora, pense em uma lâmpada de neon. Dentro do tubo de vidro, a eletricidade energiza um gás, que libera essa energia na forma de luz. A aurora funciona de maneira muito parecida, mas em uma escala astronômica. O Sol constantemente envia um fluxo de partículas carregadas, chamado de vento solar. Quando esse vento atinge o campo magnético da Terra, algumas dessas partículas são afuniladas em direção aos polos.

Ao entrarem em alta velocidade na nossa atmosfera, essas partículas solares colidem com átomos e moléculas de gases, principalmente oxigênio e nitrogênio. Essa colisão transfere energia para os gases, “excitando-os”. Quase que instantaneamente, eles liberam essa energia extra na forma de fótons — as pequenas partículas de luz que, juntas, formam as cortinas e fitas luminosas que chamamos de aurora.

As Cores da Aurora: Uma Paleta Cósmica

As cores vibrantes de uma aurora não são aleatórias. Elas funcionam como uma impressão digital, revelando quais gases foram atingidos e a que altitude a colisão ocorreu.

Verde: A cor mais comum, ocorre quando partículas solares colidem com moléculas de oxigênio em altitudes de 100 a 200 quilômetros. É a cor que nossos olhos captam com mais facilidade.

Vermelho: Uma cor mais rara, formada pela colisão com oxigênio em altitudes muito mais elevadas, acima de 200 quilômetros. Como o ar é mais rarefeito, o processo é mais lento, e essa luz avermelhada muitas vezes é fraca demais para ser vista a olho nu, embora câmeras consigam captá-la, como na foto da NASA.

Azul e Púrpura/Rosa: Essas cores são geradas por colisões com o nitrogênio. O azul e o púrpura geralmente aparecem nas bordas inferiores das auroras, em altitudes mais baixas, por volta de 100 quilômetros.

A Dança Magnética entre o Sol e a Terra

Nosso planeta possui um escudo protetor invisível chamado magnetosfera, gerado pelo núcleo de ferro líquido em seu interior. É esse campo magnético que desvia a maior parte do vento solar, protegendo a vida na Terra. No entanto, essa interação não é sempre tranquila.

Ocasionalmente, o Sol libera uma quantidade imensa de energia e matéria em um evento chamado Ejeção de Massa Coronal (CME). Se essa “bolha” de plasma solar viaja em direção à Terra, ela pode causar uma tempestade geomagnética. Durante uma tempestade, a magnetosfera é comprimida e sobrecarregada, permitindo que muito mais partículas entrem na atmosfera. O resultado são auroras incrivelmente intensas e que podem ser vistas em latitudes muito mais baixas do que o normal.

Perguntas Frequentes

Por que a aurora boreal tem cores diferentes?
As cores dependem do tipo de gás na atmosfera (principalmente oxigênio e nitrogênio) e da altitude onde as partículas solares colidem com eles. Oxigênio em altitudes mais baixas produz o verde, enquanto em altitudes muito altas gera o vermelho. Nitrogênio tende a criar tons de azul e púrpura.

A aurora boreal faz algum som?
Embora existam relatos históricos e anedóticos de sons como estalos e assobios durante auroras intensas, cientificamente, o fenômeno é complexo. Como a aurora ocorre em altitudes muito elevadas, onde o ar é extremamente rarefeito, é improvável que sons audíveis sejam produzidos ali e viajem até o solo. Pesquisas sugerem que campos elétricos fortes próximos ao solo, associados à mesma tempestade geomagnética, poderiam causar esses sons.

É possível prever quando uma aurora vai acontecer?
Sim, com certa antecedência. Agências como a NOAA e a NASA monitoram a atividade solar constantemente. Ao detectar uma Ejeção de Massa Coronal (CME) ou um fluxo de vento solar de alta velocidade vindo em nossa direção, os cientistas conseguem prever a chegada de uma tempestade geomagnética com algumas horas ou dias de antecedência, aumentando a probabilidade de auroras.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://science.nasa.gov/sun/auroras/
https://www.swpc.noaa.gov/content/aurora-tutorial
https://www.nasa.gov/image-article/red-green-light-show/
https://spaceplace.nasa.gov/aurora/
https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/The_Sun/What_is_space_weather

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