Marte encontra M35: veja o encontro celeste antes do amanhecer

Marte encontra M35: veja o encontro celeste antes do amanhecer

O que você precisa saber

Marte estará a menos de 1° do aglomerado estelar aberto M35 na madrugada de 14 de agosto de 2026
Ambos ficam na constelação de Gêmeos, perto dos “pés” dos gêmeos Castor e Pólux
O par cabe no mesmo campo de visão de binóculos ou telescópio com baixa ampliação

Por que olhar para o céu antes do Sol nascer? Às vezes, a resposta é um encontro que só acontece uma vez a cada dois anos. Na madrugada de sexta-feira, 14 de agosto de 2026, Marte — o planeta vermelho que fascina a humanidade há milênios — passará a uma distância aparente de menos de um grau do aglomerado estelar M35. Para quem tem binóculos ou um pequeno telescópio, é como ver duas joias cósmicas lado a lado no mesmo campo de visão.

Marte acabou de mudar de endereço no céu. Há apenas dois dias, ele cruzou a fronteira invisível entre as constelações de Touro e Gêmeos. Agora, está na região que os astrônomos antigos imaginavam como os pés dos gêmeos mitológicos Castor e Pólux. É ali, perto da estrela Eta Geminorum, que o Planeta Vermelho fará sua passagem próxima ao aglomerado M35.

Imagine que o céu é um grande mapa, e as constelações são como bairros. Marte, sendo um planeta, não fica parado — ele caminha por esse mapa, passando de um bairro para outro. Nos últimos meses, ele estava em Touro, perto da estrela Zeta Tauri, a ponta do chifre do touro celeste. Agora, ele entrou em Gêmeos e vai visitar um dos condomínios de estrelas mais bonitos da região: o M35.

Mas por que isso importa para você, que talvez nunca tenha apontado um telescópio para o céu? Porque encontros assim são raros. Marte leva cerca de 687 dias para dar uma volta completa ao redor do Sol. Isso significa que ele passa por diferentes partes do céu em ritmo próprio, e nem sempre encontra um aglomerado tão brilhante e acessível como o M35. Quando isso acontece, é uma oportunidade perfeita para ver dois tipos de objetos celestes completamente diferentes — um planeta rochoso e um grupo de estrelas jovens — praticamente colados no céu.

Onde e quando olhar

Por volta das 4h45 da manhã, no horário de verão local, Marte estará quase 30 graus acima do horizonte leste. Para ter uma ideia dessa altura, estique o braço e abra a mão: a distância entre a ponta do polegar e a ponta do dedo mínimo, com o braço esticado, cobre cerca de 20 graus no céu. Marte estará um pouco acima disso.

Você não precisa de céu perfeito nem de equipamento caro para encontrá-lo. Primeiro, localize as duas estrelas brilhantes que representam as cabeças de Gêmeos: Castor e Pólux. Elas formam um par fácil de reconhecer no céu de inverno e primavera. Marte estará bem acima e à direita desse par, como se estivesse flutuando sobre os pés da constelação.

O Planeta Vermelho tem magnitude 1,3 — brilho suficiente para ser visto a olho nu mesmo em áreas com alguma poluição luminosa. Ele aparece como um ponto alaranjado, lembrando uma brasa distante. Logo abaixo e à esquerda, você verá a estrela Eta Geminorum, de terceira magnitude, que serve como um guia natural para encontrar M35.

O que é M35?

M35 é o que os astrônomos chamam de aglomerado aberto. Pense nele como uma festa de estrelas recém-nascidas que ainda não se separaram. Elas nasceram juntas, da mesma nuvem de gás e poeira, e continuam viajando pelo espaço em grupo, como amigos que saíram da mesma escola e ainda andam juntos.

Esse aglomerado fica a cerca de 2.800 anos-luz da Terra. Isso significa que a luz que você verá naquela madrugada saiu de lá por volta do ano 800 a.C., quando impérios antigos floresciam aqui na Terra. M35 brilha com magnitude 5,3 — visível a olho nu em locais muito escuros, mas muito melhor com binóculos ou telescópio.

O aglomerado se estende por quase meio grau no céu, o que corresponde aproximadamente ao tamanho aparente da Lua Cheia. Dentro desse círculo, mais de uma centena de estrelas jovens dançam ao redor umas das outras, ligadas pela gravidade. Com binóculos, você verá dezenas delas pontilhando o fundo escuro. Com um telescópio maior, o número aumenta, mas há um truque: mantenha o aumento baixo. Quanto maior o aumento, menor o campo de visão — e você quer ver Marte e M35 juntos, como se estivessem posando para a mesma foto.

O encontro de dois mundos diferentes

Ali, separados por apenas um grau no céu, estarão dois objetos que não poderiam ser mais diferentes. Marte é um mundo rochoso, com metade do tamanho da Terra, coberto por poeira avermelhada rica em óxido de ferro — imagine a ferrugem de um prego velho espalhada por um planeta inteiro. É essa ferrugem que dá a Marte sua cor característica.

