Estrela Mira A Ejeta Nuvem em Forma de Coração: Descoberta Surpreende Astrônomos

Estrela Mira A Ejeta Nuvem em Forma de Coração: Descoberta Surpreende Astrônomos

Um Coração Cósmico: A Descoberta Surpreendente da Estrela Mira A

No vasto teatro do universo, um espetáculo celestial capturou a atenção de astrônomos bem a tempo para o Dia dos Namorados. A cerca de 300 anos-luz de distância, uma estrela moribunda chamada Mira A decidiu presentear o cosmos com uma gigantesca ejeção de gás e poeira, esculpindo uma estrutura que se assemelha a um coração brilhante. Este fenômeno não é obra de um cupido cósmico, mas sim o processo dramático e belo da morte estelar.

Observações recentes, combinando dados de alguns dos telescópios mais poderosos do mundo, revelaram esta nuvem em forma de coração com um detalhe sem precedentes. A descoberta, liderada pelo astrônomo Theo Khouri da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, surpreendeu a comunidade científica. Não apenas pela sua forma evocativa, mas principalmente pela sua escala e natureza inesperadas, desafiando o que sabíamos sobre os estágios finais da vida de estrelas como a nossa.

O que torna este evento tão especial é a sua magnitude. A nuvem de material expelido pela Mira A tem uma massa equivalente a sete vezes a massa da Terra, um volume colossal que excede em muito as previsões dos modelos teóricos. Este “último suspiro” estelar oferece uma janela única para entendermos como as estrelas enriquecem o universo com os elementos essenciais para a formação de novos mundos e, talvez, de nova vida.

O que é a Estrela Mira A?

Imagine uma estrela que pulsa como um coração. Essa é a Mira A. Localizada na constelação de Cetus (a Baleia), ela é classificada como uma gigante vermelha. Pense nela como uma estrela idosa, que já foi muito parecida com o nosso Sol, mas que agora está nos seus estágios finais. Ao envelhecer, ela se expandiu enormemente, tornando-se centenas de vezes maior que o Sol, e sua superfície começou a pulsar em um ciclo que dura meses.

Essas pulsações fazem com que seu brilho varie drasticamente, um comportamento tão característico que ela deu nome a toda uma classe de estrelas: as variáveis Mira. Além disso, Mira A não está sozinha; ela faz parte de um sistema binário, dançando pelo espaço com uma companheira menor e mais densa, uma anã branca chamada Mira B. Esta companheira, que já foi uma estrela como o Sol, agora é o núcleo remanescente e superdenso de uma estrela morta.

O processo de envelhecimento de uma gigante vermelha é como uma árvore perdendo suas folhas no outono. A estrela libera suas camadas externas de gás e poeira para o espaço, um processo conhecido como perda de massa. É exatamente esse material “descartado” que formou a impressionante nuvem em forma de coração que agora observamos.

A Descoberta da Nuvem em Forma de Coração

Detectar uma estrutura tão complexa a centenas de anos-luz de distância exige tecnologia de ponta. A equipe de astrônomos utilizou dois dos observatórios mais avançados do planeta, ambos localizados no deserto do Atacama, no Chile: o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) e o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

O VLT observa o universo na luz visível e infravermelha, enquanto o ALMA é especializado em ondas de rádio de comprimento milimétrico e submilimétrico. É como ter dois tipos diferentes de visão: um que vê o calor e a luz visível (VLT) e outro que consegue enxergar através da poeira para mapear o gás frio (ALMA). Ao combinar dados coletados entre 2015 e 2023, os cientistas conseguiram montar um quebra-cabeça cósmico.

O resultado foi uma imagem tridimensional detalhada da nuvem. Eles descobriram que o gás preenche o interior da estrutura em forma de coração, enquanto a poeira, mais fria, está concentrada principalmente nas suas bordas, criando um contorno brilhante. Esta separação entre gás e poeira é uma das peças intrigantes do mistério que os cientistas agora tentam decifrar.

Um Fenômeno Inesperado e Grandioso

O que mais chocou os pesquisadores foi a escala do evento. As teorias sobre a evolução estelar previam que estrelas como Mira A perdessem massa de forma gradual e relativamente simétrica. No entanto, a ejeção que formou o coração cósmico foi súbita, massiva e surpreendentemente assimétrica. Foi um verdadeiro “arroto” estelar, liberando uma quantidade de matéria cerca de 100 vezes maior do que o esperado para um único evento.

Além disso, a estrela parece se comportar como um farol cósmico. A luz de Mira A não ilumina a nuvem de maneira uniforme. Em vez disso, ela varre o material ao redor, fazendo com que diferentes partes do “coração” brilhem em momentos distintos. Este efeito de farol sugere que a própria ejeção pode ter sido irregular ou que algo na superfície da estrela está bloqueando e redirecionando a luz de forma complexa.

Este comportamento desafia diretamente os modelos atuais. “Sabíamos que estrelas como a Mira perdem massa à medida que envelhecem, mas não esperávamos que isso acontecesse em explosões tão grandes e repentinas”, afirmou Theo Khouri. A descoberta força os cientistas a repensar os mecanismos que governam a morte das gigantes vermelhas.

O Fim de uma Estrela e a Criação de Mundos

A morte de uma estrela não é um fim, mas uma transformação. Ao expelir suas camadas externas, Mira A está semeando o cosmos. O gás e a poeira que formam o coração cósmico são ricos em elementos como carbono e oxigênio, forjados no interior da estrela ao longo de bilhões de anos. Esses são os mesmos elementos que formam planetas, luas e até mesmo os seres vivos.

Eventualmente, daqui a milhões de anos, essa nuvem se dispersará pelo espaço interestelar. Em outras partes da galáxia, a gravidade começará a juntar esse material reciclado, dando origem a uma nova geração de estrelas e sistemas planetários. O fim dramático de Mira A é, portanto, o começo de uma nova história cósmica. O material que hoje forma este coração romântico poderá, um dia, fazer parte de um novo mundo.

Os astrônomos continuarão a monitorar o sistema Mira, pois a nuvem em expansão está tão grande que em breve poderá começar a interagir com a estrela companheira, Mira B. Observar essa interação em tempo real fornecerá ainda mais pistas sobre a dinâmica complexa dos sistemas estelares binários e o ciclo de vida e morte no universo.

Perguntas Frequentes

O que é uma gigante vermelha?
Uma gigante vermelha é uma estrela em estágio avançado de sua vida. Ela já consumiu a maior parte do hidrogênio em seu núcleo e começou a se expandir, tornando-se muito maior e mais fria em sua superfície, o que lhe confere uma cor avermelhada.

Esta nuvem em forma de coração vai durar para sempre?
Não. A nuvem está se expandindo e, ao longo de milhares de anos, irá se dissipar no espaço interestelar, misturando-se com outro material cósmico para, eventualmente, formar novas estrelas e planetas.

Podemos ver a estrela Mira A da Terra?
Mira A é visível a olho nu em certas épocas do ano, mas seu brilho varia muito. Por estar a 300 anos-luz, a nuvem em forma de coração só pode ser vista com telescópios extremamente potentes, como o VLT e o ALMA.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Referências

https://www.space.com/astronomy/stars/a-stellar-treat-for-valentines-day-heart-shaped-outburst-stuns-astronomers
https://www.newsweek.com/valentines-day-astronomy-space-star-ejects-heart-shaped-cloud-mira-11520162
https://www.eso.org/public/news/eso2403/
https://arxiv.org/abs/2402.03159

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