Caminhada espacial feminina: 6ª missão com duas astronautas na ISS

Caminhada espacial feminina: 6ª missão com duas astronautas na ISS

O que você precisa saber

Duas astronautas realizam a 6ª caminhada espacial exclusivamente feminina da história.
A primeira vez que isso aconteceu foi em 2019, quase 60 anos depois da primeira caminhada espacial da humanidade.
A caminhada é transmitida ao vivo, e qualquer pessoa pode assistir do conforto de casa.

Imagine flutuar a 400 km da Terra, com um traje de mais de 100 kg que não pesa nada ali em cima. O corpo humano nunca foi feito para isso, e ainda assim duas mulheres estão lá, do lado de fora da Estação Espacial Internacional (ISS), prontas para realizar a sexta caminhada espacial da história formada apenas por astronautas mulheres. Parece pouco, porque é. Mas é justamente essa repetição que transforma o extraordinário em normal.
A primeira vez que esse cenário aconteceu, em 2019, as astronautas Christina Koch e Jessica Meir viraram notícia no mundo todo. Elas saíram da ISS para substituir uma peça do sistema de energia da estação, que tinha falhado. Na época, a missão foi comparada a um marco histórico: quase 60 anos depois que o soviético Alexei Leonov fez a primeira caminhada espacial da humanidade, em 1965, finalmente duas mulheres fizeram isso juntas. Agora, essa cena se repete pela sexta vez. A novidade é que não é mais novidade.
Neste artigo, você vai entender o que é uma caminhada espacial, por que a 6ª edição importa, o que as astronautas fazem lá fora e como o futuro das caminhadas está mudando. Pense nisso como um guia para acompanhar um dos ambientes mais hostis que um ser humano pode visitar — sem precisar sair do sofá.

O que é uma caminhada espacial?

Uma caminhada espacial não tem nada a ver com passear. É, na verdade, um trabalho de manutenção, reparo e instalação do lado de fora de uma nave ou estação espacial, em condições extremamente perigosas. As astronautas saem pela escotilha da ISS e ficam flutuando no vácuo, protegidas apenas por um traje que funciona como uma nave em miniatura. O traje fornece oxigênio, remove gás carbônico, controla a temperatura interna e protege contra micro meteoritos, que são pequenos pedaços de rocha ou metal que viajam em alta velocidade. É como uma casa ambulante: tudo o que a pessoa precisa para sobreviver está carregado nas costas.
Para entender o desafio, pense em uma piscina funda. O corpo flutua, mas qualquer movimento errado tem um efeito enorme. No espaço, isso é mais extremo, porque não existe atrito para parar um giro. Se uma astronauta empurrar uma ferramenta com força demais, ela pode sair girando sem controle. Por isso, elas usam uma espécie de corda de segurança chamada ‘tether’, que as mantém conectadas à estação. E não existe margem para improviso: cada parafuso, cada conector, cada passo é ensaiado muitas vezes em piscinas de treinamento na Terra, usando réplicas da estação.
A primeira caminhada espacial da história foi feita pelo soviético Alexei Leonov, em 1965. Ele ficou apenas 12 minutos lá fora e teve dificuldade até para voltar para a nave, porque o traje ficou inflado e rígido. Hoje, as caminhadas duram horas e envolvem tarefas complexas. E, apesar do perigo, as astronautas de hoje estão bem mais preparadas do que Leonov estava. Elas não estão explorando território desconhecido; estão fazendo um trabalho técnico de altíssima precisão.

Por que a 6ª vez é uma notícia?

Seis pode parecer pouco, mas é um número carregado de significado. A primeira caminhada espacial totalmente feminina aconteceu em outubro de 2019, quase seis décadas depois da primeira caminhada espacial da humanidade. E o intervalo entre os eventos mostra como a presença feminina no espaço foi atrasada por fatores sociais, e não por falta de capacidade. As primeiras astronautas mulheres da NASA foram escolhidas apenas em 1978, e demoraram mais para ser incluídas em caminhadas espaciais. A cosmonauta soviética Svetlana Savitskaya foi a primeira mulher a caminhar no espaço, em 1984, mas foi uma missão solo. Depois dela, poucas mulheres tiveram essa experiência.
A missão de 2019 foi um divisor de águas. Christina Koch e Jessica Meir substituíram um controlador de energia que havia falhado na ISS. O trabalho foi um sucesso, e, mais importante, mostrou que equipes femininas são tão eficientes quanto qualquer outra. A partir daí, o número de caminhadas toda feminina começou a crescer. A 6ª edição consolida essa trajetória. Ela diz que não estamos diante de um evento isolado, mas de uma prática que tende a se tornar comum.
Isso importa para além do simbolismo. Estudos mostram que a diversidade em equipes científicas melhora a qualidade das decisões e dos resultados. No espaço, onde cada erro pode ser fatal, ter uma variedade de perspectivas e experiências é uma vantagem. E para uma criança que sonha em ser astronauta, ver duas mulheres trabalhando fora da estação é um lembrete de que esse sonho não tem gênero.

