Betelgeuse Não Está Sozinha: Descoberta de Estrela Companheira Revela Mistérios da Supergigante Vermelha
A Estrela Gigante Que Não Caminha Sozinha
Betelgeuse sempre fascinou os observadores do céu noturno. Localizada na constelação de Órion, essa estrela supergigante vermelha brilha intensamente e pode ser vista a olho nu. Durante séculos, astrônomos acreditaram que ela viajava solitária pelo espaço. Mas uma descoberta recente mudou completamente essa visão.
Em janeiro de 2026, cientistas do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian apresentaram evidências definitivas de que Betelgeuse possui uma estrela companheira. Essa descoberta foi anunciada na 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, realizada em Phoenix, e representa um marco importante para a astronomia moderna.
A estrela companheira recebeu o nome de Siwarha, que significa “sua pulseira” em árabe. O nome faz referência ao significado de Betelgeuse, que é “a mão de al-Jawzā”. Juntas, essas duas estrelas formam um sistema binário fascinante que está revelando segredos sobre como estrelas gigantes evoluem e morrem.
Um Gigante Cósmico de Proporções Inimagináveis
Para entender a magnitude dessa descoberta, precisamos primeiro compreender o tamanho impressionante de Betelgeuse. Essa supergigante vermelha está localizada a aproximadamente 650 anos-luz da Terra. Seu tamanho é tão colossal que mais de 400 milhões de Sóis caberiam dentro dela.
Imagine por um momento: se Betelgeuse estivesse no lugar do nosso Sol, sua superfície se estenderia além da órbita de Marte. Essa escala gigantesca torna Betelgeuse uma das poucas estrelas cuja superfície e atmosfera podem ser diretamente observadas pelos telescópios terrestres e espaciais.
Betelgeuse é também a segunda estrela mais brilhante da constelação de Órion, o Caçador. Sua coloração avermelhada característica indica que ela está em um estágio avançado de evolução estelar. Estrelas como Betelgeuse representam a fase final da vida de astros massivos, pouco antes de explodirem como supernovas.
A Descoberta da Companheira Oculta
A primeira detecção direta de Siwarha ocorreu em julho de 2025, quando astrônomos utilizaram o instrumento de imageamento ‘Alopeke no Observatório Gemini North, no Havaí. As observações foram baseadas em dados coletados em 2020 e 2024, mas foi necessário um trabalho meticuloso de análise para confirmar a presença da estrela companheira.
O grande desafio estava no fato de que Siwarha orbita extremamente próxima a Betelgeuse. Ela está tão perto que passa através da atmosfera externa estendida da supergigante. Detectar uma estrela pequena ao lado de um gigante tão brilhante é como tentar enxergar uma vela acesa ao lado de um holofote potente.
Para confirmar definitivamente a descoberta, os cientistas precisavam de mais do que apenas uma imagem. Eles precisavam encontrar evidências do impacto que Siwarha estava causando em Betelgeuse. E foi exatamente isso que a equipe liderada por Andrea Dupree conseguiu fazer.
A Esteira de Gás: Uma Assinatura Cósmica
Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA e observatórios terrestres localizados no Arizona e nas Ilhas Canárias, os astrônomos detectaram algo extraordinário: uma esteira de gás denso criada por Siwarha enquanto ela se move através da atmosfera de Betelgeuse.
Andrea Dupree, a principal autora do estudo, explicou o fenômeno com uma analogia simples: “É como um barco se movendo pela água. A estrela companheira cria um efeito de ondulação na atmosfera de Betelgeuse que podemos realmente ver nos dados”.
Essa esteira aparece a cada seis anos, quando Siwarha cruza em frente a Betelgeuse do nosso ponto de vista. Os cientistas rastrearam mudanças na luz da estrela durante quase oito anos, observando alterações no espectro de Betelgeuse e na velocidade e direção dos gases em sua atmosfera externa. Essas mudanças confirmaram os modelos computacionais que os astrônomos vinham desenvolvendo.
A descoberta da esteira é particularmente importante porque resolve um dos maiores mistérios sobre Betelgeuse: por que ela apresenta variações estranhas em seu brilho e comportamento atmosférico.