M35, por outro lado, é um grupo de estrelas jovens e quentes, cada uma delas uma fornalha nuclear que transforma hidrogênio em hélio em seu núcleo. Elas não têm superfície sólida onde se possa pisar — são bolas gigantes de plasma incandescente. Marte reflete a luz do Sol; as estrelas de M35 geram a própria luz.

É como comparar uma bola de futebol (Marte, sólido, refletindo luz) com uma lâmpada acesa (cada estrela de M35, emitindo luz própria). Quando você olha para o par no céu, está vendo dois tipos de luz completamente diferentes chegando ao seu olho ao mesmo tempo: a luz solar refletida pela superfície marciana e a luz gerada no coração de estrelas distantes.

Como observar

O melhor horário é entre 4h30 e 5h30 da manhã, horário local. O crepúsculo começa a clarear o céu por volta das 5h40, então aproveite a janela escura. Vista-se bem — agosto pode ser frio nas madrugadas, mesmo no hemisfério norte — e dê alguns minutos para seus olhos se adaptarem à escuridão.

Se você tem binóculos 7×50 ou 10×50, já está bem equipado. Aponte para Marte, que aparecerá como um ponto alaranjado brilhante. M35 estará a cerca de um grau a nordeste — ou seja, para cima e para a direita, se você estiver no hemisfério norte olhando para o leste. Em binóculos, os dois devem aparecer juntos no mesmo campo de visão. É uma visão delicada, como se Marte tivesse ganhado uma coroa de estrelas.

Com um telescópio, use a menor ampliação disponível. Se você tiver uma ocular de 25 mm ou 32 mm, use-a. Isso maximiza o campo de visão e permite enquadrar o par. Aumentos altos podem mostrar detalhes da superfície de Marte — como calotas polares ou regiões escuras — mas farão M35 desaparecer do campo. Se quiser ver os dois juntos, resista à tentação de aumentar demais.

Por que esse encontro é especial

Marte passou de Touro para Gêmeos há apenas dois dias. Até o fim da semana, ele continuará se aproximando de Eta Geminorum. Mas o encontro com M35 é efêmero — em poucos dias, o Planeta Vermelho terá se afastado do aglomerado, e a visão se desfará. A próxima vez que Marte passará tão perto de M35 pode levar anos.

Isso acontece porque Marte, visto da Terra, se move lentamente contra o pano de fundo das estrelas. É como assistir a um carro passando por um cruzamento: por alguns momentos, ele fica alinhado com um poste de luz distante, mas logo segue adiante. O alinhamento é temporário, mas a lembrança da visão fica.

A madrugada de 14 de agosto também oferece um bônus: a Lua crescente estará presente, com apenas 7% de iluminação, nascendo por volta das 8h20 da manhã. Ela não interferirá na observação de Marte e M35, pois estará baixa e discreta. O nascer do Sol, às 6h11, encerra a janela de observação.

Uma conexão com o passado

O aglomerado M35 foi descoberto por Philippe Loys de Chéseaux em 1745 e catalogado por Charles Messier em 1764. Messier era um caçador de cometas francês que criou uma lista de objetos que não eram cometas, para não se confundir em suas buscas. M35 entrou para essa lista como o 35º objeto — daí o nome.

Hoje, mais de dois séculos e meio depois, você pode ver exatamente o que Messier viu, mas com um detalhe extra: Marte, o planeta que os antigos associavam à guerra por causa de sua cor avermelhada, está ali como convidado especial. É como se a história da astronomia se encontrasse com a exploração planetária moderna em uma única imagem.

Marte é hoje alvo de missões robóticas, com rovers percorrendo sua superfície e orbitadores mapeando suas crateras. Mas, naquela madrugada, longe de toda a tecnologia, você poderá vê-lo como os antigos viam: um ponto brilhante, vermelho como brasa, viajando entre as estrelas. A diferença é que agora sabemos que ele é um mundo — e que as estrelas ao lado dele são sóis distantes, cada um possivelmente com seus próprios planetas.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas frequentes

Preciso de telescópio para ver Marte e M35 juntos?

Não. Binóculos 7×50 ou 10×50 são ideais, pois oferecem campo de visão amplo. A olho nu, em céu escuro, você pode ver Marte facilmente e M35 como uma mancha difusa.

O que é um aglomerado aberto?

É um grupo de estrelas que nasceram juntas da mesma nuvem de gás e poeira. Elas permanecem próximas por milhões de anos antes de se dispersarem pela galáxia.

Marte estará mesmo dentro do aglomerado M35?

Não. Eles estarão separados por cerca de um grau no céu — aproximadamente duas vezes o diâmetro da Lua Cheia. É uma proximidade aparente, pois M35 está a 2.800 anos-luz, enquanto Marte está a poucos minutos-luz de distância.

Por que Marte é vermelho?

A superfície de Marte é rica em óxido de ferro, o mesmo material da ferrugem. Essa poeira avermelhada reflete a luz do Sol e dá ao planeta sua cor característica.

Referências

Astronomy.com — The Sky Today on Friday, August 14: Mars meets M35
NASA Science — Mars
NASA Science — Messier 35

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