Mercúrio e Júpiter se encontram no céu: conjunção imperdível nesta semana
O que você precisa saber
• Mercúrio e Júpiter fazem uma conjunção próxima na manhã de 15 de agosto, separados por apenas 0,6° no céu
• Vênus atinge sua maior elongação leste e aparece ao lado da Lua crescente no céu da tarde
• Marte se aproxima do aglomerado estelar M35, visível com binóculos antes do amanhecer
Imagine acordar antes do Sol, quando o céu ainda está mudando do azul-escuro para tons de laranja. Você olha para o horizonte leste e vê dois pontos brilhantes, muito próximos um do outro, como se fossem faróis de carros em uma estrada distante. Essa é a cena que espera os observadores na manhã de 15 de agosto de 2026, quando Mercúrio e Júpiter se encontram em uma conjunção especial.
Nesta semana, o céu oferece uma série de encontros entre planetas, a Lua e aglomerados de estrelas. Não é necessário ter equipamentos caros ou conhecimentos avançados de astronomia. Um simples binóculo ou até mesmo os olhos, em condições de céu limpo, revelam esses eventos. A natureza faz o espetáculo; nossa parte é apenas olhar para cima.
O artigo original da Astronomy Magazine, escrito por Alison Klesman, detalha os eventos celestes de 14 a 21 de agosto de 2026. A seguir, traduzimos as informações mais importantes para que leigos e crianças possam entender e aproveitar cada momento. Vamos explorar juntos o que o céu tem preparado.
O encontro de Mercúrio e Júpiter na madrugada
Na manhã de sábado, 15 de agosto, dois planetas muito diferentes se encontram no céu. Mercúrio passa a apenas 0,6° ao norte de Júpiter por volta das 5h no horário do leste dos Estados Unidos. Para entender essa distância, estique o braço e levante o dedo mindinho: ele cobre cerca de 1° no céu. Então Mercúrio e Júpiter estarão ainda mais próximos que a largura do seu dedo mindinho.
Mercúrio brilha com magnitude –1,2, enquanto Júpiter é ainda mais brilhante, com magnitude –1,8. Quanto menor o número, mais brilhante o objeto. É como comparar duas lanternas: uma mais forte e outra um pouco mais fraca, mas ambas claramente visíveis. A dupla surge no horizonte leste cerca de uma hora antes do Sol nascer.
Com binóculos ou um telescópio pequeno, você percebe diferenças enormes entre eles. Mercúrio está a 1,2 unidades astronômicas da Terra — uma unidade astronômica é a distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros. Seu disco aparente tem apenas 6 segundos de arco de diâmetro, iluminado em 85%. Júpiter, mesmo estando muito mais longe, a 6,3 unidades astronômicas, aparece como um disco de 31 segundos de arco — mais de cinco vezes maior que o de Mercúrio.
É como olhar para uma moeda pequena perto de você e uma pizza grande do outro lado da rua. A pizza está mais distante, mas mesmo assim parece muito maior porque é gigantesca de verdade. Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar; Mercúrio é o menor. Vê-los juntos no mesmo campo de visão é uma oportunidade rara e educativa.
Esta conjunção ocorre próxima ao aglomerado aberto M44, também conhecido como Colmeia ou Beehive Cluster. Mercúrio passou perto dele na manhã anterior. Na manhã do dia 15, Mercúrio e Júpiter estarão a cerca de 3° a sudeste da Colmeia. Se você olhar para a direção certa, talvez consiga ver um pequeno enxame de estrelas jovens como pano de fundo para o encontro planetário.
Após o dia 15, os dois planetas começam a se separar. Na manhã seguinte, já estarão a cerca de 2° de distância. Mercúrio fica um pouco mais brilhante, atingindo magnitude –1,3. O show continua, mas o momento mais íntimo é na madrugada de sábado.
Vênus e a Lua no céu do entardecer
Vênus atinge sua maior elongação leste em 15 de agosto, ficando 46° a leste do Sol. Pense nisso como se Vênus estivesse no ponto mais distante do Sol no céu da tarde, como um corredor que se afasta o máximo possível do ponto de partida antes de voltar. Isso faz dele um objeto muito fácil de ver após o pôr do Sol.
Naquela noite, a Lua crescente fina aparece logo acima e à esquerda de Vênus, no oeste. Ambos estão na constelação de Virgem, perto da estrela dupla Porrima, também chamada Gamma Virginis. Eles desaparecem cerca de 90 minutos após o pôr do Sol, então você precisa olhar cedo.
Na noite de domingo, 16 de agosto, a Lua passa a 2° ao sul de Vênus pela manhã, mas o encontro visível acontece ao anoitecer. Quando o céu escurece, Vênus aparece como um ponto muito brilhante a cerca de 9,5° à direita da Lua crescente. É como ver uma joia brilhante ao lado de uma lâmpada suave.
Com um telescópio, Vênus também mostra uma fase crescente. Em 16 de agosto, ele está 48% iluminado, parecido com uma versão em miniatura da própria Lua. Seu diâmetro aparente é de 25 segundos de arco. Vênus passou pela dicotomia — o momento em que metade do disco aparece iluminada — na semana anterior. Agora, ele começa a diminuir lentamente, como uma bola sendo coberta por uma sombra que avança devagar.
Espiga, a estrela mais brilhante da constelação de Virgem, fica à esquerda da Lua. Ela brilha quase 2.000 vezes mais que o nosso Sol, mas está a 250 anos-luz de distância. É como ver uma luz muito potente de longe: ainda parece um ponto, mas sabemos que é algo extraordinário.