Desvendando os Mistérios de Betelgeuse
Durante décadas, astrônomos observaram que Betelgeuse apresenta dois ciclos distintos de variação. O primeiro é um ciclo curto de aproximadamente 400 dias, que recentemente foi atribuído a pulsações dentro da própria estrela. O segundo é um ciclo longo de cerca de 2.100 dias, ou seis anos, que permanecia inexplicado.
A curiosidade científica se intensificou após um evento dramático em 2020, quando Betelgeuse perdeu brilho de forma inesperada. A estrela gigante pareceu “espirrar”, expelindo uma enorme nuvem de material que temporariamente obscureceu parte de sua superfície. Esse episódio gerou especulações de que Betelgeuse poderia estar prestes a explodir como supernova.
Agora, com a confirmação da existência de Siwarha, os cientistas finalmente têm uma explicação para o ciclo longo de 2.100 dias. A órbita da estrela companheira e a esteira de gás que ela cria são responsáveis por essas variações periódicas no brilho e na atmosfera de Betelgeuse.
O Que Isso Significa Para a Ciência
A descoberta de Siwarha tem implicações profundas para nossa compreensão da evolução estelar. Betelgeuse oferece aos astrônomos um “assento na primeira fila” para observar como uma estrela gigante muda ao longo do tempo, como perde material e como eventualmente explodirá como supernova.
Estrelas supergigantes vermelhas como Betelgeuse representam a fase final da evolução de estrelas massivas. Elas já queimaram a maior parte de seu combustível nuclear e estão expandindo suas camadas externas. Eventualmente, essas estrelas colapsam e explodem em eventos cataclísmicos chamados supernovas, espalhando elementos pesados pelo espaço.
A presença de uma estrela companheira adiciona uma camada extra de complexidade a esse processo. Siwarha está perturbando a atmosfera de Betelgeuse, acelerando a perda de massa e potencialmente influenciando quando e como a supergigante eventualmente explodirá.
Além disso, essa descoberta pode ajudar a explicar mistérios similares em outras estrelas gigantes e supergigantes. Muitas dessas estrelas apresentam comportamentos estranhos que podem ser causados por companheiras ocultas.
Observações Futuras e Próximos Passos
Atualmente, Betelgeuse está eclipsando Siwarha do nosso ponto de vista, tornando difícil observar diretamente a estrela companheira. No entanto, os astrônomos já estão planejando novas observações para 2027, quando Siwarha emergirá novamente e atingirá sua maior separação aparente de Betelgeuse.
Esse será o momento ideal para estudar a estrela companheira em mais detalhes e coletar dados adicionais sobre suas propriedades físicas, como massa, temperatura e composição química. Os cientistas também pretendem usar instrumentos ainda mais avançados para mapear a esteira de gás com maior precisão.
O estudo foi aceito para publicação no prestigiado periódico científico The Astrophysical Journal, garantindo que outros pesquisadores ao redor do mundo possam revisar e construir sobre essas descobertas.
Perguntas frequentes
Betelgeuse vai explodir em breve?
Embora Betelgeuse esteja em um estágio avançado de evolução estelar e eventualmente explodirá como supernova, os astrônomos não esperam que isso aconteça nos próximos milhares de anos. O evento de escurecimento em 2020 não foi um sinal de explosão iminente, mas sim resultado de uma ejeção de material da superfície da estrela.
O que acontecerá com Siwarha?
Siwarha está em uma órbita muito próxima de Betelgeuse e passa através da atmosfera externa da supergigante. Estudos sugerem que, dentro dos próximos 10.000 anos, Siwarha poderá ser eventualmente consumida por Betelgeuse à medida que a supergigante continua a expandir suas camadas externas.
Podemos ver Betelgeuse a olho nu?
Sim! Betelgeuse é facilmente visível a olho nu como a estrela avermelhada mais brilhante no ombro esquerdo da constelação de Órion. É melhor observada durante os meses de inverno no hemisfério norte e verão no hemisfério sul.
E não se esqueça, mantenha sempre seus olhos no céu!
Referências
https://science.nasa.gov/missions/hubble/nasa-hubble-helps-detect-wake-of-betelgeuses-elusive-companion-star/
https://esahubble.org/images/opo2602/
https://www.gemini.edu/news/press-releases/noirlab2523
https://www.jpl.nasa.gov/news/nasa-scientist-finds-predicted-companion-star-to-betelgeuse/
https://arxiv.org/html/2601.00470v1




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