Como Encontrar 4 Naves Espaciais Lendárias no Céu de Janeiro
Como Encontrar 4 Naves Espaciais Lendárias no Céu de Janeiro
Você já olhou para o céu noturno e se perguntou onde estão as sondas e telescópios que enviamos para explorar o cosmos? Vivemos em uma era dourada da exploração espacial robótica. Máquinas incríveis viajam por bilhões de quilômetros, enfrentando condições extremas para nos enviar dados e imagens que transformam nossa compreensão do universo. Elas são nossas embaixadoras silenciosas nas profundezas do espaço.
Contudo, há uma verdade melancólica nessa jornada: é uma viagem sem volta. Naves como a Voyager 1 ou o Telescópio Espacial James Webb (JWST) jamais retornarão à Terra. Após o lançamento, elas se tornam pontos minúsculos e distantes, impossíveis de serem vistos diretamente, mesmo com os telescópios mais potentes. Elas estão destinadas a vagar pelo espaço, para sempre.
Mas isso não significa que as perdemos de vista. Embora não possamos ver a estrutura metálica dessas naves, podemos saber exatamente para qual pedaço do céu olhar para encontrá-las. Com um pouco de orientação, você pode apontar para uma direção e dizer: “É para lá que o James Webb está agora, desvendando os segredos do universo.” Este guia irá ajudá-lo a localizar a região do céu onde quatro dessas naves lendárias estão navegando em janeiro.
1. Telescópio Espacial James Webb (JWST)
Lançado no Natal de 2021, o JWST é o observatório espacial mais poderoso já construído. Sua missão é olhar para o passado do universo, observando as primeiras galáxias que se formaram, estudando a atmosfera de planetas distantes (exoplanetas) em busca de sinais de habitabilidade e entendendo como estrelas e sistemas planetários nascem. Pense nele como uma máquina do tempo que, em vez de nos levar ao passado, traz a luz de eventos antigos até nós.
Para encontrá-lo, olhe para o horizonte leste logo após o pôr do sol. Durante janeiro, o JWST traça um caminho sutil pelo céu. Por volta de 19 de janeiro, ele estará posicionado perto da estrela Nu Orionis, que fica no “braço levantado” da famosa constelação de Órion, o Caçador. Nas semanas seguintes, ele se moverá lentamente em direção ao brilho de Júpiter, passando pela estrela Alhena na constelação de Gêmeos.
Alvo Bônus: Já que você está olhando para Órion, aproveite para encontrar a Nebulosa de Órion. Localize as “Três Marias”, que formam o cinturão do caçador. A partir da estrela mais baixa, Alnitak, desvie seu olhar um pouco para baixo e à esquerda. Você notará um borrão de luz difusa e leitosa. Essa é a nebulosa, um berçário estelar onde novas estrelas estão se formando agora mesmo.
2. Sonda Europa Clipper
Lançada em outubro de 2024, a Europa Clipper está em uma longa jornada de 2,9 bilhões de quilômetros até Júpiter, onde chegará em abril de 2030. Sua missão é fascinante: investigar Europa, uma das luas geladas de Júpiter. Os cientistas acreditam que sob a crosta de gelo de Europa existe um vasto oceano de água salgada, e a Clipper foi projetada para descobrir se este oceano subterrâneo pode abrigar vida.
Encontrar a região da Europa Clipper exige um pouco mais de dedicação. Você precisará olhar para o horizonte sudeste por volta das 3 da manhã. Primeiro, localize a constelação de Libra, que parece uma espécie de pipa de estrelas. Em 18 de janeiro, a sonda estará perto da estrela Gamma Librae. Depois, ela continuará sua viagem em direção às estrelas que formam as “garras” da constelação de Escorpião.
Alvo Bônus: Enquanto estiver acordado, vire-se para o oeste e procure por um ponto de luz extremamente brilhante: o planeta Júpiter. Em janeiro, ele estará especialmente grande e luminoso, pois acabou de passar por sua “oposição”, o ponto em que a Terra fica exatamente entre ele e o Sol. Acima de Júpiter, você verá as estrelas Castor e Pollux, da constelação de Gêmeos.
3. Sonda JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer)
A missão JUICE, da Agência Espacial Europeia (ESA), chegará a Júpiter em julho de 2031, um ano após a Europa Clipper. Seu objetivo é complementar os estudos, investigando não apenas Europa, mas também as outras duas grandes luas geladas: Ganimedes e Calisto. A JUICE ajudará os cientistas a entender melhor os gigantes gasosos como Júpiter e a confirmar o potencial de vida microbiana nos oceanos ocultos de suas luas.
Em 19 de janeiro, a JUICE estará na constelação de Ofiúco (o Serpentário), um pouco abaixo da estrela Sabik, que aparece baixa no horizonte sudeste antes do amanhecer. Na semana seguinte, ela se moverá em direção ao famoso asterismo do “Bule” na constelação de Sagitário.
Alvo Bônus: Perto dali, você poderá notar uma estrela vermelha brilhante. Essa é Antares, uma supergigante vermelha no fim de sua vida. Ela é o coração da constelação de Escorpião e, um dia, irá explodir em uma espetacular supernova, um evento tão brilhante que poderá competir com o brilho de toda a nossa galáxia.
4. Sonda Voyager 1
A Voyager 1 é uma verdadeira lenda. Lançada em 1977, ela é a embaixadora da humanidade no cosmos, carregando o famoso “Disco de Ouro”, uma coleção de sons, imagens e saudações da Terra. Após sobrevoar Júpiter e Saturno, ela se tornou o primeiro objeto humano a entrar no espaço interestelar em 2012. Hoje, é o objeto feito pelo homem mais distante de nós, a mais de 25 bilhões de quilômetros de distância.
Para apontar em sua direção, localize a constelação de Ofiúco no céu antes do amanhecer. Encontre as estrelas brilhantes Rasalhague e Kappa Ophiuchi, e a estrela Rasalgethi na constelação vizinha de Hércules. A Voyager 1 está navegando no espaço delimitado por essa pirâmide de estrelas.
Alvo Bônus: Um pouco acima de Rasalgethi, você encontrará a constelação de Corona Borealis, que tem o formato de uma coroa. Ali reside uma estrela chamada T Coronae Borealis. A cada 80 anos, ela explode em um evento chamado “nova”, aumentando seu brilho drasticamente. A última vez foi em 1946, e os astrônomos estão esperando que isso aconteça novamente a qualquer momento!
Perguntas frequentes
Preciso de um telescópio para ver essas naves?
Não. As naves em si são muito pequenas e distantes para serem vistas. Este guia ajuda você a localizar a região do céu onde elas estão, para que você possa apreciar a imensidão do espaço e a jornada incrível desses exploradores robóticos.
Como posso medir as distâncias no céu mencionadas no artigo?
Os astrônomos usam medidas angulares simples. Um punho fechado com o braço estendido cobre cerca de 10 graus do céu. Três dedos juntos cobrem cerca de 5 graus. É uma forma fácil de navegar entre as estrelas.
Onde posso obter mapas estelares atualizados?
Use aplicativos de astronomia para celular como Stellarium, SkyView ou Star Walk. Eles usam sua localização para mostrar exatamente o que está acima de você em tempo real, facilitando a identificação de constelações e planetas.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://science.nasa.gov/mission/webb/
https://science.nasa.gov/mission/europa-clipper/
https://www.jpl.nasa.gov/missions/voyager-1/
https://www.esa.int/Science_Exploration/Space_Science/Juice
https://astrobiology.nasa.gov/missions/juice/




Publicar comentário