O que as astronautas fazem lá fora?

As caminhadas espaciais têm objetivos bem práticos. No caso atual, as astronautas devem realizar tarefas de manutenção no exterior da ISS. Isso pode incluir instalar painéis solares, trocar experimentos científicos, inspecionar componentes e preparar a estação para futuras missões. Não é um passeio turístico: é uma obra em um ambiente hostil, com prazos e metas.
Uma boa analogia é consertar o motor de um carro em movimento, usando luvas de inverno grossas, sem poder pisar no chão e com o veículo viajando a 27 mil km/h. Cada ferramenta precisa ser presa para não flutuar. Cada parafuso exige delicadeza, porque o traje reduz a sensibilidade das mãos. A falta de gravidade significa que os objetos não ficam onde você os coloca; eles flutuam. Por isso, as astronautas usam dezenas de prendedores e fitas adesivas para manter tudo no lugar.
Além disso, elas precisam administrar o próprio corpo. O esforço físico é intenso, e o traje não ventila como uma roupa normal. Quando a ISS está iluminada pelo Sol, a temperatura externa pode passar de 100 °C. Quando está na sombra da Terra, cai para cerca de -100 °C. O traje regula a temperatura interna, mas a diferença é sentida. Por isso, as caminhadas são planejadas em etapas, com pausas para descanso, se necessário.

O futuro das caminhadas espaciais

A 6ª caminhada toda feminina não é um ponto final. Ela faz parte de uma preparação maior para os próximos capítulos da exploração espacial. A NASA pretende voltar à Lua com o programa Artemis, e a primeira mulher a pisar na superfície lunar vai participar de caminhadas por lá. Os trajes usados nas missões lunares são mais avançados, com melhor mobilidade e proteção contra o regolito, a poeira lunar que gruda em tudo e pode danificar equipamentos.
O que as astronautas fazem hoje na ISS serve como treino para esses desafios futuros. Elas testam procedimentos, usam ferramentas e aprendem a lidar com o corpo em ambientes extremos. Cada caminhada gera dados para engenheiros melhorarem trajes e protocolos. E o protagonismo feminino nessas tarefas ajuda a demolir barreiras que persistiram por muito tempo.
A exploração espacial é, por definição, uma atividade para toda a humanidade. Quanto mais diversos forem os exploradores, mais completas serão as descobertas. A ciência não se importa com o gênero de quem faz a pergunta; ela responde a qualquer um que seja curioso, corajoso e preparado. O que estamos vendo agora é exatamente isso: preparação e coragem, em dose igual, do lado de fora da estação espacial.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

1. Uma caminhada espacial é perigosa?
Sim, e por isso é uma operação extremamente planejada. Os trajes protegem contra o vácuo, a radiação e as temperaturas extremas, e as astronautas são treinadas por anos para lidar com imprevistos. Ainda assim, o risco nunca é zero.
2. Por que as mulheres demoraram tanto para fazer caminhadas espaciais?
Porque a inclusão de mulheres no seleto grupo de astronautas foi tardia e cheia de preconceitos. A primeira mulher a caminhar no espaço foi em 1984, mas a primeira dupla feminina aconteceu apenas em 2019. A ciência nunca apontou limitações; foram barreiras culturais.
3. O que acontece se uma astronauta se soltar da estação?
Existe um protocolo de emergência. As astronautas usam cordas de segurança e, em alguns casos, mochilas a jato individuais que permitem voltar à estação. É um cenário temido, mas as chances são reduzidas por treinamento e equipamento.

Referências

Space.com — Assista à 6ª caminhada espacial exclusivamente feminina hoje

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