Marte visita o aglomerado M35
Na madrugada de sexta-feira, 14 de agosto, Marte fica a menos de 1° do aglomerado aberto M35. Esse aglomerado é um grupo de mais de cem estrelas jovens, localizado na constelação de Gêmeos. Para encontrar a região, procure as “cabeças” dos gêmeos, as estrelas Castor e Pólux, no alto do céu leste antes do amanhecer.
Marte cruzou da constelação de Touro para Gêmeos dois dias antes. Por volta das 4h45 no horário local de verão, o Planeta Vermelho estará a quase 30° de altura no leste, à direita de Castor e Pólux. Marte tem magnitude 1,3, fácil de ver a olho nu. A estrela Eta Geminorum, de terceira magnitude, fica a cerca de 2° a noroeste de Marte; o planeta passará perto dela mais para o fim da semana.
M35 brilha com magnitude 5,3, aparecendo no mesmo campo de visão de binóculos que Marte, a apenas 1° a nordeste do planeta. O aglomerado tem quase metade de um grau de diâmetro — o mesmo tamanho aparente da Lua cheia no céu. É como olhar para um punhado de purpurina espalhado em um pedaço de papel escuro. Com um telescópio pequeno, dezenas de estrelas aparecem; com telescópios maiores, mais de cem.
Para ver o máximo de estrelas de M35, use a menor ampliação possível. Isso amplia o campo de visão, como abrir uma janela maior para enxergar mais do quintal. Astrônomos amadores experientes sabem que aglomerados abertos como M35 são melhores com binóculos ou telescópios de baixo poder.
As luas de Júpiter no momento da conjunção
Observadores da costa leste dos Estados Unidos podem ver a lua Io passando na frente de Júpiter enquanto o planeta surge no horizonte. Esse trânsito termina por volta das 6h20 no horário do leste, pouco depois de Júpiter nascer no meio-oeste americano. Nessas regiões, o planeta ainda estará baixo demais no céu, perto do horizonte, e a atmosfera espessa pode atrapalhar a observação.
Depois que o trânsito de Io termina, a lua fica sozinha a oeste de Júpiter. Enquanto isso, as outras luas galileanas — Europa, Calisto e Ganimedes — ficam a leste do planeta. É como ver quatro crianças em fila, cada uma em uma posição diferente ao redor de um adulto no centro.
As quatro luas galileanas foram descobertas por Galileu Galilei em 1610. Vê-las é uma das experiências mais gratificantes para quem tem qualquer telescópio, mesmo pequeno. Elas mudam de posição rapidamente, noite após noite. Se você observar Júpiter em várias noites seguidas, verá o movimento constante das luas em suas órbitas.
Como observar com segurança
Ao observar planetas próximos ao Sol antes do amanhecer ou após o entardecer, a segurança vem primeiro. Nunca olhe diretamente para o Sol, mesmo por alguns segundos. Use sempre proteção adequada ou espere o Sol estar completamente abaixo do horizonte. Guarde binóculos e telescópios bem antes do nascer do Sol para evitar qualquer risco de dano à visão.
Para observar conjunções, procure um local com horizonte leste desobstruído para os eventos da manhã. Prédios, montanhas e árvores podem esconder os planetas. Um binóculo simples é suficiente para ver Mercúrio e Júpiter juntos, além do aglomerado M35. Um telescópio pequeno revela as luas de Júpiter e as fases de Vênus.
Encontre um lugar seguro, com pouca iluminação artificial. Deixe seus olhos se adaptarem à escuridão por pelo menos 15 minutos — é como entrar em um quarto escuro e esperar as pupilas dilatarem. Aproveite o momento, respire e contemple o céu. A paciência é sua aliada.
Por que essas conjunções importam
As conjunções planetárias ocorrem porque os planetas do Sistema Solar orbitam o Sol em um plano parecido, mas com velocidades diferentes. Imagine uma estrada circular com carros em faixas diferentes: os mais próximos do centro completam voltas mais rápido, os mais distantes, mais devagar. De vez em quando, dois carros ficam alinhados do ponto de vista de quem observa de fora. É exatamente isso que acontece com Mercúrio, mais rápido, e Júpiter, mais lento.
Esses encontros são oportunidades de aprender sobre o movimento dos astros. Astrônomos amadores do mundo inteiro registram conjunções, comparam medidas e compartilham imagens. Para crianças, é um convite à curiosidade: por que os planetas se movem? Por que brilham com intensidades diferentes? O que são aquelas luas ao redor de Júpiter?
A beleza desses eventos é que eles não exigem conhecimento prévio. Basta olhar para o céu na hora certa e deixar a imaginação trabalhar. Cada planeta tem sua história, sua distância, seu tamanho. Vê-los lado a lado nos lembra que fazemos parte de um sistema em movimento, uma vizinhança cósmica cheia de encontros.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Perguntas frequentes
Preciso de telescópio para ver a conjunção de Mercúrio e Júpiter?
Não, os dois planetas são visíveis a olho nu como pontos brilhantes perto do horizonte leste. Binóculos melhoram a observação, mostrando os dois no mesmo campo de visão e as luas de Júpiter.
Qual o melhor horário para observar Vênus e a Lua?
Logo após o pôr do Sol, olhe para o oeste. Ambos aparecem próximos e desaparecem cerca de 90 minutos depois. O céu ainda escuro o suficiente torna Vênus fácil de achar.
O que é o aglomerado M35 e por que ele aparece perto de Marte?
M35 é um grupo de mais de cem estrelas jovens na constelação de Gêmeos. Como Marte se move pelo céu ao longo das semanas, ele passa perto de diferentes objetos ao fundo, criando encontros visuais que mudam a cada noite.
Referências
Astronomy Magazine — The Sky This Week from August 14 to 21: Mercury and Jupiter meet
Time and Date — Jupiter’s Moons: Io, Europa, Ganymede and Callisto
NASA Science — Venus: Facts




Publicar comentário