Buracos Negros Massivos: Mais Comuns em Galáxias Anãs do que se Imaginava

Buracos Negros Massivos: Mais Comuns em Galáxias Anãs do que se Imaginava

O Universo em Miniatura: Uma Nova Descoberta

Imagine o universo como um vasto oceano, onde galáxias gigantes como a nossa Via Láctea são continentes majestosos. Mas este oceano também está repleto de ilhas menores, as galáxias anãs. Por muito tempo, os astrônomos acreditaram que essas pequenas galáxias raramente possuíam os motores cósmicos mais poderosos que conhecemos: buracos negros supermassivos.

No entanto, uma pesquisa recente, o censo mais completo já realizado, está virando essa ideia de cabeça para baixo. Cientistas do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (CfA) e da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill descobriram que os núcleos galácticos ativos (AGN), que são a assinatura de um buraco negro em plena ‘refeição’, são muito mais comuns nesses pequenos sistemas do que se pensava.

O que São Galáxias Anãs e Buracos Negros Ativos?

Para entender a importância disso, vamos simplificar. Uma galáxia anã é uma coleção de ‘apenas’ alguns bilhões de estrelas, um número pequeno em comparação com os 200 a 400 bilhões de estrelas da Via Láctea. Elas são os blocos de construção mais comuns do universo.

No centro da maioria das grandes galáxias, existe um buraco negro supermassivo (SMBH), um objeto com milhões ou bilhões de vezes a massa do nosso Sol. Quando esse gigante começa a engolir gás e poeira ao seu redor, o material forma um disco de acreção superaquecido. Pense nisso como a água girando antes de descer pelo ralo, mas em uma escala cósmica e incrivelmente energética. Esse processo libera uma quantidade colossal de luz, criando um Núcleo Galáctico Ativo (AGN), também conhecido como quasar, que pode ofuscar o brilho de todas as estrelas da galáxia.

Um Novo Censo Cósmico: Revelando os Gigantes Escondidos

A equipe de astrônomos analisou mais de 8.000 galáxias próximas para procurar por esses sinais de atividade. O desafio era que o brilho intenso da formação de novas estrelas, comum em galáxias anãs, pode mascarar a luz mais fraca de um AGN. Usando técnicas avançadas para ‘filtrar’ esse brilho estelar, eles conseguiram uma visão mais clara.

Os resultados foram surpreendentes. Enquanto pesquisas anteriores encontravam AGNs em cerca de 1% das galáxias anãs, o novo censo elevou esse número para algo entre 2% e 5%. Embora ainda seja uma fração menor do que em galáxias de tamanho médio (16-27%) e grandes (20-48%), a descoberta mostra que esses motores cósmicos não são tão raros nos ‘pequenos’ do universo.

Por que a Descoberta é Tão Importante?

Esta nova contagem tem implicações profundas para a nossa compreensão de como as galáxias, incluindo a nossa, se formam e evoluem. A teoria predominante é que galáxias grandes como a Via Láctea cresceram através da fusão de muitas galáxias anãs ao longo de bilhões de anos.

Se mais galáxias anãs têm buracos negros massivos, isso significa que a fusão delas teria contribuído para a formação do buraco negro supermassivo que hoje habita o centro da nossa própria galáxia, o Sagitário A*. Como a coautora do estudo, Sheila J. Kannappan, explica, ‘estes resultados são essenciais para testar modelos sobre as origens dos buracos negros e seu papel na formação das galáxias.’

O Salto Inesperado: Um Mistério a Ser Resolvido

Talvez o aspecto mais intrigante do estudo seja o salto acentuado na frequência de AGNs quando se passa das galáxias anãs para as galáxias de tamanho médio, como a Via Láctea. ‘Isso nos diz que algo importante está mudando entre os dois tipos’, afirma Mugdha Polimera, principal autora do censo. ‘Pode ser uma mudança nas próprias galáxias, ou um sinal de que ainda não estamos detectando tudo nas menores e precisamos de métodos de detecção melhores.’

Essa descoberta abre uma nova fronteira na cosmologia, fornecendo aos astrônomos um ponto de partida mais sólido para desvendar os segredos da formação e do crescimento dos buracos negros, os arquitetos silenciosos do universo.

E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!

Perguntas Frequentes

1. Todas as galáxias têm um buraco negro no centro?
Acreditava-se que quase todas as galáxias grandes sim, mas este estudo reforça que em galáxias anãs, a presença de um buraco negro massivo não é uma garantia. A nova contagem, no entanto, mostra que eles são mais comuns do que se pensava.

2. O que acontece quando galáxias com buracos negros se fundem?
Quando as galáxias colidem e se fundem, seus buracos negros centrais eventualmente também se fundem, criando um buraco negro ainda maior. Acredita-se que este seja o principal mecanismo de crescimento dos buracos negros supermassivos.

3. Um AGN é perigoso?
Para algo que esteja muito próximo, sim. A radiação e os jatos de energia de um AGN podem esterilizar planetas e varrer o gás de uma galáxia, interrompendo a formação de estrelas. Felizmente, o buraco negro no centro da Via Láctea não está atualmente ativo.

Referências

https://www.cfa.harvard.edu/news/scientists-find-more-active-black-holes-dwarf-and-milky-way-sized-galaxies-cutting-through-glare

https://www.nasa.gov/missions/chandra/nasas-chandra-finds-small-galaxies-may-buck-the-black-hole-trend/

https://esahubble.org/science/black_holes/

https://physics.unc.edu/galaxy-census-sees-jump-in-central-black-hole-detection-as-galaxies-near-milky-way-mass/

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