Curiosity: A Volta do Rover a Nevado Sajama Para Desvendar Segredos de Marte
O Robô Geólogo de Marte: Uma Nova Missão em um Velho Local
Em uma dança cósmica de precisão e paciência, o rover Curiosity da NASA, nosso incansável laboratório sobre rodas em Marte, retornou a um local de perfuração que já havia revelado pistas fascinantes. Conhecido como “Nevado Sajama,” este pedaço de rocha marciana guardava segredos que motivaram os cientistas a programar uma segunda visita, mais aprofundada e equipada com uma técnica química especial.
Imagine encontrar um baú antigo. Na primeira vez, você consegue apenas espiar por uma fresta e vê algo brilhante. A curiosidade o consome, e você decide voltar com ferramentas melhores para abrir o cadeado e ver o tesouro completo. É exatamente isso que o Curiosity está fazendo. Os resultados iniciais foram tão intrigantes que a equipe da missão decidiu usar um de seus recursos mais preciosos para investigar mais a fundo.
O Segredo está na Química: O Instrumento SAM e o Reagente TMAH
No coração desta operação está o SAM (Sample Analysis at Mars), um dos instrumentos mais complexos e importantes a bordo do Curiosity. Pense no SAM como um laboratório de química em miniatura. Ele é capaz de “cheirar” e analisar os gases liberados de amostras de rocha e solo aquecidas, revelando sua composição molecular.
Para esta análise especial em Nevado Sajama, o rover utilizou a segunda e última ampola de um reagente químico chamado tetrametilamônio hidróxido (TMAH). Mas o que isso significa? Simplificando, o TMAH age como um “revelador” para moléculas orgânicas complexas. Muitas dessas moléculas, que são os blocos de construção da vida como a conhecemos, não se transformam em gás facilmente quando aquecidas, tornando-se indetectáveis para o SAM. O TMAH modifica quimicamente essas moléculas, permitindo que elas sejam vaporizadas e analisadas. É uma técnica poderosa para procurar por bioassinaturas, ou seja, sinais de vida passada ou presente.
Uma Semana de Ciência Multitarefa no Planeta Vermelho
Embora a análise com o SAM e o TMAH fosse a estrela do espetáculo, a equipe do Curiosity aproveitou cada watt de energia disponível para realizar uma série de outras observações científicas. Afinal, o tempo em Marte é precioso.
- ChemCam: Este instrumento dispara um laser em alvos rochosos para analisar sua composição à distância. Desta vez, mirou no interior do novo furo de perfuração e em uma rocha próxima chamada “Tiquipaya”, que foi quebrada pelas rodas do rover, expondo um material branco e brilhante em seu interior.
- MAHLI e APXS: Esta dupla trabalhou em conjunto. O MAHLI, uma câmera com lente de aumento, tirou fotos detalhadas dos detritos da perfuração, enquanto o APXS analisou a composição química elementar desse mesmo material. Isso fornece uma comparação direta com o que o SAM está analisando.
- Mastcam e Navcam: As “câmeras principais” do rover não ficaram ociosas. A Mastcam, que já havia criado um panorama de 360 graus na visita anterior, voltou seus olhos para o céu para medir a quantidade de poeira na atmosfera. As Navcams complementaram essas medições e buscaram por nuvens e redemoinhos de poeira (os famosos dust devils).
- RAD, REMS e DAN: Esses instrumentos são os sentinelas ambientais do Curiosity. O RAD mede a radiação, o REMS monitora o clima, e o DAN busca por hidrogênio (um indicador de água) no subsolo. Eles continuaram suas medições regulares, fornecendo um contexto vital para todas as outras descobertas.
Perguntas Frequentes
Por que o Curiosity perfura rochas em Marte?
Perfurar rochas permite que os instrumentos do rover analisem material que não foi alterado pela radiação severa e pela atmosfera fina da superfície de Marte. É como obter uma amostra fresca e protegida da história geológica do planeta.
O que são moléculas orgânicas e por que são importantes?
Moléculas orgânicas são moléculas que contêm carbono, geralmente ligado a átomos de hidrogênio. Embora possam ser criadas por processos não biológicos, elas são os blocos de construção fundamentais de toda a vida conhecida. Encontrá-las em Marte é um passo crucial na busca por sinais de vida passada.
Quanto tempo dura uma missão como a do Curiosity?
O Curiosity pousou em Marte em agosto de 2012 para uma missão primária de dois anos. No entanto, ele superou todas as expectativas e continua a operar e a fazer ciência valiosa por mais de uma década, subindo lentamente as encostas do Monte Sharp.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://science.nasa.gov/mission/msl-curiosity/
https://mars.nasa.gov/msl/spacecraft/instruments/sam/
https://www.jpl.nasa.gov/news/nasas-curiosity-rover-detects-largest-organic-molecules-found-on-mars
https://astrobiology.com/2024/02/nasas-curiosity-rover-is-doing-an-incredibly-rare-experiment-on-mars.html




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