Cometa Halley: O Monge que Descobriu sua Periodicidade 600 Anos Antes de Edmond Halley
O Cometa Halley e a Surpreendente História do Monge Astrônomo
Quando o famoso Cometa Halley cruzou os céus da Inglaterra em 1066, a maioria das pessoas olhava para cima com uma mistura de admiração e pavor. Cometas eram vistos como presságios, mensageiros de desastres ou grandes mudanças. No entanto, em meio à superstição geral, um monge beneditino idoso chamado Eilmer, da Abadia de Malmesbury, teve uma percepção extraordinária que o colocaria séculos à frente de seu tempo. Ele reconheceu o visitante celestial.
“Você veio, não é?”, teria dito Eilmer, conforme registrado pelo cronista do século XII, William of Malmesbury. “Você, fonte de lágrimas para muitas mães.” Mas essa não era apenas uma lamentação. Eilmer percebeu que já tinha visto aquele mesmo cometa antes, em 989, quando era apenas um jovem. Essa epifania silenciosa fez dele, possivelmente, a primeira pessoa na história a identificar a natureza periódica de um cometa, uma descoberta monumental geralmente creditada a Edmond Halley, mais de 600 anos depois.
O que é o Cometa Halley? Um Viajante Regular do Sistema Solar
Para entender a importância da observação de Eilmer, precisamos saber o que é o Cometa Halley. Pense nele como uma grande “bola de neve suja” cósmica, composta de gelo, poeira e rochas, com cerca de 15 por 8 quilômetros de tamanho. Ele viaja pelo espaço em uma órbita longa e elíptica ao redor do Sol. Essa viagem dura, em média, 76 anos. É por isso que o chamamos de cometa periódico.
A cada passagem pelo interior do Sistema Solar, o calor do Sol faz com que o gelo do cometa se transforme diretamente em gás, um processo chamado sublimação. Esse gás arrasta poeira e partículas, formando uma nuvem brilhante ao redor do núcleo (a coma) e duas caudas distintas: uma de poeira, amarelada e curva, e outra de íons (gás), azulada e reta. É esse espetáculo que vemos da Terra, um lembrete cintilante de que o universo está em constante movimento.
Edmond Halley e a Previsão que Mudou a Astronomia
O nome do cometa vem de Edmond Halley, um brilhante astrônomo inglês. Em 1705, usando as recém-publicadas leis da gravitação de Isaac Newton, Halley analisou os registros de cometas que apareceram em 1531, 1607 e 1682. Ele notou semelhanças impressionantes em suas órbitas e propôs uma ideia revolucionária: não eram três cometas diferentes, mas sim o mesmo objeto retornando.
Com base em seus cálculos, Halley previu que o cometa voltaria em 1758. Embora ele não tenha vivido para ver sua previsão se concretizar (faleceu em 1742), o cometa apareceu pontualmente, como um relógio cósmico. Foi uma prova triunfal das leis de Newton e da previsibilidade do universo. Em sua homenagem, o astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille nomeou o cometa 1P/Halley, e o nome pegou.
1066: O Ano em que um Cometa Marcou a História
A aparição de 1066, a mesma que Eilmer reconheceu, é uma das mais famosas da história. Ela ocorreu em um momento crucial para a Inglaterra. O Rei Harold Godwinson havia acabado de assumir o trono, mas sua coroa era cobiçada por Guilherme, o Duque da Normandia. Para os ingleses, o cometa era um terrível presságio. Para Guilherme, era um sinal divino de que sua invasão seria bem-sucedida.
O evento foi tão marcante que foi imortalizado na famosa Tapeçaria de Bayeux, uma obra bordada de quase 70 metros que narra a conquista normanda. Em uma de suas cenas, pessoas apontam assustadas para o cometa no céu. A história confirmou os temores ingleses: em outubro daquele ano, o Rei Harold foi derrotado e morto na Batalha de Hastings, e Guilherme, o Conquistador, tornou-se o novo rei da Inglaterra.
O Legado Esquecido de Eilmer de Malmesbury
Enquanto Edmond Halley usou matemática e física para sua previsão, a façanha de Eilmer foi baseada em pura observação e memória, um feito de ciência empírica notável para a Idade Média. Ele conectou duas aparições separadas por 77 anos, um intervalo muito próximo do período orbital real do cometa. Em uma época dominada pela superstição, onde cada cometa era um evento único e sobrenatural, a conclusão de Eilmer foi um salto lógico impressionante.
Por séculos, essa história permaneceu como uma nota de rodapé nos escritos de William of Malmesbury. Somente estudos recentes trouxeram à luz o brilhantismo desse monge astrônomo. Embora o nome de Halley permaneça para sempre ligado ao cometa, é justo reconhecer a sagacidade de Eilmer, o homem que, séculos antes, olhou para o céu e entendeu que aquele viajante cósmico era um velho conhecido.
Perguntas Frequentes
Quando o Cometa Halley será visível novamente?
A próxima vez que o Cometa Halley será visível da Terra é em 2061. Sua última aparição foi em 1986, quando foi estudado de perto por uma frota de espaçonaves.
Por que o Cometa Halley é tão famoso?
Ele é famoso por ser o primeiro cometa cuja periodicidade foi prevista e confirmada cientificamente, provando que os cometas podem ser visitantes regulares do nosso Sistema Solar, e não eventos isolados. Além disso, seus retornos foram registrados por mais de dois milênios, conectando-se a muitos eventos históricos importantes.
É possível ver detritos do Cometa Halley todos os anos?
Sim. A Terra passa por duas correntes de detritos deixados pelo Cometa Halley todos os anos, resultando em duas chuvas de meteoros: a Eta Aquáridas em maio e a Orionídeos em outubro.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://science.nasa.gov/solar-system/comets/1p-halley/
https://www.nasa.gov/history/955-years-ago-halleys-comet-and-the-battle-of-hastings/
https://www.universetoday.com/articles/the-monk-who-recognised-halleys-comet-first
https://en.wikipedia.org/wiki/Halley%27s_Comet
https://www.sciencemuseum.org.uk/objects-and-stories/halleys-comet-collisions-history




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